segunda-feira, 27 de outubro de 2025

ROSALÍA - Berghain (Official Video) feat. Björk & Yves Tumor

 

                                                                    Alentejo, década de 40

📷 Artur Pastor
Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.
AMLSB_ART_015834
 ''Magoar alguém é transferir
para outrem a degradação
que temos em nós.''

Simone Weil

 ''Lutar contra a angústia
nunca produz serenidade;
lutar contra a angústia só produz
novas formas de angústia!''

Simone Weill

quarta-feira, 22 de outubro de 2025


Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo sem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

Jorge de Sena
                                                      

Edvard Munch (Norwegian, 1863-1944)
Rosa Meissner at Hotel Rohn, Warnemünde
1907


- ai que nervos, diga lá, é sobre aquele?

Discurso sobre o filho-da-puta, Alberto Pimenta, 7 nós

 "When I speak of poetry I am not thinking of it as a genre. Poetry is an awareness of the world, a particular way of relating to reality. So poetry becomes a philosophy to guide a man throughout his life."

Andrei Tarkovsky

 «Confio por inteiro nas leis do pensamento. Elas me guiam e me dão paz.»

 Lídia Jorge. Misericórdia. Publicações D. Quixote. 11ª edição, 2022, p. 17

 « Eu penso que a esperança é simplesmente imortal.»

 Lídia Jorge. Misericórdia. Publicações D. Quixote. 11ª edição, 2022, p. 17

«Vence-me, noite, se és capaz...»

 Lídia Jorge. Misericórdia. Publicações D. Quixote. 11ª edição, 2022, p. 13

Don't Go To Strangers

 As mães dobram as rendas e os lenços
Abrem gavetas, penduram pássaros nas janelas


Poetisa Maria Sarmento



Munch says to a woman friend – “What do you think of me?”

She says, “I think you are the Christ”


Peter Watkins (director) Edvard Munch (film) 1974

Self-Portrait in a Psychiatric Hospital - Edvard Munch 1909



https://artblart.com/tag/edvard-munch-self-portrait-in-the-clinic/

 

 ''Hoje e sempre, a única obrigação moral que pode ser exigida ao Homem é que procure deixar o Mundo onde nasceu melhor do que o encontrou.''

Francisco Pinto Balsemão (1937-2025)

''Não, a pátria não está acima de tudo.''

 “Uma Longa Viagem com José Saramago”, de João Céu e Silva (ed. Porto Editora, 2009)

terça-feira, 21 de outubro de 2025

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Vaiapraia - Ulucrudador


O tímpano em estilhaço

O corpo sem espaço

O espaço do tempo

A cambalhota da palavra

A fúria da greve

Derrete essa paragem

Resta a fome felina

Feita à tua imagem

O inflacionar da inflamação

O lucro da dor em expansão



O x-acto lamina, a tesoura recorta

O tempo fulmina a memória torta

Ecos a rugir, boom, chinfrim

Eu não te consigo ouvir, nem tu a mim



O teu maior sucesso

Foi quem te foi algemar

O teu crânio amassado

Não te deixa imaginar

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Vaiapraia

Kolmi

Vaiapraia

Fogo Fera

Vaiapraia

Sei pra onde quero ir

Sei lá pra onde é que vou

Não me obrigues a dizеr

Quem é que eu sou

Não mе obrigues a dizer quem é que eu sou!



Zeros à direita furam o asfalto

É o dinheiro, é o dinheiro

A falar mais alto

É o dinheiro, é o dinheiro

A falar mais alto



Não te consigo ouvir

(não me consegues ouvir)

Não te consigo ouvir

(não me consegues ouvir)

Não te consigo ouvir

(não me consegues ouvir)

Não te consigo ouvir

(não me consegues ouvir)

Quem é que eu sou

(não me obrigues a dizer)

Quem é que eu sou

(não me obrigues a dizer)

Quem é que eu sou

(não me obrigues a dizer)

Quem é que eu sou

Quem é que eu…

Quem é que eu…



Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser, quero ser

Quero ser, quero ser

Quero ser, quero ser

Quero ser, quero ser

Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser um porquinho mealheiro

Faz-me um furo nos cornos e põe lá o dinheiro

Quero ser um porquinho mealheiro

Furo nos cornos, lá o dinheiro


Producers

Rodrigo Vaiapraia, Katie O’Neill, Filipe Sambado, canalzero, chica (PRT), April Marmara & Ana Farinha

Writer: Rodrigo Vaiapraia

Released on

May 23, 2025


Lucky Number Nine

 « O sofrimento passa, meu amor;
Mas, a lembrança de ter sofrido
Quem é que a pode arrancar?

