quinta-feira, 21 de maio de 2015
Cidade-odor-suor!
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 271
«(...), onde a serpente é o altar da terra.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 266
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«Eu quero ser,
só o que sou.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 265
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SURREALISMO POLÍTICO
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 253
«Alguns não sabem esconder a cabeça»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 248
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
«São de todos os tempos as mentiras
As verdades, menos.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 245
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TALQUAL
Quando Churchill estava no poder
atirou o dedo aos ingleses
em véspera de eleições.
-Querem a Gestapo
ou a paz dos Tóries?
Em latitude mais amena, quente
(alternativas, mas com sinal próprio),
Marcello perguntou aos portugueses:
- Guerra civil
ou esta gente?
28/10/69
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 244
«Quem com amor nega os braços ergue.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 244
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« Atreveu-se o corvo a responder-me à letra.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 234
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«(....) Eu não me amo
em mim próprio.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 227
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III
Saciado,
procuro os teus lábios
semi-abertos. Flor
quase a abrir-se...
Meto os teus dedos
nos meus. Suspiro fundo.
E renuncio ao mundo
esquecido de mim em ti.
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 220
VISIONS & OMENS
"I did not exactly plan a large persona thouht it was within literary bounds set by Walt Whitman and other sympathetic precursors: My original ideal was actually spare and brilliant: to publish nothing but purest gemwork like Rimbaud, with no dross left over prosaic vulnerable quotidian un-eternal tendentious to bore the eager youthful reader seeking visionary diamond. Rimbaud- Whitman, mad sanity, was my ideal."
-"Deliberate Prose : Selected Essays 1952-1995"
- Allen Ginsberg
- Allen Ginsberg
O PROBLEMA DA HABITAÇÃO
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 215
terça-feira, 19 de maio de 2015
(...)
«A grande solidão é feita de cinzas
de cigarros fumados,
De mortos vivos.
De vivos mortos.
Onde encontrarei quem me refaça
a casa.
Lhe dê a marca
intacta
da minha solidão?
Somente paredes nuas.
Amigos mortos e vivos
na solidão.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 215
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''Cela de morte 2455''
Lars Norén. A noite é Mãe do Dia. Teatro. Tradução de Luiza Neto Jorge e Solveig Nordlund. Cotovia, Lisboa., p. 66
MARTIN (pega nos cigarros e volta para a gaiola. David encosta a cara ao vidro, como se reflectisse na expressão de Martin. Depois sai da cozinha. Martin deixa-se ficar, sempre com aquela expressão de ser ferido e desesperado)
Lars Norén. A noite é Mãe do Dia. Teatro. Tradução de Luiza Neto Jorge e Solveig Nordlund. Cotovia, Lisboa., p. 60
«DAVID Lá iremos fazer-te uma visitinha ao manicómio como é costume.
MARTIN (suspira) Que mal fiz eu a Deus?...
DAVID Já te vou dizer...Queres mesmo saber? Sabes como as criadas que servem à mesa te chamam? O vale das lamentações, O cais das brumas, E tudo o vento levou, Até à eternidade, Sede.
MARTIN Ah, sim?
DAVID Não é verdade, mãe?
MARTIN Não queres ir comprar-me um maço de cigarros?
DAVID O que é que me dás?
MARTIN Dou-te uma valente bofetada se não mudas de tom para falar comigo.»
Lars Norén. A noite é Mãe do Dia. Teatro. Tradução de Luiza Neto Jorge e Solveig Nordlund. Cotovia, Lisboa., p. 47
JORGE É sobre dois homens, dois homossexuais judeus, nos Estados Unidos, que mataram um miúdo, e o esconderam num cano de esgoto, depois de tentarem lavar-lhe o sexo com ácido sulfúrico.
Lars Norén. A noite é Mãe do Dia. Teatro. Tradução de Luiza Neto Jorge e Solveig Nordlund. Cotovia, Lisboa., p. 33
(...)
«Não fujo de mim, só fujo
do diabo que em mim nasce
como se fosse ilusão.
E trago comigo a carne
repartida pelos ócios:
outros caminhos do mundo.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 200
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«A perna dela tremeu
quando lhe toquei num seio.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 192
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«Eu senti a inocência
dos olhos dela nos meus.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 191
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«Eu cá não sou mau rapaz,
mas as mulheres deixam-me tonto
tal como a um cão de caça
quando lhe cheira a raposa...»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 191
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(...)
«Volto cabisbaixo,
triste,
de não ser eu.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 187
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
«A culpa de quem nem sempre tem culpa?»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 172
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(...)
«Bracinhos-gravetos
que tão-pouco servem
para acender o lume.
E olhos enormes sem fundo na febre
e os dedos roídos que enganam a fome.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 171
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«a negação do resgate.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 168
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
«Coveiro de ti mesmo. Engenheiro
de profissão; nas horas vagas
o que faz conchas e fabrica neve
com o suor do rosto.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 154
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A SEGUNDA LANÇA
Dizem os Azandes, tribo do Sudão, não ser
a lança de ferro, mas a segunda lança, (isto é,
a intenção que vai na lança de ferro) a causa
da morte do elefante.
a lança de ferro, mas a segunda lança, (isto é,
a intenção que vai na lança de ferro) a causa
da morte do elefante.
(...)
«Mãe, desculpa!
Não passo de um eufemismo.
Mas sou muito malcriado,
injusto,
indelicado.
Mas é verdade, ó Mãe.
Ou meia verdade, meia
mentira.
O sim ou não, já não sei.
São coisas, Mãe, são coisas...
Não é, também é verdade.
Não explico.
Ó Mãe, que chatice, Mãe!
Não sentir o coração.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 150
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«Não me quero ver.
Quero ser somente.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 145
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«Quem se ama a si
odeia a dor.»
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 143
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«Quem nos fez loucos,
carrega com os nossos corpos, com a dor.»
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II
Sofrer sozinho é terra morta
pelo vento e pelo sol:
braseiro vivo. Flores
cobrem apenas o corpo
triste, negado aos que sofrem.
Caminho e não pergunto
quem és, quem fostes ou quem
quiseste ser. A dor mudou
o teu nome, mascarou
o rosto íntimo. Passado,
presente contraditório ou signo
marcado pelo sofrimento,
é o baptismo
do tempo.
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 143
V
O bem e o mal, não sei. Tenho de ti
toda a obediência. Triunfo
que me apazigua
males havidos por culpa ou já sem culpa
formada. Insatisfeito,
recupero a paz das nuvens
ou a tempestade...Sigo
o ciclo da lua.
O sol domina!
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 140
I
Cresci demais. Toco
a raíz dos cabelos
quando o vento encana pela rua
ou, incerto, procuro
resolver um problema.
Este problema do crescimento
desacompanhado
a torcer as voltas que dou ao mundo
em busca de paraísos.
Trago pequenas estátuas
e olhos que me consomem
e confecciono um problema.
O crescimento aumenta, mas desliza.
Os cabelos diminuem
na raíz.
Ruy Cinatti. Obra Poética. Organização e prefácio de Fernando Pinto do Amaral. Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1992., p. 139
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