domingo, 25 de janeiro de 2026

 «As árvores seculares
do meu jardim,
em murmúrios de segredo –
falam de mim,
riscando no horizonte
longas figuras de medo…
O silêncio fala
balançando os esguios esqueletos
das árvores desgrenhadas!
Apagaram-se as velas perfumadas
do lampadário da minha sala…
As aves em voos inquietos
passam caladas! (...)»
- “O Anão da Máscara Verde” (excerto)

Judith Teixeira, 1880.

"A morte da empatia humana é um dos primeiros sinais de uma cultura prestes a cair na barbárie."

'' Pourra-t-il continuer de pratiquer à sa guise l’équivalent de ce qu’est l’alpinisme pour le corps, c’est-à-dire s’élever au-dessus des bruits de notre monde, de ce que Simone Weil appelait son « tumulte glacé » ? ''

Fonte: https://www.radiofrance.fr/franceculture/podcasts/la-conversation-scientifique/devrions-nous-faire-plus-attention-a-notre-attention-7586770?at_campaign=Facebook&at_medium=Social_media

ingovernabilidade


Fonte: Jornal Tribuna Alentejo
 

inconfiável

Pessoas sonsas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

YOU CAN HAVE HIM --NINA SIMONE --(with lyrics)

Tucídides, Havel e a denúncia dos ‘bullies’ da geopolítica: leia na íntegra o discurso viral do primeiro-ministro do Canadá




Mark Carney escreveu um discurso que tem boas possibilidades de resistir ao teste do tempo, na opinião de vários analistas de relações internacionais que esta terça-feira partilharam o texto inteiro nas redes sociais. Foi o próprio governante canadiano que escreveu a prosa, que pode ler abaixo

"É um prazer — e um dever — estar convosco neste momento crucial para o Canadá e para o mundo. Hoje, vou falar sobre a rutura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua atuação.

Mas também quero dizer-vos que os outros países, em particular as chamadas potências médias, como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados. O poder dos menos poderosos começa com a honestidade.

Todos os dias alguma coisa nos lembra de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências, que ordem mundial sustentada por regras está a desvanecer-se e que os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que têm de sofrer.

Este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável, apenas a lógica natural das relações internacionais a reassumir-se. E, perante esta lógica, há uma forte tendência para os países se acomodarem, de forma a evitarem problemas. Esperam que essa aceitação lhes traga segurança.

Mas não trará. Então, quais são as nossas opções?

Em 1978, o dissidente checo Václav Havel escreveu um ensaio chamado “O Poder dos Impotentes”. Nele, faz uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?

A resposta começa com um vendedor de hortaliças. Todas as manhãs, este merceeiro coloca um cartaz na sua montra: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Ele não acredita naquilo. Ninguém acredita. Mas coloca o cartaz na mesma, para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para se acomodar. E, porque todos os lojistas em todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.

Não apenas através da violência, mas através da participação de pessoas comuns em rituais que sabem, no seu íntimo, serem falsos.

Havel chamou a isto “viver dentro da mentira”. O poder do sistema não vem da sua verdade, mas da disposição de todos a representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte: quando uma pessoa, uma pessoa que seja, deixa de representar, quando o vendedor de hortaliças retira o seu cartaz, a ilusão começa a quebrar-se.

Está na altura de empresas, países, retirarem os seus cartazes.

Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos implantar políticas externas sob a proteção destas regras.

Sabíamos que a história desta ordem internacional era parcialmente falsa. Que os mais fortes se eximiriam quando lhes fosse conveniente. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variado, dependendo da identidade do acusado ou da vítima.

Esta ficção foi útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou-nos a ter acesso a rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança coletiva, e apoiou organismos que se ocupariam da resolução de conflitos. E foi por isso que colocámos o cartaz na montra. Participámos nos rituais. E evitámos, em boa parte, apontar as lacunas entre retórica e realidade.

Este acordo já não funciona. Deixem-me ser direto: estamos a meio de uma rutura, não de uma transição. Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas finanças, saúde, energia e geopolítica revelou os riscos da integração global.

Mais recentemente, as grandes potências começaram a usar a integração económica como arma: tarifas como vantagem negocial, a infraestrutura financeira como coerção, as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a serem exploradas.

Não se pode “viver dentro da mentira” de benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da vossa subordinação.

As instituições multilaterais de que os poderes médios dependiam — a OMC [Organização Mundial do Comércio], a ONU, a COP [Conferência das Partes] — e a arquitetura de resolução coletiva de problemas estão muito diminuídas.

