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domingo, 5 de julho de 2026
''A racionalidade pura é perigosa. A estatística é um bom exemplo. Temos que perceber o que é que aqueles números significam em termos humanos.''
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Gonçalo M. Tavares
Arca de Noé mental
''O que é que vou ler neste dilúvio? Neste dilúvio de grandes obras, como vou construir a minha Arca de Noé mental? O que vou salvar na minha cabeça?''
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
mito de Sísifo
[condenado para sempre a carregar um pedregulho até ao cume de uma montanha, pedregulho esse que depois acaba por rolar pela encosta abaixo, obrigando a um novo esforço…]
adaptado ao contemporâneo
adaptado ao contemporâneo
''Essa ideia de que é tudo igual, de que Tarkovski é igual a uma coisa qualquer, ou de que um grande livro é igual a outra coisa qualquer, é completamente falaciosa. Parte da minha vida é a ler e a descobrir autores, e estou sempre a descobrir autores incríveis.''
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Gonçalo M. Tavares
''Sinto que em vários países as pessoas estão a ser trituradas, e em parte porque começam, desde o início, a receber textos cada vez mais simples. E pronto, estão com 30 anos a ler textos para quatro anos, cinco anos.''
Gonçalo M. Tavares
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Gonçalo M. Tavares
''sou contra a ideia da escrita como distração, da escrita para pessoas cansadas.''
Gonçalo M. Tavares
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Gonçalo M. Tavares
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Palavras, actos
A ironia ensina a sabotar uma frase
como se faz a um motor de automóvel:
Se retirares uma peça a máquina não anda, se mexeres
no verbo ou numa letra do substantivo
a frase trágica torna-se divertida,
e a divertida, trágica.
no verbo ou numa letra do substantivo
a frase trágica torna-se divertida,
e a divertida, trágica.
Este quase instinto de rasteirar as frases protegeu-me,
desde novo, daquilo que ainda hoje receio: transformar
a linguagem num Deus que salve, e cada frase num anjo
portador da verdade. Tirar seriedade ao acto da escrita
aprendi-o na infância, tirar seriedade aos actos da vida
comecei a aprender apenas depois de sair dela, e espero
envelhecer aperfeiçoando esta desilusão.
Gonçalo M. Tavares
segunda-feira, 1 de junho de 2026
«Se a escola se satisfaz com a leitura, por parte dos alunos, de um livro de ficção por ano, não podemos depois queixar-nos dos portugueses - com vinte, trinta, quarenta, sessenta anos - lerem pouco. E por isso a discussão deve ser: como conseguimos pôr mais 9-10 autores a serem lidos por ano nas escolas? Como conseguimos pôr os portugueses - quando já na universidade, no mercado de trabalho ou na reforma - a lerem, no mínimo, 11 livros por ano? O que temos de mudar para conseguir isto?»
Gonçalo M. Tavares, na revista SÁBADO
segunda-feira, 16 de setembro de 2024
''Não há mortos que morram tanto como os nossos''
Gonçalo M. Tavares
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Gonçalo M. Tavares
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
O livro, de Gonçalo M.Tavares
De manhã, quando passei à frente da loja
o cão ladrou
e só não me atacou com raiva porque a corrente de ferro
o impediu.
Ao fim da tarde,
depois de ler em voz baixa poemas numa cadeira preguiçosa do
jardim
regressei pelo mesmo caminho
e o cão não me ladrou porque estava morto,
e as moscas e o ar já haviam percebido
a diferença entre um cadáver e o sono.
Ensinam-me a piedade e a compaixão
mas que posso fazer se tenho um corpo?
A minha primeira imagem foi pensar em
pontapeá-lo, a ele e às moscas, e gritar:
Venci-te.
Continuei o caminho,
o livro de poesia debaixo do braço.
Só mais tarde pensei ao entrar em casa:
não deve ser bom ter ainda a corrente
de ferro em redor do pescoço
depois de morto.
E ao sentir a minha memória lembrar-se do coração,
esbocei um sorriso, satisfeito.
Esta alegria foi momentânea,
olhei à volta:
tinha perdido o livro de poesia.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
O NÚMERO 76
«Uma vaca, com o número 76 na orelha, está morta, o corpo caído sobre a neve. O excessivo frio súbito, matou vários animais - dezenas, centenas, milhares de animais. Mas nenhum animal era igual àquela vaca com o número 76 desenhado numa placa amarela agarrada à orelha. Esse número, sabe-se lá porquê, assusta.»
Gonçalo M. Tavares. Short Movies. 2.ª Edição. Editorial Caminho, 2011., p. 75
«como um cão à espera no lado de fora da porta de uma casa»
Gonçalo M. Tavares. Short Movies. 2.ª Edição. Editorial Caminho, 2011., p. 56
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