domingo, 5 de outubro de 2025

 Resistência

De Maria Teresa Horta

Ninguém me castra a poesia
se debruça e me põe vendas
censura aquilo que escrevo
nem me assombra os poemas

Ninguém me apaga os versos
nem amordaça as palavras
na invenção de voar
por entre o sonho e as letras

Ninguém me cala na sombra
deitando fogo aos meus livros
me ameaça no medo
ou me destrói e algema

Ninguém me aquieta a escrita
na criação de si mesma
A musa não é uma assassina.
que dentro de mim se inventa
*

Maria Teresa Horta, in POESIA - Publicações Dom Quixote
Lisboa 2017

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