Como resultado, muitos países estão a tirar as mesmas conclusões, que devem desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. Este impulso é compreensível. Um país que não pode alimentar-se, abastecer-se ou defender-se a si mesmo tem poucas opções. Quando as regras já não vos protegem, é preciso que se protejam a vocês mesmos.

Mas sejamos realistas sobre o lugar onde isto nos leva: a um mundo de fortalezas, mais pobre, mais frágil e menos sustentável.

E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a aparência de regras e valores pela busca desimpedida do seu poder e dos seus interesses, os ganhos do “transacionalismo” tornam-se mais difíceis de replicar. As potências hegemónicas não podem retirar lucros eternos das suas relações, e os aliados vão diversificar para se protegerem contra a incerteza: contrair seguros, multiplicar opções. E tudo isto traz de volta a soberania, só que é uma soberania que antes estava ancorada em regras, mas que estará, a partir de agora, cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.

Como disse, esta gestão de risco clássica tem um preço, mas esse custo de autonomia estratégica, de soberania, também pode ser partilhado. Investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que a conta de cada um construir a sua própria fortaleza individualmente. Padrões partilhados reduzem a fragmentação, as complementaridades são de soma positiva.

A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso. O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.

Os canadianos sabem que a antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e o nosso sistema de alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.

A nossa nova abordagem assenta no que Alexander Stubb [Presidente da Finlândia] chamou “realismo baseado em valores”, ou, por outras palavras, termos princípios e, ao mesmo tempo, sermos pragmáticos.

Devemos manter o princípio do nosso compromisso com valores fundamentais: soberania e integridade territorial, a proibição do uso da força exceto quando consistente com a Carta da ONU, respeito pelos direitos humanos. E devemos ser pragmáticos ao reconhecermos que o progresso é frequentemente incremental, que os interesses divergem, que nem todos os parceiros partilham os nossos valores. Podemos envolver-nos amplamente, estrategicamente, mas com os olhos abertos. Devemos participar ativamente no mundo com ele é, e não esperar por um mundo como desejamos que seja.

O Canadá está a calibrar as suas relações para que a profundidade das mesmas reflita os seus valores. Estamos a dar mais importância a um envolvimento amplo para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que isto representa e o que está em jogo para o que vem a seguir.

Já não estamos dependentes apenas da força dos nossos valores, mas também do valor da nossa força. Estamos a construir essa força em casa.

Desde que o meu Governo tomou posse, cortámos impostos sobre rendimentos, mais-valias e investimento empresarial, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar mil milhões de dólares de investimento em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais. Até 2023, vamos duplicar as nossas despesas na Defesa e estamos a fazê-lo de forma a desenvolver as nossas indústrias nacionais.

Estamos também a diversificar no estrangeiro, e recentemente acordámos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE [Ação de Segurança para a Europa], os acordos europeus de aquisição e adjudicação de material de Defesa.

Assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes nos últimos seis meses. Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Catar. Estamos a negociar pactos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.

Para ajudar a resolver problemas globais, estamos a prosseguir geometria variável: diferentes coligações para diferentes questões, baseadas em valores e interesses.

Na Ucrânia, somos um membro central da Coligação de Vontades e um dos maiores contribuintes per capita para a defesa e segurança do país.

Sobre a soberania do Ártico, estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e demos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5º é inabalável.

Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os Nórdicos-Bálticos) para robustecer ainda mais os flancos norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas no terreno. O Canadá opõe-se fortemente a impostos alfandegários sobre a Gronelândia e apela a conversações focadas em alcançar os nossos objetivos partilhados de segurança e prosperidade para o Ártico.

No comércio plurilateral, estamos a liderar esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1500 milhões de pessoas.

Nos minerais essenciais, estamos a formar grupos de compradores, ancorados no G7, para que o mundo possa diversificar-se da oferta concentrada.

Na inteligência artificial, estamos a cooperar com democracias para garantir que não seremos forçados a escolher entre empresas hegemónicos e hiperescaladores [fornecedor gere grandes redes de centros de dados, projetados para suportar computação, redes e armazenamento].

Isto não é multilateralismo ingénuo, nem é depender de instituições diminuídas, é construir as coligações que funcionam, questão por questão, com parceiros que partilham terreno comum suficiente para agirem em conjunto. Nalguns casos, será a grande maioria das nações. E é criar um teia densa de ligações através do comércio, investimento, cultura, nas quais nos podemos apoiar para futuros desafios e oportunidades.

