sexta-feira, 21 de agosto de 2015


«Os loucos da casa exageram no volume de seus discos,
                                                                  gritam para além dos sacos
                                                                   de lixo, esbofeteiam-se, fun-
                                                                   dam paralelos lares de com-
                                                                   panheiros sós e felizes.
Telefonam-se a altas horas, marcam encontros impos-
                                                                   síveis, roem-se tranquila-
                                                                   mente as unhas.
Mas o mar os conhece como ninguém, embate contra
                                                                  seus quadris, fica sereno, e
                                                                  é a noite acampada à beira
                                                                   das marés.
Entre esmagar conchas ou beijar um pescoço húmido de
                                                                  suor, só a história fica des-
                                                                  ses, vomitando nos lugares
                                                                  públicos as públicas e de
                                                                  pasta mulheres dos profis-
                                                                  sionais livres: virginsíssimas.»

Mário Cláudio. Terra Sigillata. Edição & etc, Lisboa., p. 31

«Passas, é o corredor demasiado estreito. Tocas-me o 
                                                                                              peito de tuas mamas: mo-
                                                                                              mento do limão espremido,
                                                                                              sulcos acabados de rasgar.

O túnel, agora.»

Mário Cláudio. Terra Sigillata. Edição & etc, Lisboa., p. 24/5

«Criança que era, descia às caves da casa, procurava
                                                        as lâminas, incindia com
                                                        elas a cana do nariz.
Retrocedia às escadas, erguia-se ensanguentada, tin-
                                                        gindo de si a maçaneta das
                                                        portas, o papel das pare-
                                                        des, as toalhas de linho.
Era a morte primeira, o lívido oásis da dor.» 


Mário Cláudio. Terra Sigillata. Edição & etc, Lisboa., p. 20
«Nada se vende já na Rua dos Arménios, nem o medo.
Só alguns azulejos se compõem e descompõem, um
                                            poeta nasce, o teatro arde
                                            pela madrugada.»



Mário Cláudio. Terra Sigillata. Edição & etc, Lisboa., p. 15

''madrugar o pensamento''


Esquecemos a sombra que movíamos
e a em que, movendo-nos, era
madrugar desde o princípio
de sermos fonte duma fonte velha.
E madrugar a sombra dessa fonte
da nossa sombra esquecida madrugava,
acendendo-se espelho fundo e onde
o espelho se esquecesse, e a madrugada.


Fernando Echevarria. A base e o timbre. Círculo de Poesia, Moraes Editores., p. 55
«Iluminarmo-nos ilumina
outros iluminar-se.»


Fernando Echevarria. A base e o timbre. Círculo de Poesia, Moraes Editores., p. 43

quinta-feira, 20 de agosto de 2015


“não é a última gota que esvazia a clepsidra, mas toda a água que anteriormente foi escorrendo”

Séneca
«A morte é um processo intrínseco à própria vida, de tal forma que viver é sempre, ao mesmo tempo, morrer.»

Joaquim Mateus Paulo Serra. O Suicídio considerado como uma das Belas Artes. Universidade da Beira Interior. Artigos LusoSofia, Covilhã, 2008., p. 15
“é precisa a vida inteira para aprender a viver e – o que talvez vos surpreenda mais – é precisa a
vida inteira para aprender a morrer.”

Séneca, in pequeno ensaio intitulado Acerca da Brevidade da Vida

Carta 77

“na vida é como no teatro: não interessa a duração da peça, mas a qualidade da representação. Em que ponto tu vais parar, é questão sem a mínima importância. Pára onde quiseres, mas dá à tua vida um fecho condigno.”

Séneca, op. cit., 77, 20, p. 328.

“É muito mais difícil [do que na morte na sequência de doença] encontrar ou criar um significado na morte súbita resultante do suicídio ou da injúria autoinfligida. Para o indivíduo que escolheu cometer suicídio, parece que a vida se tornou uma luta sem sentido, ou um terror para o qual a morte é a única saída. O único factor comum ao suicídio ou à injúria auto-infligida é o fazer-se mal a si próprio; a questão comum deixada aos que ficam é ‘Porquê’?” 


