segunda-feira, 14 de setembro de 2015



«Este Deus é o filho do Medo e não o pai do Medo». E perderam todo o receio. Escreveram em enormes letras amarelas nas quatro portas fortificadas de cada cidade: AQUI NÃO HÁ DEUS. Deus, que quer dizer esta palavra? Não há freios para os nossos instintos, não há recompensa para o bem nem castigo para o mal, não há virtude, nem pudor, nem justiça - somos todos lobos e lobas com cio.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 238
«Tive medo. Como era possível que um tal rebelde tivesse saído de dentro de mim? Onde estava escondida, no fundo de mim, atrás de Deus, essa alma selvagem e insubmissa?»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 240


«- Não te ajoelhes, não estendas as mãos para me abraçar os joelhos. Eu não tenho joelhos! Não comeces os teus lamentos para me tentares comover! Eu não tenho coração! Sou um bloco de granito negro, não há mão nenhuma que possa imprimir-se em mim. Tomei a minha decisão: Vou incendiar Sodoma e Gomorra!»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 239/240

«Sodoma e Gomorra estendiam-se à beira do rio como duas prostitutas e beijavam-se. »

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 238
«Peguei na caneta e pus-me a escrever para me acalmar, para criar.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 228

«Nunca lhe ouvi sair da boca uma palavra alegre.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 225

«O meu coração jamais se abriu para que Deus entrasse;»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 215

O Ofício


Escrevo para sentir nas veias
o voo da pedra.

Antecipação da paz
neste país de granadas
moldadas
no silêncio dos frutos.

Escrevo como quem escava
no bojo da sombra
um mar de claridade.

Pedras vivas de possibilidade
as palavras levantam
o crime, os pássaros do pântano

Escrevo
no grande espaço obscuro
que somos e nos inunda.

Casimiro de Brito, in "Jardins de Guerra" 

domingo, 13 de setembro de 2015


«Fez em seguida e por três vezes o sinal da cruz e cuspiu para o ar:
  - Para trás, Satanás! - repetiu. A sua voz era agora firme.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 213

«Não tínhamos dito ainda uma palavra, mas sentíamos o coração angustiado.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 203

« - Que é que vocês vêm cá fazer, seus palermas? - perguntou.
-Vimos rezar, meu velho.
-Rezar, porquê? E a quem? Estão doentes?»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 203

"Uma rapariga loura está inclinada sobre um poema. Com o bisturi de um lápis afiado transfere as palavras para uma folha branca e converte-a em acentos, cadências, cesuras. O lamento de um poeta caído assemelha-se agora a uma salamandra devorada por formigas.

Quando o levámos sob o fogo das metralhadoras eu pensei que o seu corpo ainda quente ressuscitaria nas palavras. Agora que vejo a morte das palavras, sei que não há limites para o declínio. Tudo o que deixaremos atrás de nós sobre a terra escura serão sílabas dispersas.
Acentos sobre o pó e o nada."

-"Uisses Já Não Mora Aqui"
- José Miguel Silva 

«Puxou uma longa fumaça do cigarro e o fumo saiu-lhe pelas narinas.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 199

«Pecado confessado é pecado perdoado.»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 199
«Percorríamos o monte Athos e à medida que respirávamos o nosso coração enchia-se de fogo e dilatava-se, pleno de alegria.»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 195

«Sentia-me diluído na felicidade.»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 192

riscas de Fraunhöfer

''estado de cepticismo crónico''

''o jardim é um estremecimento''

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 265
O DEUS NU(LO)

1988

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 255

sábado, 12 de setembro de 2015

« O poema é um arbusto que não cessa de tremer.»

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 231

Cara Delevingne, channeling Edie Sedgwick photographed by Patrick Demarchelier, for Vogue China | June 2013.


A mão

                    prolonga

                                              o pulso

quando

                                   a água ondula


António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 182
O ar                              passa

a t r a v  é  s     d a s    p a l  a v  r  a  s

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 181

«afundo-me como um osso no silêncio dos ossos»

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 152

despautério


«Não te construo, constróis-me, construo-te,»

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 84
«uma respiração feliz ombro a ombro
um caminhar sem solidão na noite.»