As potências médias devem agir em conjunto, porque se não estão à mesa, estão no menu.

As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm mercado, capacidade militar, alavancagem para ditar termos. As potências médias não. Mas quando apenas negociamos bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos uns com os outros para sermos os que mais acomodam as suas exigências.

Isto não é soberania. É a representação de soberania enquanto se aceita a subordinação.

Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países no meio têm uma escolha: competir uns com os outros para cair “nas graças” ou unirem-se para criar um terceiro caminho, com impacto.

Não devemos permitir que a ascensão do poder nos cegue para o facto de que o poder da legitimidade, integridade e regras permanecerá forte se escolhermos exercê-lo em conjunto.

O que me traz de volta a Havel.

O que significaria para as potências médias “viver na verdade”?

Significa dizer as coisas como são na realidade. Parem de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse conforme anunciado. Chamem ao sistema o que ele é: um período de intensificação de rivalidade entre grandes potências, onde os mais poderosos prosseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.

Significa agir consistentemente. Aplicar os mesmos padrões a aliados e rivais. Quando os poderes médios criticam a intimidação económica quando vem de um lado mas ficam em silêncio quando vem de outro, estamos a manter o cartaz na montra.

Significa construir aquilo em que alegamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, criar instituições e acordos que funcionem conforme o que fica escrito.

E significa reduzir a alavancagem que abre espaço à coerção. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de cada governo. A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é a fundação material para uma política externa honesta. Os países ganham o direito a posições de princípio ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações.

O Canadá tem o que o mundo quer. Somos uma superpotência energética, temos vastas reservas de minerais, temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um Governo com imensa capacidade fiscal para agir decisivamente. E temos os valores aos quais muitos outros aspiram.

O Canadá é uma sociedade plural que funciona, a nossa praça pública é barulhenta, diversa e livre. Os canadianos mantêm-se comprometidos com a sustentabilidade.

Somos um parceiro estável e fiável, num mundo que é tudo menos isso, um parceiro que constrói e valoriza relações a longo prazo.

O Canadá tem algo mais: reconhecemos o que está a acontecer e estamos determinados a agir em conformidade.

Compreendemos que esta rutura exige mais do que adaptação, exige honestidade sobre o mundo como ele é.

Estamos a retirar o cartaz da montra.

A velha ordem não vai voltar. Não devemos lamentá-la. Nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo.Esta é a tarefa dos poderes médios, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.

Os poderosos têm o seu poder. Mas nós também temos algo, a capacidade de parar de fingir, de dizer as coisas como são, de construir a nossa força em nossa casa e de agir em conjunto.

Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo aberta e confiantemente.

E é um caminho amplamente aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Nobody Loves You (When You're Down And Out)

Um ritmo perdido...



Se uma pausa não é fime silêncio 
nâo é ausência,
se um ramo partido não mata uma árvore,
um amor que é perdido,será acabado?

um ouvido que escuta
uma alma que espera...
-uma onda desfeita
É ou já não era?

Nuvem solitária,
silenciosa e breve,
nuvem transparente,
desenho etéreo de anjo distraído...

nuvem,
esquecida em céu de esperança,
forma irreal de sonho interrompido..

nuvem,
luz e sombra,
forma e movimento,
fantasia breve de ânsia de infinito...


nuvem que foste
e já não és:
desejo formulado e incompreendido.

Ana Hatherly

Ruínas



Pandeiros rôtos e côxas táças de crystal aos pés da muralha.
Heras como Romeus, Julietas as ameias. E o vento toca, em bandolins distantes, surdinas finas de princezas mortas.



Poeiras adormecidas, netas fidalgas de minuetes de mãos esguias e de cabelleiras embranquecidas.


Aquellas ameias cingiram uma noite peccados sem fim; e ainda guardam os segredos dos mudos beijos de muitas noites. E a lua velhinha todas as noites réza a chorar: Era uma vez em tempo antigo um castello de nobres naquelle lugar... E a lua, a contar, pára um instante - tem mêdo do frio dos subterraneos.


Ouvem-se na sala que já nem existe, compassos de danças e rizinhos de sêdas.


Aquellas ruinas são o tumulo sagrado de um beijo adormecido - cartas lacradas com ligas azues de fechos de oiro e armas reais e lizes.


Pobres velhinhas da côr do luar, sem terço nem nada, e sempre a rezar...


Noites de insónia com as galés no mar e a alma nas galés.


Archeiros amordaçados na noite em que o côche era de volta ao palacio pela tapada d'El-rei. Grande caçada na floresta--galgos brancos e Amazonas negras. Cavalleiros vermêlhos e trombêtas de oiro no cimo dos outeiros em busca de dois que faltam.