Stella Ridley, “Sudden death from suicide”, in Donna Dickenson, Malcolm Johnson, Jeanne
Samson Katz (org.), Death, Dying and Bereavement, London, Sage Publications, 2000, p. 55
Em Fédon de Platão, Sócrates afirma acerca dos filósofos que “eles não têm outra ocupação senão a de morrer e estarem mortos”, acrescentando, ainda, que os filósofos “se exercitam a morrer e que não há homens que tenham menos medo do que eles em estarem mortos”.

“Morrer jovem, sobreviver heroicamente”.

(Cf. Jean-Pierre Vernant, O Universo, os Deuses, os Homens, Lisboa, D. Quixote, 2000, p. 95-99).
«De acordo com um autor antigo, a lei em Atenas diria o seguinte: “Que aquele que não quer viver mais tempo exponha as suas razões ao Senado e deixe a vida se o Senado lhe der autorização para partir. Se a existência te é odiosa, morre; se o destino te é opressivo, bebe a cicuta. Se o peso da dor te faz andar curvado, abandona a vida. Que o infeliz relate os seus infortúnios, que o magistrado lhe forneça o remédio e a miséria cessará.”

(Libanius, citado por Durkheim, ibidem, p. 329).
«Em Atenas – mas também em Esparta, Tebas e Chipre –, não só estavam vedadas as honras de sepultura ao homem que se suicidava sem autorização do Estado, como se cortava uma mão ao cadáver para ser enterrada à parte.»

Joaquim Mateus Paulo Serra. O Suicídio considerado como uma das Belas Artes. Universidade da Beira Interior. Artigos LusoSofia, Covilhã, 2008., p. 6

a “estética da existência”


“Talvez o verdadeiro estádio do espelho antropiano: contemplar-se num duplo, alter ego, e, no visível próximo, ver outro que o visível. E o nada em si, ‘este não-sei-quê que não tem nome em nenhuma língua’. Traumatismo suficientemente siderante para desencadear, desde logo, uma contra-medida: fazer uma imagem do inominável, um duplo do morto para o manter em vida, e, por contragolpe, não ver esse não-sei-quê em si, não se ver a si mesmo como quase nada.” 

Régis Débray, Vie et Mort de l’Image, Paris, Gallimard, 2000, p. 37
“Quando aparece o sapiens [Homem de Neanderthal], o homem já é socius, faber, loquens. Portanto, a novidade que o sapiens traz ao mundo não consiste, como se julgava, na sociedade, na técnica, na lógica, na cultura. Consiste, pelo contrário, naquilo que até agora se considerava como epifenomenal, ou que imbecilmente se saudava como sinal de espiritualidade: a sepultura e a pintura.”

Edgar Morin, O Paradigma Perdido. A natureza humana, Lisboa, Europa-América, 1975, p. 93.
«Pelo sofrimento e pela angústia que provoca, aos que partem e aos que ficam, a morte dá que pensar leva o homem a tornar-se pensante.»

Joaquim Mateus Paulo Serra. O Suicídio considerado como uma das Belas Artes. Universidade da Beira Interior. Artigos LusoSofia, Covilhã, 2008., p. 4

João Moita 8 poemas

O mundo é a tua vigília.
Levas milénios acordado,
velando a tua esperança.
Velas, teus acólitos seguram
as tuas pálpebras.
Esperas o impossível:
que se erga da terra um rumor que embale.

*

À força de êxtases,
a fé podou o amor.

Quando veio o desejo,
brincámos com a fome dos corações.

*

A descrença celebra o seu apóstata,
reclama o seu arado:

chegará o tempo da sega,
mas cultive-se primeiro o amor,
essa deformação.
                           Se espigar,
haverá fome por mantimento
e uma colheita tardia
para a distração.

*

Não escrevia para não roubar tempo à leitura: aprendia a humildade. Agora escrevo, aprendo a humilhar-me.

*

Se falham o primeiro voo,
as aves não chegam a voar.
Delas não se pode dizer
que tinham o voo por condição.
Inata só a altura do ninho
e a vertigem do solo.
O resto é conquista das asas.

*

Uma consciência tranquila dorme de noite, mas de dia é uma insónia insuportável.

