terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

 ANTÓNIO RAMOS ROSA

ALBERTO BURRI
Vestuário ou pele
a ferida e a faca
a cicatriz na parede
um saco que se rasga um campo
uma costura um caminho de poeira
Entre o trabalho e o encanto
sem veemência
a carne da escrita
o vestuário remendado
sobre o corpo vermelho
Uma cor de ferrugem nas palavras
a terra a noite o fogo
Uma velha idade adormecida
um ardor subtil e violento
a incisão que rasga a pele antiga
para restaurar a integridade viva

António Ramos Rosa, 'A Nuvem sobre a Página', Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1978.

Emma Ruth Rundle - "Fever Dreams"

 


Pier Paolo Pasolini & Maria Callas
January 1970
''The aim of the dreamer, after all, is merely to go on dreaming and not to be molested by the world. His dreams are his protection against the world. But the aims of life are antithetical to those of the dreamer, and the teeth of the world are sharp.''

James Baldwin,
Another Country


“The dead are always with us, holding us in their sway.
We, the living,
are the exuberant and temporary anima of their departure.”

Nick Cave


''Almost anybody can learn to think or believe or know, but not a single human being can be taught to feel. Why?
Because whenever you think or you believe or you know, you’re a lot of other people: but the moment you feel, you’re nobody-but-yourself.
To be nobody-but-yourself — in a world which is doing its best, night and day, to make you everybody else — means to fight the hardest battle which any human being can fight; and never stop fighting.''

E.E. Cummings

Sede e morte

 I like darkness and confusion and absurdity, but I like to know that there could be a little door that you could go out into a safe life area of happiness.

David Lynch



 “No one will ever know
that we lived,
that we touched the streets with our feet
that we danced joyfully,
No one will ever know
that we gazed at the sea
from the train windows,
that we breathed
the air that settles
on the café chairs,
No one will ever know
that we stood
on the terrace of life
until the others arrived.”


Nino Pedretti, "Nobody Will Know"


Primo Levi, A UMA HORA INCERTA, tradução e posfácio de Rui Miguel Ribeiro, edição Edições do Saguão

 “Para ser sonhador falta-me o dinheiro.”

“Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares (Fernando Pessoa).

 “After you died I could not hold a funeral,

And so my life became a funeral.”
After you died I couldn’t hold a funeral,
So these eyes that once beheld you became a shrine.
These ears that once heard your voice became a shrine.
These lungs that once inhaled your breath became a shrine.

― Han Kang, Human Acts

"Depois que você morreu, eu não pude realizar um funeral,
E assim a minha vida tornou-se num funeral. ”
Depois que você morreu, eu não consegui realizar um funeral.
Então estes olhos que um dia te viram tornaram-se um santuário.
Estes ouvidos que um dia ouviram a tua voz tornaram-se um santuário.
Estes pulmões que uma vez inalaram a tua respiração tornaram-se um santuário.
― Han Kang, Atos Humanos

You're No Good



“To love. To be loved. To never forget your own insignificance. To never get used to the unspeakable violence and the vulgar disparity of life around you. To seek joy in the saddest places. To pursue beauty to its lair. To never simplify what is complicated or complicate what is simple. To respect strength, never power.
Above all, to watch. To try and understand. To never look away. And never, never to forget.”


Arundhati Roy, ‘The Cost of Living’

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

''una aceleración de la pobreza a edades avanzadas''

''paisagens sonoras inaudíveis – infrassons''


 Rostislav Kostal


Porque É Proibido Pisar Na Grama



Poema sobre a recusa
Maria Teresa Horta

 
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

 Fomos ausentes


A ternura também tem marés.


Ana Hatherly

 Preciso pontualmente do teu abraço,
assim que acerta o relógio
e nunca te esqueças de mim, 
pois estou sempre à tua espera,
no mesmo banco do jardim,
à hora dos pássaros.

Raquel Serejo Martins. Subúrbios de Veneza, Poética Edições.

engole-vento

Labiadas

No One Can Hear You Cry In Space


Lee Miller by Man Ray, 1929.



