quarta-feira, 22 de julho de 2015



“12. Conservando todas as tarefas de coordenação que provavelmente sempre serão necessárias, ter-se-á como objectivo da comunidade o enfraquecimento progressivo do Estado, com o máximo de resoluções a nível dos agrupamentos regionais, constituídos por sua vez pela reunião dos menores núcleos populacionais de comum ecologia humana.

13. Terá cada indivíduo como direito e dever decidir por suas próprias convicções, o mais independente que lhe seja possível de grupos, partidos ou órgãos de governo.


14. Deveria ter cada partido como sua obrigação precípua o amplo esclarecimento das ideias que defenda e a sua comparação com as ideias de outros partidos, tendendo, pelo pôr em relevo do que une e não do que separa, à eliminação da hostilidade e ao se próprio desaparecimento como linha de clivagem e como incitador de concorrência”



Agostinho Silva, Proposição (texto escrito a seguir ao 25 de Abril de 1974, com uma proposta de organização política para Portugal), in Dispersos, apresentação e organização de Paulo Borges, Lisboa, ICALP, 1989, 2ª edição, p.603
«Uma velha gorda, bigoduda, passou, descalça, esfarrapada, carregando um molho de lenha; uma larga fita escarlate segurava-lhe as madeixas grisalhas. Dois garotos perseguiam-na, apedrejavam-na, a gritar:
-Quem quer dormir comigo esta noite? Quem quer dormir comigo esta noite?...
   A pobre velha, curvada sob o feixe, tinha os olhos fitos no chão e não respondia.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 95


«Mas o seu coração não experimentava orgulho nem consolação. O seu coração tornara-se um pedaço de carne cheio de sangue e não de reconforto divino, um pedaço de carne que sofria e gritava.
  - Senhor - murmurou -, perdoa ao meu coração que grita. Ele não sabe o que quer, o impertinente. Mas como pode sabê-lo, se o infeliz caminha no meio do caos, de cabeça perdida?»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 94

''tanchões de camomila''

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 93
«Não pregara o olho durante a noite. Tinha o coração sombrio e perturbado;»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 93

Quarta-Feira Santa

« - Deixa o coração em paz. O coração é uma senhora vizinha, não o mistures nestes assuntos complicados. Ele vai sempre contra o espírito e, para o seguir, é preciso ter as pernas sólidas, o que não é o meu caso.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 88

Livros?

« - Livros? Também tu, na solidão, arrastavas contigo todos os demónios do mundo?»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 79
«- Pouco a pouco a sua loucura foi aumentando. Começou a passear nu no meio das laranjeiras, a rebolar-se pelo chão, a gritar.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 75
«A alma é sem dúvida uma centelha do fogo de Deus, que arde escondida sob a carne e pode inflamá-la como a um molho de feno.»


Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 72
« - Quem te feriu? - perguntou docemente, como se procurasse saber um grande segredo.
-Farias melhor se me perguntasses quem me não feriu...Decerto um comunista, porque sou cristão; decerto um cristão, porque sou comunista; não consegui distinguir.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 70/1

MORTE, NÃO TE TEMO

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 70
«O homem é demasiado miserável para poder suportar a justiça;»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 69

INTERVIEW WITH … ANDO FUCHS

''What is photography to you ? And what should not be instead ?

Photography let me see the world with different eyes. The most important hings for mee in my pictures are expression, atmosphere, content.. and less the technical quality. I target on making the audience “feel” the picture. If I am able to reych this, it’s a personal success and satisfaction for my work.''

« O homem que se deixa bater por sarcasmos e indirectas ficará em estado lastimável.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 146
«As nossas mãos estão em guerra com os nossos corações.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 146

''ser enterrado nos teus olhos''

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 139
«BENEDITO  Tu e eu somos demasiadamente sábios para nos cortejarmos em paz.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 138

terça-feira, 21 de julho de 2015



MORTE BELA

"Que me vais magoar, morte?
Não me faz doer a vida?
Porque hei-de ser mais ousado
para o viver exterior
que para o fundo morrer?
A terra, que é mais que o ar?
Porque nos há-de asfixiar,
porque nos há-de cegar,
Porque nos há-de esmagar,
Porque nos há-de calar?
Porque morrer há-de ser,
o que chamamos morrer,
e viver só o viver,
o que calamos viver?
Porque o morrer verdadeiro
(o que calamos morrer)
não há-de ser doce e suave
como o viver verdadeiro
(o que chamamos viver?)"

 Juan Ramón Jimenez. Antologia Poética.

