quando tiveres recebido o último aplauso
quando tiveres recebido o último aplauso e
a cortina final fizer desaparecer o mundo,
aquele palco que não voltará a conhecer o teu sorriso,
e demorares um pouco enquanto te vejo
reflectir no triste papel que te deixaram representar;
vejo os lábios enormes acesos, o rosto cinzento,
os olhos melancólicos e silenciosos de Madalena.
as luzes deram a última gargalhada; a escura
rua aguarda aquela cujos pés pisaram
as almas néscias dos homens até as transformar em pó doirado:
faz uma pausa no lintel da derrota,
o seu coração quebra-se num sorriso - e ela é a Luxúria...
o meu também, um pequeno poema pintado por deus
e. e. Cummings, USA(1894-1962)
Tradução de Jorge Sousa Braga

Sem comentários:
Enviar um comentário