 

 ''Eu tinha fome e frio.
Mandaram-me correr,
como a um cão vadio.''


Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 71

 Quero deixar-te e não posso,
podes amar-me e não queres.
Há muito amor como o nosso,
como tu poucas mulheres.


Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 69

 « - Eu não sou nada, dizia ele. Os outros e mais eu é que somos alguma coisa.»

Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 69

''Ladraram-nos cães e ralharam-nos homens,''

Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 66


 

 ...De dia tudo são velhos
de noite cães a ladrar.


Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 66

 «(...), onde muitos mexem a sopa sai estragada.»

Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 65

''Fiquei triste como a noite.''

Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 48

I Can't See You


Ana Mendieta

 

Bloody Pleasures : Ana Mendieta’s Violent Tableaux .

Texte Angélique Szymanek

Les morts d’Ana Mendieta : suicide et meurtre

 ''Le 8 septembre 1985, l’artiste d’origine cubaine chute de la fenêtre du 34ème étage de l’appartement new-yorkais qu’elle partageait avec son mari, l’artiste Carl André. Lui seul était présent lors des événements. Dès lors, le récit s’appuie sur son appel au 911 :

Ma femme est une artiste et je suis un artiste, et nous avons eu une querelle sur le fait que j’étais, eh, plus exposé au public qu’elle ne l’était. Elle s’est rendue dans la chambre, je l’ai suivie et elle s’est jetée par la fenêtre[8].

Lorsque les policiers arrivent sur les lieux, la chambre du couple est en désordre et ils remarquent des traces de griffures sur le nez et les bras d’André. Il est inculpé pour meurtre (O’Hagan, 2013). Après trois années de procès, l’artiste est acquitté par manque de preuves.''


Ana Mendieta: la violence, le choc, la mort | Esthétique du choc

Ana Mendieta: la violence, le choc, la mort

Cette connexion entre la violence et la mort est l’élément essentiel de son œuvre Untitled (Rape scene) créée en réaction au viol et au meurtre d’une étudiante de 20 ans de l’Université d’Iowa, Sarah Ottens, en 1973. Comme le précise Ana Mendieta : « Lorsqu’une jeune étudiante de l’Université de l’Iowa a été retrouvée assassiné après avoir été brutalement violé… J’ai commencé à faire des performances et à placer des objets et des installations dans des lieux publics afin d’attirer l’attention sur ce crime et toutes les violences sexuelles[3] ».
 Bem, vejamos um pouco como floresces,
como te abres, de que cor tens as pétalas,
quantos pistilos tens, que truques usas
para espalhar o teu pólen e te repetires,
se a tua floração é lânguida ou violenta,
que porte tens, para onde inclinas,
se ao morrer apodreces ou murchas,
vamos então, eu olho, e tu floresces.

De Patrizia Cavalli
Tradução de Tomás Sottomayor

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

 Não me exijam
que diga
o que não digo
não queiram
que escreva
o meu avesso
não ordenem
que eu acene
o que recuso
não esperem
que me cale
e obedeça

Maria Teresa Horta, a Poeta desobediente

 "A minha voz é feminina, a minha escrita é de mulher."

Maria Teresa Horta, 20 de Maio de 1937 - 4 de Fevereiro de 2025
 “Nada mais de mim
haverá memória
-sei-
só os poemas darão conta
da minha avidez
da minha passagem
Da minha limpidez
sem vassalagem”

 


dissidente

“Em tons planos, mas grosseiramente escovados em total impasto, as paredes lilás-claro, o chão num vermelho quebrado e desbotado, as cadeiras e a cama amarelo-cromo, as almofadas e o lençol verde-limão muito claro, a colcha vermelho-sangue, o toucador laranja, o lavatório azul, a janela verde”, disse. “Queria expressar um repouso total com todos estes tons tão diferentes.”