António Botto (excerto do poema Afirmação Triste), POESIA, edição Assírio&Alvim

"A verdade não deve ser confundida com a opinião da maioria".

Jean Cocteau

quarta-feira, 15 de outubro de 2025


O que a manada mais
odeia não é apenas o
pensamento diferente —
é a coragem de quem
ousa pensar por si, de
quem ousa ser livre.
 
Não é a opinião que fere,
mas a audácia de ser
singular, algo que o rebanho
não compreende, tampouco
consegue alcançar.

Arthur Schopenhauer

Silva - Carmesim (feat. Carminho, Gabriele Leite)

 «Algo deve haver - 
ou alguém que louve
a tua timidez ganhadora,»

Robert Lowell

 «Pobre rapaz rico,
foste adulto antes do tempo
no modo como vivias a tua vida,
e aos quarenta e cinco morreste.»

Robert Lowell

''fazer destrinças''

 «Seja porque razão for, a verdade é que gostamos de ler coisas acerca de outras pessoas. E temos tendência, por natureza, a ser indiscretos. »

Ted Hughes. O Fazer da Poesia. Tradução Helder Moura Pereira. Assírio&Alvim, 2002., p. 55

vida noturna

 A far l’amore comincia tu


Tu tens orgulho na tua ignorância,
eu tenho pudor nas minhas vitórias,
as pessoas são feitas de contradições
são feitas de vários corações,
os corações são amáveis
e na mesma medida inflamáveis,
por isso plantei uma tamareira
a árvore que mais tempo demora a dar frutos,
frutos para o futuro que vejo a arder, por isso,
e porque cortaram os choupos que me viram crescer
ou porque só sei escrever na fronteira da ferida
ou porque não fiz um filho
ou porque como com os olhos e canto com o corpo
ou porque te queria comer e cantar
ou ou ou... ou ou ou... e quase canto,
mas atravessa-se a vidinha
que reduz a vida a esta lamentável falta de tesão,
estamos tão cansados, tão consumidos,
tão consumidores, tão cegos
como toupeiras de nariz de estrela
ou pior, estranhos frutos, como animais de pecuária
olhos que nunca viram a luz do sol, estranhos astronautas,
patas que nunca tocaram o chão
e tento levantar-me do chão,
leio Camões, leio Drummond, leio O’Neill,
voltamos sempre ao primeiro amor,
sinto uma ferida que dói e não se sente,
sinto um contentamento descontente,
sinto uma dor que desatina sem dor,
mas não sinto amor
não se transforma o amador na cousa amada
tenho duas mãos e o todo o sentimento do mundo,
mas não sinto amor,
há homens que me acamam e que eu acamo,
mas não sinto amor.

Raquel Serejo Martins

terça-feira, 14 de outubro de 2025



 


Remembering Jeanne Moreau (January 23, 1928 – July 31, 2017), pictured on set of 
Antonioni’s LA NOTTE (1961).

Vaiapraia - Carpideira

 «(...), julgando que eu não identificava a palavra pela sua estranheza, e que por isso poderia sentar-se sobre o meu coração, comprimi-lo e fazê-lo parar.»

Lídia Jorge. Misericórdia. Publicações D. Quixote. 11ª edição, 2022, p. 13

porfiona

« Aqui onde me encontro, mesmo em tempo de Primavera, quando os dias costumam ser do tamanho das noites, a noite é sempre mais longa que o dia. »

Lídia Jorge. Misericórdia. Publicações D. Quixote. 11ª edição, 2022, p. 11

 

andar aos bordos
cambalear, estar bêbedo

 «Dentro de poucos dias, vou almoçar com senhoras - apenas senhoras. Serei a única senhora do meu sexo presente no repasto, e vou vestir esta toga e ofuscá-las a todas.»

 Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 60

 


''Nasci para ser selvagem.''

Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 60

 «É muito difícil ouvir elogios sem sentir embaraço. Pouco importa se merecemos ou não esses elogios, é sempre difícil ouvi-los sem corar.»

 Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 56

 «(...) - um  homem de convicções fortes, de ideias sinceras, pouco dado a lisonjas.»

 Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 55

louvaminha

pessoa que gosta de adular; bajulador

parentela

''imorredouro de casmurrice''

Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 50

''bexiga de peixe''

Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 50

Vaiapraia - Tupperware Furado

 


''reparos cáusticos''

 Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 46

Nunca mais estarei tão morto como naquele momento.

«Quando me sentei, o meu coração havia muito cessara de bater. Nunca mais estarei tão morto como naquele momento. Nunca mais me sentirei tão desgraçado como naquele momento.»