Uma gondola, ao largo, e um pagem nas areias de lanterna erguida dizendo pela briza o aviso da noite.


O sapato d'Ella desatou-se nas areias, e fôram calça-lo nas furnas onde ninguem vê. Nas areias ficaram as pègadas de um par que se beija.


Noticias da guerra - choros lá dentro, e crépes no brazão. Ardem cirios, serpentinas. Ha mãos postas entre as flôres.


E a torre morêna canta, molenga, dôze vezes a mesma dôr.

Esta Noite Morrerás



Esta noite morrerás.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
terás partido do meu leito
e aquele que procurar a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
Esta noite morrerás.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
terás partido do meu leito
e uma gota de sangue ressequido
é a marca dos teus passos.
No coração do tempo pulsa um maquinismo ínscio
e na casa do tempo a hora é adorno.
Quando a lua vier tocar-me o rosto a tua sombra extinta marca
o fim de um eclipse horário de uma partida iminente e o tempo
apaga a marca dos teus passos sobre o meu nome.
Constante.
O mar é isso.
A lua vir tocar-me o rosto e encontrar urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
O mar é tu morreste.
O mar é ser noite e vir a lua tocar-me o rosto quando tu par-
tiste e no meu leito crescem folhas sangue.
A febre é uma pira incompreensível como a aparição da lua
e a opacidade do mar.
No meu leito a lua vai tocar-me o rosto e a tua ausência é um
prisma, um girassol em panóplia.
Agora a lua chega devagar e o mar é o leito de tu teres
partido, uma infrutescência de eu procurar a marca dos teus
passos por sobre o meu rosto.
A noite é eu procurar a marca dos teus passos.
Esta noite a lua terá um halo de concêntricas florações
de gotas do teu sangue e a irisada sombra do meu leito
é o teu rosto iminente.
A lua é uma seta.
Tu partiste é o silêncio em forma de lança.
Esta noite vou erguer-me do meu leito e quando a lua vier
tocar-me o rosto vou uivar como um lobo.
Vou clamar pelo teu sangue extinto.
Vou desejar a tua carne viva, os teus membros esparsos,
a tua língua solta.
O teu ventre, lua.
Vou gritar e enterrar as unhas nos teus olhos até que
o mar se abra e a lua possa vir tocar-me o rosto.
Esta noite vou arrancar um cabelo e com a tua ausência faço
um pêndulo para interrogar a lua por tu teres partido e a marca
dos teus passos ser a razão mágica de a lua poder surgir de
noite e urtigas crescerem no meu leito.
E se encontrar a marca dos teus passos vou crivar-lhe
o coração de alfinetes para que tu partiste seja a razão
mágica de tu poderes morrer-te.
Quando a lua vier em forma de lança vai trespassar um pássaro
para lhe ler nas entranhas a direcção tu partiste e a marca dos
teus passos consiste nos olhos abertos de um pássaro esventrado.
Ah, mas o luar é uma pluma do meu leito e a lua é o colo de
tu morreste para poderes enfim tocar-me o rosto.



Ana Hatherly

In the Mood for Love, 2000



 

Príncipe



Príncipe:
Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste.
Era de noite
são mil e umas
as noites em que bato à tua porta
e tu vens abrir
e não me reconheces
porque eu jamais bato à tua porta.
Contudo
quando eu batia à tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente
viram-me
pela primeira vez
como sempre de cada vez é a primeira
a derradeira
instância do momento de eu surgir
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir
e viste-me
como um náufrago sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu.
Mas era de noite
e por isso
tu soubeste que era eu
e vieste abrir-te
na escuridão da tua casa.
Ah era de noite
e de súbito tudo era apenas
lábios pálpebras intumescências
cobrindo o corpo de flutuantes volteios
de palpitações trémulas adejando pelo rosto.
Beijava os teus olhos por dentro
beijava os teus olhos pensados
beijava-te pensando
e estendia a mão sobre o meu pensamento
corria para ti
minha praia jamais alcançada
impossibilidade desejada
de apenas poder pensar-te.


São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me



Ana Hatherly

JP Simões - Inquietação | Um Disco para José Mário Branco (2019)



 Portugal, 1976

Soneto Científico A Fingir


Dar o mote ao amor. Glosar o tema
tantas vezes que assuste o pensamento.
Se for antigo, seja. Mas é belo
e como a arte: nem útil nem moral.