'Sofrer de amor'

«BENEDITO  'Sofrer de amor' - uma bela expressão! Sofro de amor, na verdade, porque te amo, contra a minha vontade.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 137
«BENEDITO   Assustaste as palavras e fizeste-as sair do seu sentido próprio, tão violento é o teu espírito.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 137
«Contudo, pelo seu modo de falar, creio que se ela não o odiasse até à morte, amá-lo-ia até à loucura.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 128

Belle de Jour (1967)


«Quando a luta é desigual, não pode mostrar-se o valor.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 126
«ANTÓNIO   Não carregueis sobre vós todo o peso da dor;
                             Fazei sofrer os que vos ofenderam.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 122
«Os homens podem aconselhar e confortar a dor
Que não sentem; vivê-la, transforma
Em paixão o conselho que antes
Dava remédios contra a raiva
Acorrentava a loucura com fios de seda,
Acalmava a dor com sons e a agonia com palavras.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 121

«Remendar as mágoas com provérbios»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 121

"Decades"

Here are the young men, the weight on their shoulders,
Here are the young men, well where have they been?
We knocked on the doors of Hell's darker chamber,
Pushed to the limit, we dragged ourselves in,
Watched from the wings as the scenes were replaying,
We saw ourselves now as we never had seen.
Portrayal of the trauma and degeneration,
The sorrows we suffered and never were free.

Where have they been?
Where have they been?
Where have they been?
Where have they been?

Weary inside, now our heart's lost forever,
Can't replace the fear, or the thrill of the chase,
Each ritual showed up the door for our wanderings,
Open then shut, then slammed in our face.

Where have they been?
Where have they been?
Where have they been?
Where have they been?


Writer(s): Bernard Sumner, Peter Hook, Ian Kevin Curtis, Stephen Paul David Morris

domingo, 19 de julho de 2015





"Forget Her"


While this town is busy sleeping,
All the noise has died away.
I walk the streets to stop my weeping,
'Cause she'll never change her ways.

Don't fool yourself, she was heartache from the moment that you met her.
Ah, my heart feels so still as I try to find the will to forget her, somehow.
Ooh, I think I've forgotten her now.

Her love is a rose, pale and dying.
Dropping her petals in land unknown
All full of wine, the world before her, was sober with no place to go.

Don't fool yourself, she was heartache from the moment that you met her.
My heart is frozen still as I try to find the will to forget her, somehow.
She's somewhere out there now.

[Guitar Solo]

Well my tears falling down as I try to forget,
Her love was a joke from the day that we met.
All of the words, all of her men,
All of my pain when I think back to when.

Remember her hair as it shone in the sun,
The smell of the bed when I knew what she'd done.
Tell yourself over and over you won't ever need her again.

But don't fool yourself,
She was heartache from the moment that you met her.
Oh, my heart is frozen still as I try to find the will to forget her, somehow.
She's out there somewhere now.

Oh She was heartache from the day that I first met her.
My heart is frozen still as I try to find the will to forget you, somehow.
'Cause I know you're somewhere out there right now

«Cora de culpa e não de inocência.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 104
«Se um mau pensamento não torcer uma boa palavra, eu não ofenderei ninguém.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 96
«BENEDITO  Bem, todos sabem dominar os males, menos aquele que os padece.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 83

Gata em Telhado de Zinco Quente, (1958)


«(...) pois o que o coração sente a língua diz.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 82

«Alguns Cupidos matam como setas, outros com rede.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 81
«(...): ninguém sabe
O dano que uma má palavra pode causar ao amor.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 80

«Espantais-me, julgava o seu espírito resistente ao afecto.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 69

«BENEDITO   (Aparte) Se um cão se tivesse permitido ladrar assim, mandá-lo-iam enforcar. Só peço a Deus que essa má voz não seja presságio de uma desgraça. Preferia ter ouvido a coruja, qualquer que fosse a praga que me trouxesse.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 68
«(...) mas enquanto todas as graças não estiverem reunidas numa só mulher, nenhuma delas me cairá em graça.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 66
«(...) quando nos toca a felicidade não encontramos palavras para expressá-la.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 59
«BEATRIZ  O Conde não está nem triste, nem doente, nem alegre, nem de saúde; considerai-o polido, polido como uma laranja de cuja cor ciumenta ele participa.»