Van Gogh
''Atrás da tua cabeça, em vez de pintar a parede comum deste apartamento miserável, pintarei o infinito”

Van Gogh

“Poets and Lovers”

Exposição “Poets and Lovers” da National Gallery de Londres, dedicada ao pintor pós-impressionista,Van Gogh , é “Starry Night” (1889).

idées fixes

''o defeito perfeito''


 

''a mesma ilusão que engana os olhos enche-o de desejo ''

NASÃO, Públio Ovídio. Metamorfoses. Cotovia, Lisboa. 2007, p.96.

Pele de ácaro desenrolada

 José Loureiro Pele de ácaro desenrolada, 2023.

indecidibilidade

reflexão amadurecida

Da desigualdade dos dias

Leonor Antunes

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

''Para a minha sede nenhuma água chega.''

cabeamento




Camisa em Poliestireno, 2001-2007, © Maria José Oliveira / Galeria Graça Brandão


Resíduos Vegetais com Jarro de Vinho Tinto

 Maria José Oliveira / Galeria Graça Brandão

Fronteira Líquida.

 Maria José Oliveira / Galeria Graça Brandão

Para Espaços Alquímicos (Nas Caves ou nas Altas Torres)

 Maria José Oliveira /  Galeria Graça Brandão

«As suas folhas brancas foram marcadas pelo café, exibem manchas de pingos, e as palavras, escritas frente e verso, falam da ligação de mãe e filho para além da vida.»

Manual de Instruções, Tubolagem, Maria José Oliveira, Lisboa: Galeria Graça Brandão, 2024.

«anti-joalharia»

«Quantos minutos tem a nossa vida?»

 Maria José Oliveira, Aventuroso, livro de artista, in Manual de Instruções, Tubolagem, Maria José Oliveira, Lisboa: Galeria Graça Brandão, 2024.

As You Like It

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025


 

Odetta - Waterboy

 «Nunca fui capaz de viver para as conveniências de qualquer espécie, mesmo que com isso a perca fosse maior do que o ganho.»

Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 45

« Eu acho que isto não é teimosia, porque não torcer, quando se tem razão, é saber o que se quer.»

 Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 37

''Tinha sede de me consumir''

 Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 37

 « Eu é que não me sentia bem. Pesava-me no peito a dúvida de ter feito mal. Por duas vezes estive para lhe contar o que fizera; por duas vezes calei a minha angústia.»

Alves Redol. Fanga. 12ª edição. Editorial Caminho, 1995., p. 35

 “These are my sanctuaries: music that stirs, nature that heals, poetry that whispers, and solitude that understands.”


Marina Tsvetaeva, in a letter to Boris Pasternak, Summer 1926



canavial

''bastos ciúmes''

floreira

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

domingo, 2 de fevereiro de 2025

 Maria Velho da Costa,1977 , Casas Pardas, obra-prima de filigrana intertextual

'' Suster como a branda cabeleira das árvores ferradas à terra sustêm a seiva e a aragem. Suster o desejo do par. Pelos caminhos menos retos prosseguirá a errância sem enlace aparente. Sobre o rastro vêm inscrever-se os mais antigos sinais de toda a trama e a perseguição. Eles derivam sobre o trilho esquivo da promessa impraticável, absortos como os deuses numa esperança mortal. Na provação sem palavras, indesistentes, eles são criados homem e mulher; silentes sob a garra e larguíssimo voo das grandes aves, do costume que agoniza, da lenda tão antiga de uma reparação que sangre. Contemplai como é povoado de trilos simples e cristais da memória dos povos o deserto do amor crescente, a travessia da culpa repartida, desigual. ''

monolinguismo


Sabine Weiss
Bulgarie,1994

 

 Enganam-se aqueles que pensam que a alma do povo é simples ou fácil. 

 João César Monteiro, entrevista ao Jornal Expresso

Veredas

 “talvez o filme seja muito marcado pela nostalgia do velho sonho arcádico de uma perdida idade do ouro”.

1978, João César Monteiro 

''o desatamento dos encantos''

O Amor das Três Romãs

 Meu príncipe, isto já não é o que era dantes. 


 Maria Velho da Costa, Cravo

 Nós não procuramos a verdade: procuramos a nossa Ariane. 