Que me interessa que seja por soneto
em vez de verso ou linha desvastada?
O soneto é antigo? Pois que seja:
também o mundo é e ainda existe.


Só não vejo vantagens pela rima.
Dir-me-ão que é limite: deixa ser.
Se me dobro demais por ser mulher
[esta rimou, mas foi só por acaso]


Se me dobro demais, dizia eu,
não consigo falar-me como devo,
ou seja, na mentira que é o verso,
ou seja, na mentira do que mostro.


E se é soneto coxo, não faz mal.
E se não tem tercetos, paciência:
dar o mote ao amor, glosar o tema,
e depois desviar. Isso é ciência!

Ana Luísa Amaral

“A cultura não existe para enfeitar a vida, a cultura existe para a transformar”

“Há mas são verdes"

 


Kim Gordon - "NOT TODAY"

tremelicoso

sábado, 17 de janeiro de 2026

''A senhora Pusilânime.''

Jogo de enganos

 aqueles que têm nome e nos telefonam 
um dia emagrecem — partem 
deixam­‑nos dobrados ao abandono 
no interior duma dor inútil muda 
voraz


 

«E se a morte te esquecesse?»

 «O suicídio é, com efeito, uma das máscaras que o destino português tem utilizado na sua afirmação universal — e de que foi exemplo emblemático esse suicídio colectivo de rei e aristocracia em Alcácer­‑Quibir, que parece feito quase só com o fim de produzir a lenda do rei Sebastião, o desejado no inconsciente popular de vários séculos e circunstâncias da nossa História»

Nuno Júdice, 1997

heteronímia

 onde está a vida do homem que escreve, a vida da laranja, a 
vida do poema — a Vida, sem mais nada — estará aqui? 
fora das muralhas da cidade? 
no interior do meu corpo? ou muito longe de mim — onde 
sei que possuo uma outra razão… e me suicido na tentativa 
de me transformar em poema e poder, enfim, circular livre‑ 
mente. 


Al Berto, «Prefácio para Um Livro de Poemas»

Nina


Nina, I can see your face,caught up in the song's embraceclphabets of lightning falling from your lipsRaining on your fingertipscny kind of fool could see,you were always meant to beMiracles in moonlight, worshipped from afarBurning like a falling starcnd how were you to know this worldwas so damned hard on beautyFrightened by your lightning songNina, can't you see?You were always beautiful to meCrazy as a loon. In your own cartoonWhat a world those eyes must seeWhen you hit the mark, you stopped my heartThen you'd turn around and grind itright into the ground. I'd find itCradled in the arms of songRight where miracles belongMelody and madness.Sanctity and sadness.c heart at war - nothing moreBut how were you to know this worldwas so damned hard on beautyFrightened by your lightning songNina can't you see?You were always beautiful to me

 “Every story I begin / just means another end’s in sight”

Janis Ian

''Here is Belladonna, the Lady of the Rocks,''

The Waste Land
By T. S. Eliot


I. The Burial of the Dead

April is the cruellest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.
Winter kept us warm, covering
Earth in forgetful snow, feeding
A little life with dried tubers.
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,
And went on in sunlight, into the Hofgarten,
And drank coffee, and talked for an hour.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
And when we were children, staying at the archduke’s,
My cousin’s, he took me out on a sled,
And I was frightened. He said, Marie,
Marie, hold on tight. And down we went.
In the mountains, there you feel free.
I read, much of the night, and go south in the winter.
What are the roots that clutch, what branches grow
Out of this stony rubbish? Son of man,
You cannot say, or guess, for you know only
A heap of broken images, where the sun beats,
And the dead tree gives no shelter, the cricket no relief,
And the dry stone no sound of water. Only
There is shadow under this red rock,
(Come in under the shadow of this red rock),
And I will show you something different from either
Your shadow at morning striding behind you
Or your shadow at evening rising to meet you;
I will show you fear in a handful of dust.
‘You gave me hyacinths first a year ago;
‘They called me the hyacinth girl.’
—Yet when we came back, late, from the Hyacinth garden,
Your arms full, and your hair wet, I could not
Speak, and my eyes failed, I was neither
Living nor dead, and I knew nothing,
Looking into the heart of light, the silence.
Oed’ und leer das Meer.
Madame Sosostris, famous clairvoyante,
Had a bad cold, nevertheless
Is known to be the wisest woman in Europe,
With a wicked pack of cards. Here, said she,
Is your card, the drowned Phoenician Sailor,
(Those are pearls that were his eyes. Look!)
Here is Belladonna, the Lady of the Rocks,
The lady of situations.
Here is the man with three staves, and here the Wheel,
And here is the one-eyed merchant, and this card,
Which is blank, is something he carries on his back,
Which I am forbidden to see. I do not find
The Hanged Man. Fear death by water.
I see crowds of people, walking round in a ring.
Thank you. If you see dear Mrs. Equitone,
Tell her I bring the horoscope myself:
One must be so careful these days.