*

Os mastins dormiram esta noite
junto ao leito do nosso amor.
Partiram antes da alba
para paragens menos desoladas
com as marcas dos nossos dentes
sobre o dorso.

*

Fiquei em silêncio até já ter dito tudo
e só depois me ergui da fogueira-

Tive de queimar a pele para ferver o sangue.


in Fome, Lisboa, Enfermaria 6, 2015: 14, 18, 19, 31, 36, 40, 47, 55


A escrita


“Quando conscientemente, aos treze anos de idade, tomei posse da vontade de escrever – eu escrevia quando era criança, mas não tomara posse de um destino – quando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade. Comecei, e nem sequer era pelo começo. Os papéis se juntavam um ao outro – o sentido se contradizia, o desespero de não poder era um obstáculo a mais para realmente não poder: a história interminável que então comecei a escrever (com muita influência de O Lobo das Estepes de Hermann Hesse), que pena eu não ter conservado: rasguei, desprezando todo um esforço quase sobre-humano de aprendizagem, de autoconhecimento. E tudo era feito em tal segredo. Eu não contava a ninguém, vivia aquela dor sozinha. Uma coisa eu já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir”. (Em A Descoberta do Mundo).



“Não escrevi muito sobre mim nestes dias, em parte por preguiça (durmo tanto e tão profundamente durante o dia, tenho mais peso enquanto durmo), em parte também por medo de trair o conhecimento que tenho de mim. Este medo justifica-se, porque uma pessoa só devia permitir fixar na escrita a sua autopercepção quando o puder fazer com a maior integridade, com todas as consequências secundárias e também com toda a verdade. Porque se isto não acontecer — e eu de qualquer maneira não sou capaz de o fazer — o que está escrito irá, de acordo com a sua própria finalidade e com o poder superior do que foi fixado, tomar o lugar daquilo que se sentia apenas vagamente, de tal modo que o sentimento verdadeiro desaparecerá enquanto o não valor do que foi anotado será reconhecido tarde de mais”. (Em Diário).
''Não sei como é que aprendi a ler; só me lembro das minhas primeiras leituras.''

Rousseau

hodiernamente


advérbio

no tempo de agora; actualmente; modernamente

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

"E é na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se, como tão claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc...
A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita.
A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens são súbditos desta omnipotente Majestade. Derrubá-la do trono; arrancar-lhe das mãos o ceptro ensaguentado, é a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direcção dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc....
E os operários que têm trabalhado na obra da Justiça e do Bem, foram os párias da Índia, os escravos de Roma, os miseráveis do bairro de Santo António, os Gavroches, e os moujiks da Rússia nos tempos de hoje. Porque é que só a gente sincera, inculta e bárbara sabe realizar a obra que o génio anuncia? Que intimidade existirá entre Jesus e os rudes pescadores da Galileia? Entre S. Paulo e os escravos de Roma? Entre Danton e os famintos do bairro de Santo António? Entre os párias e Buda? Entre Tolstoi e os selvagens moujiks? A enxada será irmã da pena? A fome de pão paracer-se-à com a fome de luz?..."

Teixeira de Pascoaes, "Trechos dum livro inédito" (1911), in "A Saudade e o Saudosismo", pp.12-13.

A Vida não Cabe numa Teoria

«A vida... e a gente põe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os filósofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os teólogos não entenderam na solidão das celas.

Nisto, ou então na conta do sapateiro, na degradação moral do século, ou na triste pequenez de tudo, a começar por nós.

Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.

A vida é o que eu estou a ver: uma manhã majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crianças — um rapaz e uma rapariga — silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar. »

Miguel Torga, in "Diário (1941)"