 João César Monteiro, A Comédia de Deus


 

''mulas encantadas''

 « - De onde vens?
- Deixa-me guiar os teus sonhos.»


Filme Veredas, João César Monteiro

''dívida de sono''

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

A Semente do Figo Sagrado

Filme que conta a história de uma família iraniana no pico da luta “Mulher, Vida, Liberdade”

''Através dos seus filmes, Mohammad Rasoulof tem sido um grande opositor da ditadura teocrática que rege a República Islâmica do Irão. Em 2010, o realizador foi preso depois de as autoridades iranianas irromperem pelo set de filmagem, sob a acusação de estar a filmar sem licença. Foi condenado a seis anos de prisão, mais tarde reduzidos para um ano. Em 2017, após realizar A Man of Integrity (vencedor da secção Un Certain Regard do Festival de Cannes), o seu passaporte foi confiscado e foi proibido de sair do país. Pelo mesmo filme, foi condenado, dois anos mais tarde, a um ano de prisão. Rasoulof voltou a ser detido no Verão de 2022, por apoiar os protestos que eclodiram após o desabamento de um prédio que provocou mais de quarenta mortos. Nesse período, testemunhou, com outros prisioneiros políticos, o início do movimento "Mulher, Vida, Liberdade", que se formou em protesto contra a morte da jovem Mahsa Amini.''


domingo, 26 de janeiro de 2025

I Hated The Day I Was Born

Une Femme est une Femme





 

OS TESTÍCULOS ESTÃO SEMPRE LÚCIDOS.

Adolfo Luxúria Canibal. No rasto dos duendes eléctricos (Poesia 1978-2018). Porto Editora, 1ª edição: Setembro de 2019., p. 9

credulidade excessiva

bisonha

 « E se fosses minha irmã eu lembrava-me de sofrer, lembrava-me de amar, e então amava de novo.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 74

« Não pensamos, suamos. Não temos de saber, mas de deixar ser. E nunca se está bem segura da diferença entre a arte e o embuste, entre o talento e a fraude, na nossa profissão.»

Maria Velho da Costa.
 Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 72

Viva La Muerte! - Mão Morta

 


 Libuše Jarcovjáková

 «(...), a cara desfeita de creme, o cheiro a podre das flores. Não fica nada, retratos, cartazes, álbuns. Só isso. (Dura): E cada noite é única, única como uma vida.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 72

 « Ficar velho de mais é uma forma de lepra, de cataclismo cósmico. Vão caindo pedaços, a memória, o sentimento, os dentes, pedacinhos de ossos

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 71

 « A PORTUGUESA: O nosso país tem lepra.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 71

capitosa

 «Lemos para sabermos que não estamos sós.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 69

''Qual é o pente que te penteia...''

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 57

Speak Low


 Cláudia R. Sampaio, VER NO ESCURO. Edição Tinta da China

 "Falta convicção aos melhores enquanto os piores estão cheios de apaixonada intensidade"

1926, poeta irlandês W.B. Yeats

 « Só se mente a quem se tem medo, Capitu, já assentámos isso.

CAPITU: Mentira, a gente mente por vergonha, por dó, por vaidade.

MARIA: Ora, tudo isso é medo. À Rosa nunca menti. Enfeitei, escondi. (...)»


Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 56

''seda de luto''

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 48

amantizar-se

Hank Crawford - Mr. Blues

beatices

 nome feminino

depreciativo devoção fingidahipocrisia religiosa

 «Deus só dorme quando lhe convém.

MARIA (altiva): Que quer, monstro?»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 46

 « Sempre te fizeste uma cagona! O meu adresse compra tudo, até a etiqueta. Pois não pariram as rainhas com a corte atrás do biombo?»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 44


                         Fotografia de António da Costa Cabral  
                          Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico

Groselha (O Sapato)

sanhaço

melodioso

grã-finagem

«A BRASILEIRA: Pombinhos, em pombal. Arrulhos, arrufos, presentinhos, passeios, (...)»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 38

maridinhos

'' a opinar e a arrastar a asa a D. Glória, a asa e o mais que fosse ''

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 37


 

 «(...) não é a alforria que tira o jeito de tratar.

