a volúpia que há neste calor.»
domingo, 5 de abril de 2026
Joaquim Manuel Magalhães / Ana Marchand, 'Ave de Partida', orientação gráfica de Paulo da Costa Domingos, Lisboa, Frenesi, fora do mercado, 1981
Nada me prendeu. Abandonei-me todo e fui.
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 97
O dia pesa em mim.
não cessa de ensombrecer.»
arruinado pela idade e os excessos,
a passo lento segue pelo beco.
Mas ao entrar em casa pra esconder
a miséria e a velhice, põe-se a meditar
no quinhão que inda tem por entre a gente nova.»
''não temerei, como um cobarde, as minhas paixões''
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 75
Muita pedra passou pelas minhas mãos.»
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 67
'' na flor da robustez da carne''
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 63
E não me venhas com as tuas lérias
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 61
Roteiro e Diálogos de Marguerite Duras.
MONOTONIA
(1908)
A um dia monótono outro dia
monótono também se segue. Dá-se
o mesmo, sempre, e uma e outra vez -
os instantes, os mesmos, vêm e vão.
Um mês passa e traz outro mês.
O que vem, qualquer um facilmente adivinha:
é esse aborrecido ontem,
e o amanhã já nem parece um amanhã.
o teu império, cuidado com o que alcanças »
é coisa capital que a ti te diz respeito»,
não deixes de parar; não deixes de adiar
conversas e negócios. Não deixes de te afastar
de quantos se prosternam para te saudar
(mais tarde os hás-de ver); que guarde até
o próprio Senado; e trata logo de ler
o grave escrito que te traz Artemidoro.»
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 25
Busca tua alma outras coisas, por outras chora
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 21
E que horrível é o dia em que cedes
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 21
A CIDADE
(1910)
Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 19
terça-feira, 31 de março de 2026
“Numa altura tão difícil e injusta, que os portugueses têm aguentado com uma paciência que eu considero inexcedível, em que vivemos num neofascismo capitalista, que afasta ainda mais as pessoas da cultura e dos livros, estar aqui hoje é, também, um ato de protesto [ao estado da cultura em Portugal].”
António Lobo Antunes
Na livraria Pátio das Letras, em Faro, Outubro de 2011
sábado, 28 de março de 2026
"Quero morrer bonita"
"Quero morrer bonita",
“I am not what you think I am.”
Porcile (1969) dir. Pier Paolo Pasolini
“Writing is an integral part of the process of understanding... because certain things are laid down. Let's suppose I had a very good memory and remembered everything I think: knowing my own laziness, I very much doubt I would have ever noted anything down. What counts for me is the process of thinking itself. When I have that, then I am quite content personally. If then I succeed in adequately expressing it in writing, I am content again.”
[7 anos sem Patrícia Baltazar]
Amor feinho
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.
Adélia Prado, em "Bagagem". Rio de Janeiro: Imago, 1976.
Ó meu amor! ó meu damasco, ó minha seda
Álvaro de Campos
– Pois claro
quando me olham de sobrancelhas levantadas à espera de concordância e aplauso. Tornei-me um especialista do
– Pois claro
(...)
Consultório de Freud
''Faço psicanálise há muitos anos e tomo anti-depressivo há seis anos.
http://anabelamotaribeiro.pt
de Sophia de Mello Breyner Andresen
Sobre a história de resistência da Noelia Castillo Ramos
Crónica do jornalista Pedro Lemos, no jornal Sul Informação
terça-feira, 24 de março de 2026
I Had a Flashback of Something that Never Existed,
Como ser artista, segundo Louise Bourgeois
“Arte não é sobre arte. É sobre a vida, e isso resume tudo “
Sua arte era um exorcismo diário de suas experiências, traumas e agitações internas.
domingo, 22 de março de 2026
''A sua solidão exprime-se nas noites azul-escuras, ''
''Depois, o tabaco, os charutos mais fortes, e muitos. A nicotina serpenteia pelos canais das minhas veias , fervilhando nos labirintos do cérebro, o mais frágil atelier do pensamento, e nos corredores do coração. Os nervos mais delicados são tocados, sinto-o, e o mais delicado deles, eu sei, é o nervo da vida. Já não aguento mais. Levem-me à clínica psiquiátrica.''
Edvard Munch
fauvismo
nome masculino
A poesia não cabe no nosso quintal.
Artur Pastor