Unreal City,
Under the brown fog of a winter dawn,
A crowd flowed over London Bridge, so many,
I had not thought death had undone so many.
Sighs, short and infrequent, were exhaled,
And each man fixed his eyes before his feet.
Flowed up the hill and down King William Street,
To where Saint Mary Woolnoth kept the hours
With a dead sound on the final stroke of nine.
There I saw one I knew, and stopped him, crying: 'Stetson!
‘You who were with me in the ships at Mylae!
‘That corpse you planted last year in your garden,
‘Has it begun to sprout? Will it bloom this year?
‘Or has the sudden frost disturbed its bed?
‘Oh keep the Dog far hence, that’s friend to men,
‘Or with his nails he’ll dig it up again!
‘You! hypocrite lecteur!—mon semblable,—mon frère!”

Pro-Girl | Janis Ian

Play like a girl

Who really cares (1969)

 álbum Janis Ian


 

Insanity Comes Quietly To The Structured Mind



Janis Ian


She sits on a window still. Looking down, it's quite a thrill
Imagery, imagining what it is like to be dead
She walks out upon the ledge. Searching for the living end,
She wonders, wondering just what has changed in her head

Looking outward through my pain
Looking through my windowpane
See her face turn into rain

She prepares her face at last. Taking off the piece of glass
Wrapped 'round her eyes
She doesn't cry. She's very young
She's very bright to die

Then so quickly, she stands up. Takes her shoes off in a lump,
She lays them down; lately she has drowned
Checks to see her room is neat. Making sure her clothes are clean,
Dying - death and dirty clothing puts you down

Looking outward through my pain
Looking through my windowpane
See her face turn into rain

Then so quickly she stands up. Crouches low, prepares to jump
Quite properly, pretending she's in gym shooting a basketball
Floating downward through the air. Remembering the state of her hair,
She falls, and nobody hears it at all

Looking outward through my pain
Looking through my windowpane
See her face turn into rain

Yes, dawn coming through the rain, it has washed her mind away
I went ahead and made my bed. Nothing really need be said
But she's dead
You can have it cause I don't want it
If you want it you can have it
I can't take it, I'm falling, I'm calling
Please, please help me, please help me
Every Woman's Song
Angela Aki/Janis Ian


Every woman is a story
Might not always have a happy ending
Every story has a history,
And the past is always worth remembering

To all the women who have gone before me
To all the women who are yet to come
We all have our separate stories
But from a distance, they are one

We are a rainbow of faces,
And a tapestry of songs
We all come from different places in this world
Though we are strangers when we meet,
We are sisters when we're done
We are beauty - we are mystery
We are one
We are every woman's song

Every woman is a journey
We are always right where we belong
Hearts can guide us, hearts can blind us
Still we carry on

So thank you to the mothers
And the daughters of my soul
To all the women I will never know
You have given me a voice that I can call my own
You are beauty - you are mystery
You are one
You are every woman's song

We are a rainbow of faces,
and a tapestry of songs
We all come from different places in this world
Though we are strangers when we meet,
We are sisters when we're done
We are beauty - we are mystery
We are one
We are every woman's song
I Am The One
Miriam Therese Winter/Janis Ian


I am the rays of the rising sun
Snow on the mountains of the moon
The far-flung canopy of stars
The shadows of late afternoon

I am the wisdom of the sage
I am the refuge of all who weep
I am the mother of all who live
I am the promises I keep

I am the one who sits with sorrow
I am the one who feels your pain
I am the hope of your tomorrow
When all is lost, I still remain
I am the one who will remain

I am the seed that longs to bloom
The river yearning for the sea
The heartfelt hope of every womb
I am the faith you place in me

I am the silence and the sound
The gentle rain that breaks the stone
I am the dream of love unbound
I am the way that calls you home

I am the one who sits with sorrow
I am the one who feels your pain
I am the hope of your tomorrow
When all is lost, I will remain
I am the one who will remain

I am the one who sits with sorrow
I am the one who feels your pain
I am the hope of your tomorrow
When all is lost, I will remain
I am the one. I still remain.