(Pausa. Medita.) E de ser.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 36

 ''Rica, mas espiada de longe...''

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 36

mimosear

lampinho

 MARIA (seca): Meu avô acabara de falecer de desgosto. Ou ruindade, não sei.

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 32

The Art Of Easing

sábado, 25 de janeiro de 2025

''A mulher de azul''


Lisboa, 1984
Fotografia Nuno Félix da Costa

 

''Apóstolos da fealdade''

 ''mendigos aborrecidos a olhar para uma lata de conserva''

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

''aguaceiro escuro''

 Joan Didion. O Ano do Pensamento Mágico. 5ª Edição. Tradução de Hugo Gonçalves. Editora Cultura, 2021. p. 165

«Ele herdara um mau coração. Em algum momento, esse coração iria matá-lo.»


Joan Didion. O Ano do Pensamento Mágico. 5ª Edição. Tradução de Hugo Gonçalves. Editora Cultura, 2021. p. 158

''Lividez post-mortem''

 Joan Didion. O Ano do Pensamento Mágico. 5ª Edição. Tradução de Hugo Gonçalves. Editora Cultura, 2021. p. 155

domingo, 19 de janeiro de 2025

David Lynch & Lykke Li - I'm Waiting Here

 « MARIA (rindo): Ora, Capitu, os homens são todos cágados lascivos, e espumante foi feito para desatar línguas.

CAPITU (rindo): Não que a minha precise.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 31

'' a usura da domesticidade''

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 29

«E agora esta presumida, tão reparadona que é (...) »

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 22


Photographer Brandán Gómez

 

 ''E adiar traz a desordem, o caos, o afogamento na ressaca imunda.''

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 22

''Meninice mais mofenta!''

 Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 22

 « Isaura, a escrava Isaura, tão de levar e trazer, mais beata, carola e papa-missas que a dona que ma pôs lá a espiar.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 21

'' Sempre que procrastinei, me arrependi.''

 Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 21

 «Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.»

Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 17

''livros velhos, livros mortos, livros enterrados''

 Maria Velho da Costa. Madame. Sociedade Portuguesa de Autores. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1999., p. 17

Isabella Rossellini - Blue Velvet


Photographer Brandán Gómez

 

 «                                          passava os dias a escrever
cartas     numa esplanada de velhos na baixa     que o pai atirava
para o carvão em brasa     das sardinhas por assar    andava de bicicleta
descalço à chuva      e não consta que tivesse namorada      fugiu
um dia para o estrangeiro     que aquela terra  não dava nada      eu
queria ter ido com ele mas nunca tive coragem       guardei-lhe uma caixa
com as cinzas da infância       um momento dramático para iniciados
berlindes e fruta              numa situação descontrolada                       »

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 62

tarola

''amordaçada pela neurose materna''

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 61

«                                                              tu pensas que vais foder
a coninha              mas quem te fode é ela            »

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 60

ninfódromo

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 60

'' e envelhecer pardo à lareira''

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 58

David Lynch 'Are You Sure'

Une Femme est une Femme




 

''galinhas azuis a subir e a descer escadas''

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 57

lapalissada

«                                      um coração mais frágil
entre guerras »

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 54

sidoso

'' o passado dos nossos pais descalços''

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 53

''fascinados com o interior misterioso dos soutiens''

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 52

David Lynch - The Air Is On Fire

 


                         Daido Moriyama

marmoreado

«                                                    não faltavam especialistas       de
grande reputação na praça            a ensinar em horário nobre »

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 50

''ressaca de cravos''

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 50

sábado, 18 de janeiro de 2025

'' a fome é um líquido amargo na boca''

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 49

Book trailer - Clarice Lispector Todas as Crónicas

'' o próprio dia era uma tempestade de facas''

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 46

'' os ossos numa osteoporose de formigas ácidas''

 Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 46

«                                                      uma borboleta de asas
tristes    usada invisível à lapela         »

Valério Romão. Mais Uma Desilusão. Abysmo, Lisboa, 2024., p. 44

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