A Essência da Poesia

«Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria. Se narrei neste discurso alguns sucessos do passado, se revivi um nunca esquecido relato nesta ocasião e neste lugar tão diferentes do sucedido, é porque durante a minha vida encontrei sempre em alguma parte a asseveração necessária, a fórmula que me aguardava, não para se endurecer nas minhas palavras, mas para me explicar a mim próprio. Encontrei, naquela longa jornada, as doses necessárias para a formação do poema. Ali me foram dadas as contribuições da terra e da alma. E penso que a poesia é uma acção passageira ou solene em que entram em doses medidas a solidão e solidariedade, o sentimento e a acção, a intimidade da própria pessoa, a intimidade do homem e a revelação secreta da Natureza. E penso com não menor fé que tudo se apoia - o homem e a sua sombra, o homem e a sua atitude, o homem e a sua poesia - numa comunidade cada vez mais extensa, num exercício que integrará para sempre em nós a realidade e os sonhos, pois assim os une e confunde. E digo igualmente que não sei, depois de tantos anos, se aquelas lições que recebi ao cruzar um rio vertiginoso, ao dançar em torno do crânio de uma vaca, ao banhar os pés na água purificadora das mais elevadas regiões, digo que não sei se aquilo saía de mim mesmo para se comunicar depois a muitos outros seres ou era a mensagem que os outros homens me enviavam como exigência ou embrazamento. Não sei se aquilo o vivi ou escrevi, não sei se foram verdade ou poesia, transição ou eternidade, os versos que experimentei naquele momento, as experiências que cantei mais tarde. De tudo aquilo, amigos, surge um ensinamento que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum. »

Pablo Neruda, in "Nasci para Nascer" (Discurso na entrega do Prémio Nobel)

O Orgulho e a Vaidade

«O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em acção.»


 Fernando Pessoa, in "Da Literatura Européia"

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Andrei Tarkovsky & Margarita Terekhova on the set of The Mirror (1975, dir. Andrei Tarkovsky)


«A calma e o desgosto eram tão grandes que lhe oprimiam o peito e o isolamento era completo - um círculo impenetrável.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 150
«Cheira a podridão da cabeça aos pés. Todos nós cheiramos a podridão!»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 264
«O ódio», afirmava ele, « é o único caminho que nos pode conduzir ao amor.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 262

«De que será feito o corpo humano para dar e receber tanta felicidade? E os lábios? Aproximarmo-nos deles, um pedaço de carne, pode abalar-nos o espírito.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 258
«O odor dos sovacos dessas mulheres subia-lhe ainda às narinas: urina, especiarias e almíscar.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 257
«Será que o Demónio tomou conta de mim e me quer arrastar? Foi sempre ele quem governou a minha vida, não fui eu. Fala-me de liberdade, mas de que liberdade? Só ele, o Demónio que vive em nós, é livre.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 257

''uma serpente lustrosa''


«(...) corpos devorados pela fome, de grandes olhos de veludo cheios de deuses mortos e de resignação.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 253

''ventres esfaimados''

''corou de cólera''

Carnificina

«À frente, banhado em lágrimas, caminhava o espectro sangrento da Liberdade, arrastando atrás de si a imortal canalha: a Fome, a Pilhagem, o Fogo e a Carnificina.»


Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 250/1

''terra úbere''

Audrey Hepburn & Shirley Maclaine




« - O mundo já não tem fim, pois todos juntos formamos um só mundo.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 237

«Será o meu coração doente incapaz de se abrir?»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 235

parlapatices



"Ninguém se mata pelo amor de uma mulher. Matamo-nos porque um amor, não importa qual, nos revela a nós mesmos na nossa nudez, na nossa miséria, no nosso estado inerme, no nosso nada”.

Cesare Pavese


«O seu velho coração cedia. Recomeçava a interrogar-se: Deveria continuar ou não? Teria tomado a decisão que convinha? Conduziria ela à libertação? Deus deixara-o livre e ele fizera a sua escolha. Nesse momento, estava certo de ter seguido o bom caminho, mas agora, que quase chegara ao fim, os joelhos dobravam-se-lhe e novas vozes se levantavam do fundo do seu ser: «Atenção, padre Yannaros, vais ser enganado! Como podes tu fiar-te em gente que não crê em Deus?»



Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 230

«A morte tornou-se a sua única esperança.»


Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 229

«Não pensava em nada, fumava cigarro após cigarro e, com a cabeça voltada para cima, fitava o céu, de olhos vazios.»


Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 228
«Onde irias tu, passarinho sem miolos? Estás bem aqui, sossega duma vez.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 220

« - Pedras, deserto e fome, eis o que tu és, infeliz Grécia!»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 220

THE KISS (1896) - The first kiss scene in history of film, shared between May Irwin and John C. Rice.