You're Too Late
Janis Ian/Kye Fleming


You're too late for my love
You're too late, I can't wait up another night
You can kiss my love goodbye
You're too late, you're too late, you're too late

The clock on the wall keeps ticking
but you don't even try to call
If you think I sit at home
waiting by the phone
Honey, this one time you're wrong

You expect me to be patient
You expect me to be calm
There's a limit to my love
You've already used it up
and I'm already half-past gone

You're too late for my love
You're too late, I can't wait up another night
You can kiss my love goodbye
You're too late, you're too late, you're too late

There's no light shining in my window
There's no key up above my door
I know it's hard to believe
but there's been a change in me
and I don't miss you any more

You're too late for my love
You're too late, I can't wait up another night
You can kiss my love goodbye
You're too late, you're too late, you're too late

Hope you're out there somewhere
with somebody new who'll help you settle down
'cause baby if you're coming back to me
you'll only find I'm not around

You're too late for my love
You're too late, I can't wait up another night
You can kiss my love goodbye
You're too late, you're too late, you're too late

Charmed I'm Sure

''As mulheres: bolas de sabão; o dinheiro: bolas de sabão; o sucesso: bolas de sabão. Os reflexos sobre as bolas de sabão são o mundo em que vivemos.”

Yukio Mishima, nascido Kimitake Hiraoka em Tóquio

 «Todo o santo dia bateram à porta. não abri, não me apetece ver pessoas, ninguém. Escrevi muito, de tarde e pela noite dentro. Curiosamente, hoje, ouve-se o mar como se estivesse dentro de casa. o vento deve estar de feição. a ressonância das vagas contra os rochedos sobressalta-me. Desconfio que se disser mar em voz alta, o mar entra pela janela. Sou um homem privilegiado, ouço o mar ao entardecer. que mais posso desejar? E no entanto, não estou alegre nem apaixonado. Nem me parece que esteja feliz. Escrevo com um único fim: salvar o dia.»

Al Berto


«Palmilhei capitais europeias. Sonhei nas terras úberes de África os mais puros, os mais ardentes sonhos telúricos. Nasci numa cidade sossegada com pedras do tempo dos romanos e Nossas Senhoras de todos os nomes. E não posso esquecer Paris – a sedução, o charme de Paris, na grandeza dos Campos Elíseos ou nas ruelas cosmopolitas e boémias de Saint-Michel. Tenho de lembrar o perfil dos monumentos de Londres por entre os véus do nevoeiro ou o chuvisco gelad. Tenho também de confrontar Angola com Macau para saber que há sangue e saber que há sono. Mas, acima de tudo, quero encontrar-me comigo.» – Estátua de Sal

Maria Ondina Braga

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 Conheço agora o tempo certo
dos abismos e a palavra indigente
da vida, e a exclusão e o ser
e a penitência e a culpa. e tudo
dura no meu corpo eterno, e eu
não posso amar sem amor
não posso sofrer sem dor.
Cinzas do nosso tempo os evidentes
abismos da dúvida e o absoluto.

De Beppe Salvia
Tradução de Tomás Sottomayor

Your Heart Is a Twisted Vine

''a fogueira das vaidades''

Pietà

 ''piedade ou tristeza''

Homoerotismo

 Al Berto, O ANJO MUDO,

Lisboa, Contexto, 1993



 Meio da Vida

Porque as manhãs são rápidas
e o seu sol quebrado
porque o meio-dia
em seu despido fulgor rodeia a terra
A casa compõe uma por uma as suas sombras
a casa prepara a tarde
frutos e canções se multiplicam
nua e aguda
a doçura da vida

Sophia de Mello Breyner Andresen, In Livro Sexto

''colecionador de intelectuais''

Satiríase

''Todos os artistas aprendem ao copiar. Começam por copiar esculturas, por copiar coisas que não se mexem.''

Janis Ian - Stars (live 1974)

 1 - CONTOS DA SÉTIMA ESFERA.

O meu primeiro livro. 1981. Numa pequena casa, Vega, na altura com certa projecção. O director editorial, escritor João de Melo, acolheu muito bem o original. Nasceu, em boa hora, uma amizade que tem perdurado. Diziam por aí que «contos não vendem». Mas este correu bastante bem. De editora em editora, até hoje, na Porto. Nem imaginam a sensação de gáudio quando apareceu uma crítica de João Gaspar Simões, no Diário de Notícias, que pôs o livro nos cornos da Lua. Em contrapartida haveria de desancar, desabaladamente, o meu segundo livro.