Discursos de Mark Twain. Coleção de Ricardo Araújo Pereira. Tradução e notas de Paulo Faria. Edições Tinta da China, Lisboa, 2019., p. 45

''isso são questões de lana-caprina''

domingo, 12 de outubro de 2025

“Mal nos conhecemos / Inauguramos a palavra amigo! / Amigo é um sorriso / De boca em boca, um olhar bem limpo / Uma casa, mesmo modesta, que se oferece. / Um coração pronto a pulsar / Na nossa mão!”

Alexandre o’ Neill
 "Tenho vontade de ver-te
mas não sei como acertar.

Passeias onde não ando,
andas sem eu te encontrar."

Fernando Pessoa

Jean Moral, The woman and the bird, 1931

Marianne Faithfull - As Tears Go By

''É um romance de um tempo que já não existe. Pertence a um mundo que desapareceu. Era, em absoluto, outro mundo, e não por ser a Hungria comunista, mas desapareceu em todo o mundo ocidental. Quase tudo mudou, excepto o comportamento humano.''


László Krasznahorkai




“O meu interesse por outras artes deve-se ao facto de achar que a verdadeira arte está em viver numa comunidade secreta e vivo nessa comunidade. Não sou um escritor, mas sou um artista, acho. E gosto muito de estar com artistas.”

 László Krasznahorkai

''É sobre gente que acumula erros.''


“Venho de uma família burguesa e quando tinha uns 18, 19 anos fui para longe da minha família e do mundo dela. Era um leitor fanático de Kafka e de Dostoiévski e achei que a vida real se passava a um nível mais profundo. Decidi então ir às profundezas da sociedade húngara e vivi durante anos em pequenos lugares onde tive trabalhos muitos simples e muito físicos; vivi entre gente em grande estado de pobreza. E vivi entre bares e estações de comboio, bebia muito, toda a gente bebia naquele tempo na Hungria. Era muito comum, tão comum como os cigarros. Vivia entre essas pessoas e senti-me muito bem. Aquela vida era também a minha vida. E queria escrever um livro sobre essa vida que descobri numa subcamada da sociedade.”

 László Krasznahorkai


 László Krasznahorkai

“As ditaduras foram sempre bastante populares na história humana e, de tempos a tempos, o poder político recua a esta velha forma, ao outro polo da democracia”


 László Krasznahorkai

“Uma manhã de finais de Outubro, pouco antes de as primeiras bátegas das intermináveis e impiedosas chuvas de Outono começarem cair no solo gretado e salino, a oeste da exploração (procedendo o mar de lama pútrida que tornaria intransitáveis os caminhos vicinais e deixaria inacessível também a cidade até às primeiras geadas), Futaki acordou ao toque dos sinos.”

 quando tiveres recebido o último aplauso


quando tiveres recebido o último aplauso e
a cortina final fizer desaparecer o mundo,
deixando ao silêncio sombrio e ao desânimo
aquele palco que não voltará a conhecer o teu sorriso,
e demorares um pouco enquanto te vejo
reflectir no triste papel que te deixaram representar;
vejo os lábios enormes acesos, o rosto cinzento,
os olhos melancólicos e silenciosos de Madalena.
as luzes deram a última gargalhada; a escura
rua aguarda aquela cujos pés pisaram
as almas néscias dos homens até as transformar em pó doirado:
faz uma pausa no lintel da derrota,
o seu coração quebra-se num sorriso - e ela é a Luxúria...
o meu também, um pequeno poema pintado por deus

e. e. Cummings, USA(1894-1962)
Tradução de Jorge Sousa Braga

animosidades

Linda Martini - "Assombro"

Annie Hall


 

Insubordinarmo-nos

 '' O luto é rebelarmo-nos contra a perda.''

Eduardo Sá, psicólogo clínico e psicanalista

"Quando o primeiro dos nossos pais morre, termina a infância"

Eduardo Sá, psicólogo clínico e psicanalista

indulgente

Not Wanted, 1949 (FILM)



Filme de drama americano de 1949
Elmer Clifton e Ida Lupino

''After a beautiful but unsophisticated girl is seduced by a worldly piano player and gives up her out-of-wedlock baby, her guilt compels her to kidnap another child.''