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 78

«São restos de tabaco e de ternura rápida.»

António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 43

«A fadiga substitui-lhe o coração
as cores da inércia giram-lhe nos olhos.»


António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 37
(...)

«O tempo das palavras
numa circulação sombria como um poço
de ecos incontrolados
de timbres inesperados
como moedas de sangue cunhadas numa noite
demasiado curta e com luar de mais »



António Ramos Rosa. Antologia poética. Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001., 33

adivinhava o cérebro por detrás do belo rosto

«Eu era áspero, avaro de palavras, na minha dura carapaça popular; cheio de interrogações, angústias metafísicas, o brilho da fachada nunca me enganava, eu adivinhava o cérebro por detrás do belo rosto;»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 179

«Possuía asas, não tinha um espírito sólido; via longe e confuso.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 179
«Os homens sentiam que eu não tinha necessidade deles, que podia viver sem as suas conversas e nunca me puderam perdoar. Existem muito poucos homens com quem eu poderia viver bastante tempo sem me sentir mal.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 178

''perigoso ninho de vespas literário''


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 177

« - Vou cantar-te uma canção bem-educada:

Mijar, comer, beber e cagar, eis a vida do homem!»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 177

"Rehab"




They tried to make me go to rehab but I said, 'No, no, no.'
Yes, I've been black but when I come back you'll know, know, know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go, go, go

I'd rather be at home with ray
I ain't got seventy days
'Cause there's nothing
There's nothing you can teach me
That I can't learn from Mr Hathaway

I didn't get a lot in class
But I know it don't come in a shot glass

They tried to make me go to rehab but I said, 'No, no, no.'
Yes, I've been black but when I come back you'll know, know, know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go, go, go

The man said, 'Why do you think you're here?'
I said, 'I got no idea
I'm gonna, I'm gonna lose my baby
So I always keep a bottle near.'
He said, "I just think you're depressed."
This me "Yeah, baby, and the rest."

They tried to make me go to rehab but I said, 'No, no, no.'
Yes, I've been black but when I come back you'll know, know, know

I don't ever wanna drink again
I just, ooh, I just need a friend
I'm not gonna spend ten weeks
Have everyone think I'm on the mend

It's not just my pride
It's just 'til these tears have dried

They tried to make me go to rehab but I said, 'No, no, no.'
Yes, I've been black but when I come back you'll know, know, know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but I won't go, go, go

"You Know I'm No Good"



Meet you downstairs in the bar and hurt,
Your rolled up sleeves in your skull t-shirt,
You say "what did you do with him today?",
And sniffed me out like I was Tanqueray,
'Cause you're my fella, my guy,
Hand me your stella and fly,
By the time I'm out the door,
You tear men down like Roger Moore,

I cheated myself,
Like I knew I would,
I told you I was trouble,
You know that I'm no good,

Upstairs in bed, with my ex boy,
He's in a place, but I can't get joy,
Thinking on you in the final throes,
This is when my buzzer goes,
Run out to meet you, chips and pitta,
You say 'when we married",
'cause you're not bitter,
"There'll be none of him no more,"
I cried for you on the kitchen floor,

I cheated myself,
Like I knew I would,
I told you I was trouble,
You know that I'm no good,

Sweet reunion, Jamaica and Spain,
We're like how we were again,
I'm in the tub, you on the seat,
Lick your lips as I soak my feet,
Then you notice little carpet burn,
My stomach drops and my guts churn,
You shrug and it's the worst,
Who truly stuck the knife in first

I cheated myself,
Like I knew I would
I told you I was trouble,
You know that I'm no good,

I cheated myself,
Like I knew I would
I told you I was trouble,
Yeah, you know that I'm no good.

Writer(s): Amy Winehouse

confusas transformações espirituais



«Revoltas intelectuais, confusas transformações espirituais fervilhavam em mim; não sabia o que ia fazer, desejava primeiro encontrar uma resposta, a minha resposta às perguntas eternas, e somente depois decidir o meu futuro. Se não começo, dizia a mim próprio, por achar o objectivo da vida na terra, como poderei lançar-me na acção?»



Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 176

«Senti, uma vez mais, como a felicidade na terra é feita à medida do homem; não é uma ave rara que perseguimos ora no céu, ora no nosso espírito. A felicidade é um pássaro domesticado que vive no nosso quintal.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 169

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

XVI

Ser indiferente é como estar-se morto,
vivendo até talvez alegremente.

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 110
(...)

«Nevoenta, a tarde
é o meu abrigo.»

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 100
(...)

«Mas logo voam em mim aves,
como o vento.»

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 98

''folhas outoniças''

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 97

(...)

«Ao fala, é segura a minha fala.
Na acção, sou preciso e resoluto.»

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 87

ARGILA

Ao afirmar-me aqui, tudo me prende.
Aqui, está-me o futuro já moldando.


Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 72

«Dá-te sempre a quem quer que se te dê,»


Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 63

''arvoredo amedrontado''


Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 47

«Dos olhos a arder me rompem pombas.»


Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 45

XXXI

Ninguém está só, onde haja amor.
Onde haja amor, só há verdade.

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 39

VI

Tudo pode ser tudo.
Tudo pode ser nada.
Depende das fomes
que cada um tem.

Armindo Rodrigues. Sequência da Alvorada. Livros Horizonte, Lisboa, 1985., 14

Mas talvez a tua pessoa se tenha
transformado numa espécie de ar de
neve, que entra pela janela que torna-
mos a fechar, tomados de arrepios
ou de um mal estar prenúncio de drama,
como me aconteceu há semanas atrás. O frio
concentrou-se-me de súbito nos ombros
cobri-me precipitadamente e afastei-me
quando eras tu talvez e o mais quente
que podias mostrar-te, à espera de
ser bem acolhida; tu, tão lúcida, já
não conseguias exprimir-te de outra
maneira.


Henri Michaux
Nós dois ainda
Bonecos Rebeldes, 2009
Tradução de Rui Caeiro

Jogo-medeia

Da teia desce uma cama que é disposta ao alto. Duas  figuras de mulher com máscaras mortuárias trazem uma rapariga para o palco e colocam-na de costas para a cama. Vestem a noiva. Atam-na à cama com o cinto do vestido de noiva. Duas figuras de homem com máscaras mortuárias trazem o noivo e colocam-no de frente para a noiva. Ele faz o pino, anda com as mãos no chão, faz a roda à frente dela, etc.; ela ri sem se ouvir. Ele rasga o vestido de noiva e toma posição encostado a ela. Projecção: sexo. Com os farrapos do vestido de noiva as máscaras mortuárias masculinas amarram as mãos, as máscaras mortuárias femininas os pés da noiva à cama. O reste serve de mordaça. Enquanto o homem, diante do público (feminino) faz o pino, anda com as mãos no chão, faz a roda, etc., a barriga da mulher incha até rebentar. Projecção: parto. As máscaras mortuárias femininas tiram da barriga da mulher uma criança, desamarram-lhe as mãos, põem-lhe o filho nos braços. Ao mesmo tempo, as máscaras mortuárias masculinas carregam de tal modo com armas o homem que ele já só consegue andar de gatas. Projecção: morte. A mulher arranca o rosto, desmembra a criança e lança os pedaços na direcção do homem. Da teia caem sobre o homem escombros membros entranhas.


Heiner Müller
O anjo do desespero
Relógio D´Água, 1997
Tradução de João Barrento

Causar boa impressão

Masturbei-me duas vezes

antes de sairmos juntos,
para que não parecesse demasiado esfomeado.


Hal Sirowitz
Tradução de José Luís Peixoto

quarta-feira, 9 de setembro de 2015


[...] nenhum deus
é tão grande que se não perca na substância
da sombra.

Herberto Helder,
do poema II de 'O Poema'
in «A Colher na Boca» (1961)




terça-feira, 8 de setembro de 2015

Rimbaud

As noites, as pontes de comboio, a má estrela,
os seus temíveis companheiros não as conheciam;
Mas nessa criança a mentira do retórico
Queimava como uma fornalha: o frio fizera um poeta.

As bebidas que o seu amigo tíbio e lírico
Lhe comprava, perturbavam-lhe os cinco sentidos,
Teimando com todo o nonsense corriqueiro;
Até se alhear dos pecados e da lira.