Mário de Carvalho

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

''higiene interior''

 Luís Galego

 ''Estes privilegiados das elites que transitam entre conselhos de administração de empresas que vivem de mão estendida para o Estado construíram a economia extrativista e extorcionista que temos. Viveram da dependência estatal. Promoveram a endogamia. Exploraram os que vivem do seu esforço. Pagaram salários de miséria.''

Miguel Prata Roque

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026


Josef Koudelka, Self-Portrait

 

Tempo 116.7 (Reaching for dangerous levels of sobriety)

Livros de Fotografia

Gypsies (Ciganos, 1975) 

Exils (Exilados, 1988)

Chaos (1999)


Josef Koudelka nasceu em 10 de janeiro de 1938 em Boskovice, na região da Moldávia, na Checoslováquia.

"Divisão de Veludo"



E as pessoas estão ausentes dessa felicidade? Fotografa-as cada vez menos…

Koudelka: ''Eu venho de um país comunista com uma estrutura de pensamento estalinista: faço divisões [risos]. Quando fotografo pessoas, uso uma máquina de 35 mm, quando fotografo paisagens, uso uma panorâmica, e gosto de estar sozinho, de não ver ninguém. Embora continue a gostar de fotografar pessoas, há hoje cada vez menos pessoas que me interesse fotografar.''


Em entrevista a Vanessa Rato do jornal Público, em 30 de junho de 2005, aquando da exposição Espelho Meu . Portugal visto por fotógrafos da Magnum / Mirror Mirror . Portugal as seen by Magnum Photographers, apresentada no Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, de 1 de julho a 28 de agosto de 2005, comissariada por Alexandra Fonseca Pinho e Andréa Holzherr; Koudelka fala sobre o seu método de trabalho e sobre ‘o que o faz correr’

Josef Koudelka, Portugal_ 1976


 

Alan Vega - "Magdalena 83"

'' a voltar a uma era do imperialismo despudorado''

''países de capitalismo autoritário''

Democracias liberais

''Uma boa fotografia não depende apenas de nós, depende de muitos factores. Eu diria que uma boa imagem é um milagre. Cristo é o grande artista.”

Josef Koudelka

Mental cage

 ''Os políticos iludem as responsabilidades que lhes cabem, refugiando-se na mentira, entrincheirando-se no embuste, camuflando-se de homens de bem.''

O Reviralho, órgão do comité revolucionário foi um jornal clandestino, publicado em 1927

Josef Koudelka, Henri Cartier-Bresson and his wife Martine Franck_ 1971.




 In 1971, renowned Czech photographer Josef Koudelka captured an iconic portrait of two of the most influential photographers of the 20th century, Henri Cartier-Bresson and Martine Franck. The image, a striking moment frozen in time, captures both figures at the height of their creative powers. Cartier-Bresson, often referred to as the father of modern photojournalism, was a master of the "decisive moment," a concept he famously coined, which emphasized capturing fleeting moments that reveal deeper truths about life and human nature.

Martine Franck, Cartier-Bresson's wife and a formidable photographer in her own right, joined Magnum Photos in 1980. Franck's work, known for its sensitivity and compassion, often focused on social issues and the dignity of human beings. This portrait, taken by Koudelka, showcases not only their shared legacy in photography but also their enduring bond as both creative partners and pioneers in visual storytelling. Franck's intimate, human-centered approach to photography resonated deeply with Cartier-Bresson’s principles, forming a rare and powerful partnership in the photography world.
Josef Koudelka, known for his striking images of displaced people and the 1968 Prague Spring, had an extraordinary eye for capturing poignant, often dramatic moments. His ability to reveal raw emotion and human struggle through his lens made him an ideal photographer to document Cartier-Bresson and Franck. This photograph, taken with a Leica camera, symbolizes the convergence of three legendary figures, each contributing to the development of photojournalism and documentary photography in profound and lasting ways.


Reviralhismo




Robert Mapplethorpe, Self-portrait, Manhattan, New York, 1975
with poster for Patti's "Horses" album, of which he was the photographer.

caserneiro

 nome masculino

militar que trata da conservação das casernasfaxina
adjetivo
1.
próprio de caserna
2.
pejorativo diz-se do militar graduado proveniente dos postos inferiores e que revela hábitos rústicos

 ''Os homens de carácter, os homens de honra, não mentem.''

''Os nossos políticos são demasiado cobardes para fazer alguma coisa.''


 


1.
chuvisco passageirolibrina, meruge, molinha
2.
popular bebedeiraembriaguez
3.
desordembarulho

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