«Os anos dobavam, Kyra-Polyxeni embranquecera, os seios esvaziaram-se-lhe, (...)»


Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 214
«Isto é uma região bravia. Se não a amas, só te resta o ódio.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 144

''a memória do medo''

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 128

«Sentiu o frio da solidão e começou a chorar baixinho.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 119
«Sabes, Elizabeth, o facto de tu veres por baixo das aparências devia tornar-me menos solitário, mas não sucede assim. Quero dizer-te e não consigo.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 116

«Tu olhas demasiadamente perto, Elisabeth», disse vivamente. «Aprofundas as coisas em excesso.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 116

«Desde que me conheço, as festas fazem-me triste.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 114/5

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

«Os carvalhos deixavam cair folhas como a chuva e, apesar disso, continuavam revestidos de folhagem. Todas as noites o céu ardia sobre o mar e as nuvens acumulavam-se e estendiam-se, atacando e recuando como a treinar-se para o Inverno.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 95
Poderia ter escrito a tremer de respirares tão longe
Ter escrito com o sangue.
Também poderia ter escrito as visões
Se os olhos divididos em partes não sobrassem
No vazio de ceguez
E luz.
Poderia ter escrito o que sei
Do futuro e de ti
E de ter visto no deserto
O silêncio, o fogo e o dilúvio.
De dormir cheio de sede e poderia
Escrever
O interior do repouso
E ser faúlha onde a morte vive
E a vida rompe.
E poderia ter escrito o meu nome no teu nome
Porque me alimento da tua boca
E na palavra me sustento em ti.


Daniel Faria
«Joseph sentiu-se de repente tão cheio de tristeza que o peito lhe doeu.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 93
«Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos. Não te deixes vencer pelo desalento. Não permitas que alguém retire o direito de te expressares, que é quase um dever. Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário. Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo. Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. Somos seres cheios de paixão. A vida é deserto e oásis. Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: tu podes tocar uma estrofe. Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.»

Walt Whitman
(...) Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias. (...)

Herberto Helder

sábado, 15 de agosto de 2015

Paul Newman and Shirley MacLaine on the set of What a Way to Go! 1965.


O olhar dela encheu-se de pensamentos

«O olhar dela encheu-se de pensamentos: o seu espírito buscava a maneira de exprimi-os. «Compreendo», disse, « que você já está à procura de desculpas - desculpas como arbustos atrás dos quais se possa esconder, para não precisar de enfrentar os seus pensamentos.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 84
«Você não conhece esse homem. Vou-lhe falar dele, não para a assustar,  mas para que você não se assuste quando vier a conhecê-lo.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 84

«Não  há uma distância muito grande entre o desprezo e o amor.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 83

''dor extática''

p. 79
«Há ocasiões, Joseph, em que o amor pelas pessoas é forte e quente como uma grande dor.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 73

A amargura de ser mulher pode ser um êxtase.

«Pode haver dores mais agudas do que o prazer, Elizabeth, como uma hortelã-pimenta que nos queima a língua. A amargura de ser mulher pode ser um êxtase.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 71

Marlon Brando & Teresa Wright in The Men (1950, dir. Fred Zinnemann)


Será uma dor impossível de curar com um beijo.

«Quando fores crescida, Elizabeth, conhecerás a dor; mas não será o género de dor que tu pensas. Será uma dor impossível de curar com um beijo.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 70/1

«Sentia os braços e as mãos pesados e mortos, pendurados como pesos em cordas que partiam duns ombros cansados de suportá-los.»

John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 70

«Pensei sem palavras»



«Pensei sem palavras», disse ele no seu espírito. «Um homem disse-me um dia que isso não era possível, mas pensei...Elizabeth, escuta-me. O Cristo pregado na cruz pode ser mais do quem um símbolo de toda a dor. Pode na verdade conter toda a dor. E um homem de pé no cume dum monte, de braços abertos, símbolo do símbolo, pode ser também um reservatório de toda a dor que jamais houve.»



John Steinbeck. A um deus desconhecido. Tradução de Manuel do Carmo. Publicações Europa-América., p. 69
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