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sexta-feira, 5 de junho de 2026
quinta-feira, 10 de novembro de 2022
Queria que os portugueses
(Agostinho da Silva)
Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor
sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal
todos os que são formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler
teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura
e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale
até para aproveitar-se
das dúvidas da razão
que a si própria se devia
olhar pura opinião
que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira
alfabetizar cuidado
não me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto
se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia
deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.
segunda-feira, 19 de abril de 2021
"A nossa mente olha o Eterno e o faz Tempo"
"A nossa mente olha o Vazio e o faz Espaço"
- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 154.
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sexta-feira, 9 de abril de 2021
"Cigano não deve ser visto como ovelha fora do redil, nossos pobres redis tão enxovalhados de fraquezas humanas, mas como, ainda, um mestre nosso de liberdade; sabem, ainda, os melhores, dormir à luz das estrelas e guiar-se por elas [...]; se os tomarmos como mestres, não como catecúmenos ou discípulos, por eles pode surgir para nós um mundo novo: aquele em que se cumpra a liberdade do Espírito, o qual, como se sabe, foi feito para soprar aonde quer e não aonde o mandam; aonde, é bom que se diga, o mandam sempre errado."
Agostinho da Silva, LIVRE SOPRO DO VENTO (1970), in TEXTOS E ENSAIOS FILOSÓFICOS II, Âncora Editora, 1999, p. 224.
sábado, 6 de abril de 2019
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Estou a exigir muito de si? Quem lhe há-de exigir muito senão os seus amigos? Eles receberam o encargo de o não deixar amolecer e, pela minha parte, tenha você a certeza de que o hei-de cumprir. Você há-de dar tudo o que puder, e mesmo, e sobretudo, o que não puder; porque só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem. Quando você saltar e saltar bem, eu direi sempre: agora mais alto! Que me importa que você caia. O que é preciso é que você se levante. Os fracos vieram só para cair, mas os fortes vieram para esse tremendo exercício: cair e levantar-se; sorrindo. Já sei que muitas vezes se há-de revoltar contra mim e desejar que eu fosse menos duro e lhe desse uns momentos de repouso; mas do repouso faria você férias e das férias uma vida de gato. Eis o que nunca lhe consentirei. O que é bonito e bom é a vida de cão. O que você vai tirar, se for grande, de roer ossos, e levar pontapés e beber água das valetas!
Pode ser que, porém, você se revele cão de luxo; são bichos bastante antipáticos para mim, mas não é por isso que lhes farei mal; pelo contrário. Só maltrato os amigos. Para cãezinhos de pêlo encaracolado e patinhas que mal aguentam o corpo tenho um fornecimento de almofadas, pires de leite, bolacha macia, perfumes, pentes finos, e nojo. Um fornecimento inesgotável e que você utilizará quando quiser. Posso juntar-lhe também um pouco de piedade, porque no fundo os cães nem têm mérito nem têm culpa. E ainda uma certa pena por ter dado conselhos de força e de altura a quem era fraco e baixo; mas não me parece ter perdido tempo: se os conselhos não servirem a você, a mim serviram; que bem preciso deles, e ninguém mos dá.
Agostinho da Silva, in 'Sete Cartas a um Jovem Filósofo'
domingo, 1 de janeiro de 2017
“A nossa mente olha o Eterno e o faz
Tempo”; “A nossa mente olha o Vazio e o faz Espaço”
Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p.161
Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p.161
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“Primeiro há um pensamento
/ que pensa sem pensador / e logo pensa quem pensa / que pensa tudo ao redor”
Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, p.102
Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, p.102
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«Escrevendo “ao que a mim me criou porque eu o crio”, a visão
agostiniana, transgredindo a comum ideia da unilateral e extrínseca relação entre um Deus
criador e as criaturas, abre duas possibilidades de interpretação, não de todo exclusivas: ou o
Deus criador é uma mera representação do Deus absoluto, do Deus-“nada que é tudo” (...)»
Paulo Borges, Do “nada que é tudo”. A poesia pensante e mística de Agostinho da Silva
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domingo, 25 de dezembro de 2016
«para tão curto amor tão longa vida.»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 73
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(...)
«certo de que o pensamento
é nada sem coração.»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 94
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
« e sou de tudo o meu e só juiz»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 73
«vivo a vida que aos outros pouco diz»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 73
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«amor de mim me solta de sofrer
e já nem a mim amo inteiro dou
o que não sendo sou aos outros todos»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 72
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(...)
«sem morte que nos destrua
sem vida que nos ofenda.»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 62
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«ao nada que dá ser ao que é querer»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 59
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«quem sabe se outra vida tu vais ter
ou se tudo se perde sem voltar»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro. 1ª edição, 1989., p. 59
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«a vida que se ganha em se morrer.»
Agostinho da Silva. Uns poemas de Agostinho. Ulmeiro.1ª edição, 1989., p. 52
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