William Shakespeare.
 Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 59

« - Vou denunciar o mundo a Deus!»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 62

Jacques Tati share a laugh with Marlon Brando on the set of “One Eyed Jack”, 1961


«Veio-lhe uma lembrança que lhe feriu o coração.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 60

«Não chorava, tanto se habituara aos mortos;»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 56
«Às vezes, sem razão, desfazia-se em pranto e rebolava-se pelo chão com gritos histéricos.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 52

''frenesi de carnificina recíproca''

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 47

«Receai, portanto, ferir o coração do homem, porque ele é a morada de Deus.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 45
«Em vão a dor de Deus lhes batia às portas do coração; as portas do coração não se abriam e Cristo ficava de fora, privado de abrigo.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 44
«Já as machadadas ressoavam na árvore em que começavam a talhar a cruz. E o padre ouvia-as como e ele próprio fosse a árvore, e sofria.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 44
«O homem tem na alma uma força imensa», pensava padre Yannaros, « uma força que pode transformar um pedaço de pano numa bandeira.»


Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 42

sábado, 18 de julho de 2015



DESCRIAÇÃO

"Um homem escreveu um livro sobre as mesas
que mais sabe ele
a meu respeito?
Tu estiveste no centro do poema
Mas já não és o centro do poema
Uma espiral marcada por flechas
Depois dos quartos a céu aberto
a tua voz diz entre as pedras
um espaço está vazio"


 Emmanuel Hocquard. "Teoria das Mesas"/ "Elegia 7"

sexta-feira, 17 de julho de 2015




Vicious
You hit me with a flower
You do it every hour
Oh, baby, you're so vicious

Vicious
You want me to hit you with a stick
But all I've got is a guitar pick
Huh, baby, you're so vicious

When I watch you come
Baby, I just want to run far away
You're not the kind of person around I
Want to stay

When I see you walking down the street
I step on your hands and I mangle your feet
You're not the kind of person that I want to meet

Oh, baby, you're so vicious
You're just so vicious

Vicious
Hey, you hit me with a flower
You do it every hour
Oh, baby you're so vicious

Vicious
Hey, why don't you swallow razor blades
You must think that I'm some kind of gay blade
But baby, you're so vicious

When I see you coming
I just have to run
You're not good and you certainly aren't
Very much fun

When I see you walking down the street
I step on your hand and I mangle your feet
You're not the kind of person that I'd even want to meet

'Cause you're so vicious
Baby, you're so vicious
Vicious, vicious
Vicious, vicious
Vicious, vicious
Vicious, vicious


Songwriters: LEWIS ALLEN REED, LOU REED

«Judas, até quando trairás tu Cristo?»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 38
«É um homem terrível, que não dá uma fala a ninguém. Diga-se o que disser, faça-se o que se fizer, nunca se tem por satisfeito.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 36
«Ora Deus despejou sobre a Grécia as sete taças da sua cólera; a guerra fraticida rebentou. Padre Yannaros, entre os dois campos, não pôde decidir-se a tomar partido. Todos eram seus filhos, seus irmãos; distinguia em cada rosto a marca deixada pelos dedos de Deus.
Gritava-lhes:
-Amor! Amor! Concórdia!
Mas a sua voz perdia-se no abismo; e do abismo, à direita como à esquerda, subiam para ele injúrias e maldições:
-Búlgaro, traidor, bolchevista!
-Corvo, subornador do povo, fascista!»



Nikos Kazantzaki.
 Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 30

«Lia-lhes nos rostos a dor e o medo dos homens. E a sua alma agarrou-se aos rochedos abruptos e neles se enraizou.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 30

«O Sol brilhava como no primeiro dia da criação, ao sair das mãos de Deus;»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 29
« O verdadeiro Cristo, digo-o e repito-o, está entre os homens, é entre os homens que ele caminha, que agoniza, que é crucificado, é entre os homens que ele ressuscita.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 29

«Cristo anda de porta em porta, esfomeado, transido, e nenhuma porta, nenhum coração se abre para o acolher.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 28
« - Que mal te fez o mundo, Padre Yannaros? - disse o velho esvaziando o copo. - Porque o queres incendiar? O mundo é bom, é obra de Deus.
   - Obra do Diabo! Era obra de Deus, mas já não é. Escusais de arregalar os olhos, meus Reverendos!»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 27
"No primitvo erotismo talvez haja um aspecto paradisíaco,
com traços ingénuos que encontramos nas cavernas. Mas não é um muito claro aspecto. É certo que à sua ingenuidade infantil já se contrapõe uma certa falta de elegância.
Trágica... não tenhamos a menor dúvida.
Ao mesmo tempo, e à primeira vista, cómica.
É que o erotismo e a morte estão ligados.
Já vimos o erotismo ligado à morte no mais fundo da caverna de Lascaux.
Há ali uma revelação estranha, uma revelação fundamental.
E, com uma forma que não pode realmente surpreender-nos, o silêncio - o incompreensivo silêncio - que começou, só ele por acolher tão denso mistério."