Os versos eram uma doença específica do ouvido:
a integridade era de menos; parecia
O inferno da infância: devia tentar de novo.

Agora, galopando pela África, ele sonhava
Um novo eu, um filho, um engenheiro,
Cuja verdade mentirosos aceitassem.



W. H. AudenO Massacre dos Inocentes: Uma AntologiaAssírio & Alvim, 1994
Tradução de José Alberto Oliveira

segunda-feira, 7 de setembro de 2015


« - Puxa a cortina para que eu veja o quadro.
    - A cortina é o quadro - respondeu-lhe o pintor. A cortina que eu via à minha frente, montanhas, árvores, mares, homens, era isso que o quadro que eu usufruía com uma alegria leal e ávida.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 167

''colchas bordadas''

«Helena tornou-se um grito de amor que atravessa os séculos, acorda em cada homem o desejo do beijo e da perpetuidade, e metamorfoseia em Helena a mais insignificante mulher que tivermos nos braços.»


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 153

loureiros-rosas


«O nome é uma prisão, Deus é livre.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 146
« - Aquele que não pode dançar, não pode rezar - disse ele. - Os anjos têm boca, mas não têm palavra; dançam para falarem com Deus.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 146

'' pequenos príncipes penteados com penas de pavão''

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 144

« O meu espírito abarrotava com perguntas, mas não falei.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 144
« - É muito difícil - murmurou - brincar com Deus sem nos ferirmos.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 143

''o espírito era útil como servo''


Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 142
«Quando o anel da boca luzidia,
Vermelha como a rosa cheia de água,»

João de DeusCampo de Flores. Poesias Líricas Completas. Lello & Irmão - Editores, Porto, 1981., 173

in Trespasse, Edições Guilhotina, Lisboa, 2014, Cláudia Lucas Chéu

«Não há existência alguma
Que não tenha amor; nenhuma;
Porque o amor é, em suma,
Essência de todo o ser:
Há sempre quem nos atraia.»


(...)

João de DeusCampo de Flores. Poesias Líricas Completas. Lello & Irmão - Editores, Porto, 1981., 164

«Um amor ideal é sempre fútil!»

João de DeusCampo de Flores. Poesias Líricas Completas. Lello & Irmão - Editores, Porto, 1981., 134

«Mal sabes o que sofro num momento
De dúvida ou ciúme; se soubesses,
Tão bem formado coração pareces
Que me não davas nunca este tormento.»

(...)


João de DeusCampo de Flores. Poesias Líricas Completas. Lello & Irmão - Editores, Porto, 1981., 129
«Hemos de ver-nos, e um no outro absortos
Fartar de glórias este amor tão triste.»


João de Deus. Campo de Flores. Poesias Líricas Completas. Lello & Irmão - Editores, Porto, 1981., 127

QUEM CONSEGUIR ESQUECER


Quem conseguir esquecer
Que veio cá para morrer
Pode guardar ambições
Pode rir pode viver
Se não pensar em morrer
Pode viver de ilusões

Quem conseguir esquecer
Que veio cá para morrer
É mais feliz do que eu
Faça o que eu fizer
Não posso deixar de ver
Morrer tudo o que nasceu


Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 91
«Se o desespero ensinasse
Eu já sabia viver»


Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 90

Elizabeth Taylor at the Lombardy Hotel, NYC, Thursday, February 24th, 1976


«O mundo fez em bocados
O meu pobre coração
Que eu trazia sem cuidados
Na palma da minha mão»

Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 90

«A rosa dum só amor»

Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 55

SE ME QUISERES VER DESCALÇA

Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 52
«Ai como dói
A solidão quase loucura»

Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 43

«Tinha uma cabeça louca»

Amália Rodrigues. Versos. Edições Cotovia, 1ª Edição, Lisboa, 1997., p. 22

domingo, 6 de setembro de 2015


«Um demónio sanguinário o obscuro despertou no seu peito.»

Nikos Kazantzaki. Os irmãos inimigos. Tradução de Celeste Costa. Editorial Estúdios Cor, Lisboa., p. 335
Powered By Blogger