Ao sol do meio-dia
ela fica suspensa,
a fala de minha mãe
sossega as borboletas:
‘- flor bonita é no pé’.
Vi o quintal vibrando,
reagi brutamente
porque era inarticulável.
Quiseram me bater
por causa da minha cara
de quem tinha brincado com menino.
Só achei pra dizer:
- Deus mora, mãe,
nunca morreu ninguém.
Adélia Prado, in Oráculos de Maio [1999]

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