Georges Bataille
As Lágrimas de Eros.

quinta-feira, 16 de julho de 2015


«Porque razão renunciaste à bem-aventurada solidão e te reintegraste no mundo?»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 26
«Ele mordia os lábios em silêncio e, após um longo momento, com a voz vibrante de irritação, murmurava:
-Senhor, tapa-me a boca...»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 26
«Compreendeu de repente que a felicidade é uma armadilha de Satanás e começou a tremer; pôs-se a ansiar por sofrer, por jejuar, por seguir a senda estreita, por escalavrar os joelhos, por conhecer Deus. O Athos é isso.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 25

''corações isentos de inquietação''

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 25


«BENEDITO   Oh, ela é que me maltratou para além de todos os limites; um carvalho a que  unicamente restasse uma só folha verde ter-lhe-ia respondido: até a minha máscara já começa a ter vida e a enfurecer-se contra ela. Não pensando que era eu a pessoa com quem falava, disse-me que eu era o bobo do príncipe, que era mais aborrecido que um dia de degelo. Ela juntava gracejo com tanta facilidade, que eu parecia um boneco que serve de alvo, tendo todo um exército a atirar contra mim. A sua fala é um punhal e cada uma das suas palavras é uma facada: se tivesse o hálito tão terrível como o final das suas frases, não haveria ser vivo perto dela, infectaria até a estrela polar. Não quereria casar com ela ainda que me trouxesse em dote quando Adão possuía antes do seu pecado. Ao próprio Hércules faria ela dar voltas ao espeto e quebrar-lhe-ia a maça para alimentar a fogueira. Não me faleis nela, vereis como é a infernal Atéa vestida a rigor. Quisera Deus que algum letrado a conjurasse pois enquanto ela andar por aqui, tão tranquilo pode um homem viver no inferno como num santuário e as pessoas pecarão  de propósito para ir para lá; tanta a inquietação, a perturbação como o horror a acompanham.»



William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 57

Elizabeth Taylor photographed by Firooz Zahedi, 1976.


«A amizade é constante em tudo
Menos nos assuntos do amor:
Cada coração fala a sua própria língua;
Que cada olhar se entenda por si
E não confie;  (...)»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 54
«D. PEDRO    Falai baixo, se falais de amor.»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 50
«Não será uma desgraça para uma mulher ver-se sempre dominada por um pedaço de pó endurecido e ter de prestar contas dos seus actos a um insolente punhado de barro?»

William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 49
'A uma vaca má, Deus dá cornos pequenos, mas a uma muito má, não dá nenhuns.'


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 48

É de feitio muito melancólico

«BEATRIZ   Que áspero parece esse homem! Nunca o vejo que não tenha azia uma hora depois.

HERO             É de feitio muito melancólico.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 47

Se eu tivesse a boca livre, morderia

«Se eu tivesse a boca livre, morderia; se tivesse a minha liberdade, procederia como quisesse; mas, como isso não acontece, deixem-me ser como sou e não pretendam transformar-me.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 44
«BENEDITO   Não zombeis de mim, não zombeis de mim. O vosso discurso está, aqui e além, apenas ornado de fragmentos, mal ligados entre si. Antes de vos rirdes das antigas fórmulas, examinai a vossa consciência; e com esta vos deixo.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 40

«(...) tudo o que posso dizer em seu favor é que, se ela fosse diferente do que é, não seria bela, e que sendo como é, não me agrada.»


William Shakespeare. Muito Barulho Por Nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires, Campo das Letras, Porto, 1ª edição 2003., p. 36

terça-feira, 14 de julho de 2015

BEBER O SEGREDO

"subirás a montanha
essa montanha de onde não vem socorro
colherás a erva pungente
e prepararás a poção
que deve ser bebida
quando estás agachado
olhando a montanha pungente
essa montanha de onde não vem socorro"


Breyten Breytenbach. "Enquanto Houver Água na Água e Outros Poemas"

segunda-feira, 13 de julho de 2015

«LEONATO   A vitória é dupla quando o vencedor regressa com as suas tropas intactas.»

