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terça-feira, 6 de outubro de 2026


 

Soneto De Separação



Ana Lúcia - Carinho Inquieto (1959)

 


Este carinho inquieto
Que sinto pelas coisas,

Que sinto por você. Vontade de ser bom, Vontade de querer Que alguém me queira bem, Desinteressadamente. Ai, amor... Talvez nem seja amor. Toda esta vibração, Este anseio, este ardor. Por que este carinho inquieto Por você? Ai, amor... Talvez nem seja amor. Toda esta vibração, Este anseio, este ardor. Por que este carinho inquieto Por você? Carinho inquieto, Por você. Por você.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026


 

 


SummertimeWhoa, the living is easyFish are jumpingAnd the cotton is high, oh yeah
Your mother's richOh, and your father is good looking, yes, he isI said you hush little babyOh no please, please don't cry no more, no more
Ooh, one of these morningsI know, you are gonna rise up singingSpread your little wingsAnd will, will up in the sky
But untill that morningI know, I know there's nothing gonna harm youBecause your mamma and your daddyOh, they are standing somewhere byI know they are standing somewhere byOh, yeah
One of these morningsI know, you are gonna rise up singingSpread your little wingsFly away away up in the sky
But untill that morningI know, there's nothing gonna harm youBecause your mamma and daddyThey are standing somewhere byOnly time, only time, only timeSummertimeOnly time
Compositores: Ira Gershwin / George Gershwin / Dubose Heyward / Bob Baldwin / Tynia Canada


 


 

domingo, 4 de outubro de 2026

Minha Cabeça estremece, de Herberto Helder



Minha Cabeça estremece, de Herberto Helder

Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

– Era uma casa – como direi? – absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
– Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.

– Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta – como
direi? – um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

– Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
– Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

 

Seu Jorge & Beck: River Man (Nick Drake)


 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

domingo, 20 de setembro de 2026

Jean Ferrat - Nuit et Brouillard (1963)

                             

1.
Ils étaient vingt et cent, ils étaient des milliers
Nus et maigres tremblants, dans ces wagons plombés
Qui déchiraient la nuit de leurs ongles battants
Ils étaient des milliers, ils étaient vingt et cent.
Ils se croyaient des hommes, n'étaient plus que des nombres
Depuis longtemps leurs dés avaient été jetés
Dès que la main retombe il ne reste qu'une ombre
Ils ne devaient jamais plus revoir l'été.

2
La fuite monotone et sans hâte du temps
Survivre encore un jour, une heure obstinément
Combien de tours de roues, d'arrêts et de départs
Qui n'en finissent pas de distiller l'espoir
Ils s'appelaient Jean-Pierre, Natacha ou Samuel
Certains priaient Jésus, Jéhovah ou Vichnou
D'autres ne priaient pas mais qu'importe le ciel
Ils voulaient simplement ne plus vivre à genoux.

3
Ils n'arrivaient pas tous à la fin du voyage
Ceux qui sont revenus peuvent-ils être heureux ?
Ils essaient d'oublier, étonnés qu'à leur âge
Les veines de leurs bras soient devenues si bleues
Les Allemands guettaient du haut des miradors
La lune se taisait comme vous vous taisiez
En regardant au loin, en regardant dehors
Votre chair était tendre à leurs chiens policiers.

4
On me dit à présent, que ces mots n'ont plus cours
Qu'il vaut mieux ne chanter que des chansons d'amour
Que le sang sèche vite en entrant dans l'histoire
Et qu'il ne sert à rien de prendre une guitare
Mais qui donc est de taille à pouvoir m'arrêter
L'ombre s'est faite humaine aujourd'hui c'est l'été
Je twisterais les mots s'il fallait les twister
Pour qu'un jour les enfants sachent qui vous étiez.
Vous étiez vingt et cent, vous étiez des milliers
Nus et maigres tremblants, dans ces wagons plombés
Qui déchiriez la nuit de vos ongles battants
Vous étiez des milliers, vous étiez vingt et cent.


Chanson Nuit et brouillard, écrite, composée et interprétée par Jean Ferrat, 1963



 


 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

sábado, 1 de agosto de 2026




Maybe, if I pray every night
You'll come back to me
And maybe, if I cry everyday
You'll come back to stay
Oh-oh-oh-oh-oh, maybe
(maybe,maybe maybe)


Maybe, if I hold your hand
I'd be at your command
And maybe, if I kissed your lips
You'll be at my command
Oh-oh-oh-oh-oh, maybe
(maybe maybe maybe)


I've prayed and prayed, to the Lord
To send you back, my love
But instead, you came to me
Only in.... my-y-y dreams


Maybe, if I pray every night
You'll come back to me
And maybe, if I cry every day
You'll come back to stay
Oh-oh-oh-oh-oh, maybe


(Maybe, maybe maby)
Maybe (maybe maybe maybe)
Maybe (maybe maybe maybe)
Maybe (maybe maybe maybe)

quarta-feira, 22 de julho de 2026

sábado, 18 de julho de 2026

I smell a rat, baby

I smell a rat, baby
I smell a rat, baby
You better watch out

I smell a rat, baby

You won't tell me where you beenWhiskey runnin' on down to gin
I smell a rat, babyI smell a rat, babyYou better watch outI smell a rat, baby
You came stumblin' down the hallYou bumped your head up against the wallKnocked out drunk, that ain't allI know you been havin' yourself a ball
I smell a rat, babyI smell a rat, babyYou better watch outI smell a rat, baby
Oh, you better smell that ratOh, look at them old pillow rats walkin' aroundOh, I know you're knocked out, but that's alrightOh, you big ol' house ratOh, look out there, rat, don't fool with me
You won't tell me you been no placeFingernails scratchin' all over your face
I smell a rat, babyI smell a rat, babyYou better watch outI smell a rat, baby
Well, oh, that old ratI'll get me some rat poison to take care of you, babyNow, I know what you puttin' downOut on the other side of town
Oh, smell a rat, babyOoh, great big ratBetter watch outI smell a ratI smell a ratOh, smelly ratBig rat
Compositores: Jerry Leiber / Mike Stoller

sexta-feira, 17 de julho de 2026

“I want to know how it feels / 'Cause I / I only play act for-real”




 I

I think I know how I feel'Cause II only play it for-realYou should be picking me upInstead you're dragging me downFlying over my headYou're landing all over town
YouYou know that I tryTry to tell you the truthOh baby don't make me cryYou should be picking me upInstead you're dragging me downNow I'm missing you more (more)'Cause baby you're not aroundNow that you're not around
II want to know how it feels'Cause II only play for-realYou should be picking me upInstead your dragging me downI could be giving you love (love)But you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not aroundGlad that you're not around

Compositores: Anton A Newcombe

quarta-feira, 15 de julho de 2026

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