Annie Hall (10/12) Movie CLIP - There's a Spider in the Bathroom (1977) HD


Annie Hall, 1977. Directed by Woody Allen


 

Moralidade

Código Hays - código de censura moral

''foi um conjunto de regras de autocensura para os filmes de Hollywood, vigente de 1934 a 1968, que proibia temas como sexo, violência, nudez, palavrões e a representação de relações extraconjugais. Criado em 1930 pela associação de estúdios de cinema, a MPPDA (Motion Picture Producers and Distributors of America), o código surgiu como resposta à pressão de grupos religiosos e conservadores que ameaçavam a indústria cinematográfica com censura governamental. O nome "Hays" vem de Will Hays, o então presidente da MPPDA, que liderou a criação do código. ''

Silly boy

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Janis Ian - Society's Child

 "Não sei o dia em que nasci. Nem eu, nem ninguém na minha família. Ligaram tão pouca importância ao meu nascimento, era uma família tão grande, que não sabem. Uns diziam que nasci no dia 1 de Julho, outros no dia 12, outros a 4 ou a 14. A minha avô dizia que eu tinha nascido no tempo das cerejas, que vai de Maio a Julho. Então eu escolhi o dia 1 de Julho para fazer anos. Mais tarde, quando tive de tirar papéis para fazer exame, vinha 23 de Julho. Resolvi guardar as duas datas, porque assim sempre podia fazer duas festas de anos"

Amália, Uma Biografia - Vitor Pavão dos Santos, 1987.

 "Se não fosse eu ter tanta força dentro de mim, cheirar com o meu nariz, olhar com os meus olhos, ouvir com os meus ouvidos, se não fosse ter o meu critério tão forte, tinha passado a vida a ceder às pessoas. Isto não, isto é que é, não cante isto, cante aquilo. Mas eu nunca lhes fiz a vontade. Fiz sempre a minha. E foi a única maneira de fazer a vontade a toda a gente. Sempre fui honesta comigo mesma e isso chegou até às outras pessoas."

Amália uma Biografia, de Vítor Pavão dos Santos, 1987

 ''Tive mais de cem fracassos. E, para mim, não tem a mínima importância. Para um artista, o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores.''


Antônio Abujamra, ator paulista e diretor de teatro.

domingo, 5 de outubro de 2025

Imoralidade


 

''A pide está viva.''

 Pedro Marques Lopes

 ''Se te faltarem as águas,
Leva as lágrimas que choro.''

cartapácio

 ''Agora morro de parto,
Tenham todos dó de mim.''


Extra Virgo – Florence Mallorca, 2024   
Elia Nedkov

Fausto - O perfume das Chuvas

 (...)

´´É mais suave que o mel
O gosto de te escrever,
Para a resposta esperar.
Eu sei que te hei-de perder;
Triste, fico a chorar,
Merda para quem te ler.''

"vida no céu depois da morte na terra"

''Não me negues teus olhos,''

 «[ Os sonhos são os melhores instrumentos para o estudo da própria essência do homem.]


Carl Gustav Jung

''Fia-te na Virgem e não corras.''


 

"Trigo limpo, farinha Amparo"

"mansplaining"

''Misoginia não é liberdade de expressão''

''calar a divergência''

 autoritarismo 

Fausto - Por altas serras de montanhas

 De amor nada mais resta que um Outubro

e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Natália Correia, in “Poesia Completa”

 Resistência

De Maria Teresa Horta

Ninguém me castra a poesia
se debruça e me põe vendas
censura aquilo que escrevo
nem me assombra os poemas

Ninguém me apaga os versos
nem amordaça as palavras
na invenção de voar
por entre o sonho e as letras

Ninguém me cala na sombra
deitando fogo aos meus livros
me ameaça no medo
ou me destrói e algema

Ninguém me aquieta a escrita
na criação de si mesma
A musa não é uma assassina.
que dentro de mim se inventa
*

Maria Teresa Horta, in POESIA - Publicações Dom Quixote
Lisboa 2017

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Amanheci em cólera.

"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece."

Clarice Lispector - 'Dies Irae' - In: "A Descoberta do Mundo".

CARMINHO - BALADA DO PAÍS QUE DÓI


 



''A consistência da arte é indemonstrável''

Teoremas da Incompletude

Gödel

continuum

 

“In the dark times
Will there also be singing?
Yes, there will also be singing.
About the dark times.”


 Bertolt Brecht

 

 50

Tornar-te-ás só quem tu sempre foste.