William Shakespeare. Muito barulho por nada. Introdução, tradução e notas por Maria João Pires. Campo das Letras, 2003, p., 29

Much Ado About Nothing

Photographer- Benjamin Hélion – Pegeen Guggenheim – Coloured by Loredana Crupi


ESGOTO

I

«Crianças pálidas brincam no esterco da rua
como se o esterco fosse a perpetuação do Sol
qual Sol que supurasse das paredes altas
em vão rodeadas pela mão da morte.»


Jorge de Sena por Eugénio Lisboa. Colecção Poetas. Editorial Presença, Lisboa., p. 72
«E a Vida, prostituta ingénua,
terá, por momentos, olhos maternais.»

Jorge de Sena por Eugénio Lisboa. Colecção Poetas. Editorial Presença, Lisboa., p. 71

''sangue sobre a neve,»

Jorge de Sena por Eugénio Lisboa. Colecção Poetas. Editorial Presença, Lisboa., p. 67

«Soube-me sempre a destino a minha vida.»

Jorge de Sena por Eugénio Lisboa. Colecção Poetas. Editorial Presença, Lisboa., p. 65


Apartment in New York, London and Paris
Where will we rest, we're all living on top of it
It's all that we have the USA is our daily bread
And no one is willing to share it

Why can't we see our fortunancy
Living as legends have lived.
Bane and dismannered
We coax all the time
Knowing that nothing is left when we die

Come along fool
A direct hit of the senses you are disconnected
It's not that it's bad… it's not that it's death
It's just on the tip of your tongue, and you're so silent

Wanting to live and laugh all the time
Sitting alone with you tea and your crime
Children with kids, and people with parents
Anywhich way there's no past and no presence
When the day comes and all of them bums
Will reveal enchanting persons
Come along...

When it's a rut and baby's no luck
Half of it's misunderstanding love
The war we have won we're winning again
Within ourselves and within our friends
Come along...
   «Enfim, direi aquilo que me ensinam a ira, a mágoa, e delas a lembrança, que é outra dor por si, mais dura e firme.»

CAMÕES

''Monstro de dor''

Poesias de Afonso DuarteTextos Literários. Apresentação crítica, selecção e sugestões para análise literária de Maria Madalena Gonçalves. Editorial Comunicação, Lisboa, 1984., p. 153

''macerações de Cristo''

Poesias de Afonso DuarteTextos Literários. Apresentação crítica, selecção e sugestões para análise literária de Maria Madalena Gonçalves. Editorial Comunicação, Lisboa, 1984., p. 151

Japanese writer Yasunari Kawabata walk with his wife Hideko and his dog, Asakusa, Tokyo - 1928-29.


«As horas vão morrendo com saudade.»

Poesias de Afonso DuarteTextos Literários. Apresentação crítica, selecção e sugestões para análise literária de Maria Madalena Gonçalves. Editorial Comunicação, Lisboa, 1984., p. 150

domingo, 12 de julho de 2015

«As lágrimas são o verso que dentro em nós não cabe.»

Poesias de Afonso DuarteTextos Literários. Apresentação crítica, selecção e sugestões para análise literária de Maria Madalena Gonçalves. Editorial Comunicação, Lisboa, 1984., p. 149

«Não chores, cavador: a tua vida é estável:
Tem frutos e tens Sol (a peste é na cidade)!»


Poesias de Afonso Duarte. Textos Literários. Apresentação crítica, selecção e sugestões para análise literária de Maria Madalena Gonçalves. Editorial Comunicação, Lisboa, 1984., p. 149

''Sol-nosso''

frágua


nome feminino
1. forno onde se torna o metal incandescente para ser trabalhado; fornalha de ferreiro
2. figurado calor intenso; ardor
3. figurado adversidade; pena; amargura

DA DESPEDIDA

"Eu vi a eternidade nos teus dedos.
Eu vi a eternidade, e amedrontou-me
saber, tão de repente, tais segredos.
- Eu não mereci, sequer, saber-te o nome."



David Mourão-FerreiraA Arte de Amar: antologia 1948-1962. Guimarães Editores, 1967
«(Fígados de Tigre enterra-lhe o punhal no coração, rebenta um repuxo de sangue da ferida, que bate nos olhos de Fígados de Tigre e cega-o.)»

Francisco Gomes de AmorimFígados de Tigre. Prefácio de Luiz Francisco Rebello. Biblioteca de Autores Portugueses, 1984 p. 159
«FÍGADOS DE TIGRE
Que me importa a justiça? Não pode fazer nada pior que mandar-me para o inferno e eu já cá estou.»


Francisco Gomes de AmorimFígados de Tigre. Prefácio de Luiz Francisco Rebello. Biblioteca de Autores Portugueses, 1984 p. 157
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