Fernando Pessoa, por Ricardo Reis, no livro ''Poesia'' [Editora Assírio&Alvim] 4ª edição, 2000

Janis Ian - Stars (live 1974)


I was never one for singingwhat I really feelExcept tonight, I'm bringingeverything I know that's real
Stars, they come and goThey come fast or slowThey go like the last lightof the sun, all in a blazeand all you see is gloryBut it gets lonely therewhen there's no one here to shareWe can shake it awayif you'll hear a story
People lust for fameLike athletes in a gamewe break our collarbonesand come up swingingSome of us are downedSome of us are crownedand some are lostand never foundBut most have seen it allThey live their lives insad cafes and music hallsThey always have a story
Some make it when they're youngbefore the world hasdone its dirty joband later on, someone will say"You've had your dayYou must make way"But they'll never know the painof living with a name you never ownedor the many years forgettingwhat you know too well
The ones who gave the crownhave been let downYou try to make amendswithout defending
Perhaps pretendingyou never saw the eyesof grown men of twenty fivethat followed as you walkedand asked for autographsor kissed you on the cheekand you never could believethey really loved you
Some make it when they're old(Perhaps they have a soulthey're not afraid to bareOr perhaps there's nothing there)
Some women have a bodymen will want to see,so they put it on displaySome people play a fine guitarI could listen to themplay all daySome ladies reallymove across a stageand gee, they sure can danceI guess I could learn howif I have it half a chance
but I always feel so funnywhen my body tries to soarand I seem to always worryabout missing the next chord
I guess there isn't anythingto put up on displayexcept the tunesand whatever else I sayAnyway, that isn't reallywhat I meant to sayI meant to tell a storyI live from day to day
Stars, they come and goThey come fast or slowThey go like the last lightof the sun, all in a blazeand all you see is gloryBut those who've seen it allthey live their livesin sad cafes and music hallswe always have a story
So if you don't lose patiencewith my fumbling around,I'll come up singing for youeven when I'm down

Katia Berestova


 

''Será que podemos rir de Deus?''

 Papa Francisco

''Quais os limites da ofensa?''

 Pedro Bial

The Keepers

 ''Que nostalgia nos construiu o corpo e à volta de que grãos?'' 

Khalil Gibran

'' o riso e a morte''

''brinquedo linguístico''

Cet obscur objet du désir (1977)


 

Kristin Oppenheim — She Had a Heavy Day

QUANDO O HOMEM ENTRA NA MULHER

 Quando o homem
entra na mulher,
como as ondas roem a costa,
uma e outra vez, 
e a mulher abre a boca de prazer
e os seus dentes cintilam
como o alfabeto,
o Logos aparece a ordenhar uma estrela,
e o homem 
dentro da mulher 
dá um nó
para que nunca mais
se separem
e a mulher
sobre a uma flor
e engole o caule
e o Logos aparece
e descarrega os seus rios

Vasco Gato

 535.

em resposta
a uma carta insensível
envio flores que sofrem

Masaoka Shiki, AVES DORMINDO ENQUANTO FLUTUAM 

“I got good at feeling bad and that’s why I’m still here”

 Kimya Dawson

“Quem é que eu sou se não escrevo?”

Rodrigo Vaiapraia

''people pleaser''

Espanta Maridos

Vaiapraia - Eu Quero Eu Vou

Rapazes e raposas

de B FachadaCantautor português


Nuno Moura

 

O Anti-Fado

 Perante as grandes verdades

Sou anticumplicidades
Rejeito as pontas e o meio
Sou do tipo antifeio
 
Sou anti-crime e anti-leis
Anti-história e antireis
Todo o saber um dia parte-se
Sou anti-Freud, sou o anti-Marx

Não há truque semiótico
Eu sou anti-patriótico
Faço o direito em cepa torta
Sou anti-basta e anti-corta
 
Anti-sol e quebra-gelos
Eu sou do anti-antipêlos
Sirvo a água menos pura
Sou antivida e anticura

Tás estúpido ou quê?
O teu cinismo nunca foi tão demodê
Eloquência para quê?
O pessimismo nunca foi tão demodê
 
O sexo é simples e é efémero
Eu sou do antigénero
Não sou pragmático nem estético
Sou imoral e antiético
 Não tenho margem nem verba
Não tenho cu para festas de merda
Faço a farra no meu ermitério
Anticómico e antisério

 
Ortografia não é literatura
Mas endireita a criança mais dura
A matemática sou eu que faço
Antideus e antiespaço

 
Não acredito em mentiras
Eu nunca vi maravilhas
Quando morrer e for queimado
Ainda vou ser o antifado

 
Tás estúpido ou quê?
O teu cinismo nunca foi tão demodê
Eloquência para quê?
O pessimismo nunca foi tão demodê
 
Tás estúpido ou quê?
O teu cinismo nunca foi tão demodê
Eloquência para quê?
O pessimismo nunca foi tão demodê
 
Tás estúpido?
Tás estúpido ou quê?
Tás estúpido?
Tás estúpido ou quê?

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