assim o seu coração
se ocultava do dia
コカインの時間を介しての旅です
José Tolentino Mendonça. A Noite Abre Meus Olhos. 4ª Edição, Assírio&Alvim, Porto, 2021. p. 53
José Tolentino Mendonça. A Noite Abre Meus Olhos. 4ª Edição, Assírio&Alvim, Porto, 2021. p. 48
José Tolentino Mendonça. A Noite Abre Meus Olhos. 4ª Edição, Assírio&Alvim, Porto, 2021. p. 13
José Almada Negreiros. Teatro Escolhido. Deseja-se Mulher. Edição de Fernando Cabral Martins e Luís Manuel Gaspar. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2017., p. 56
« ELA - Esta sou eu: a que teve a alegria de poder consentir-te. A que tinha medo, medo de estar sozinha e sem consentir dar-se a ninguém. A que te dei foi a única com quem se vive e se sonha alto. Para sempre. Eu não me enganei. Tu, sim.»
« ELA - Se consinto, não me querem. Se não consinto, querem-me. Consenti. Dei-me. Estou dada. Dada a quem não me recebe. Para onde querem que eu vá fugindo de mim sozinha? Tu consentiste que eu te quisesse. Não te prendas comigo. Segue o teu caminho. Só te peço não me digas palavras que te mintam. »
José Almada Negreiros. Teatro Escolhido. Deseja-se Mulher. Edição de Fernando Cabral Martins e Luís Manuel Gaspar. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2017., p. 47José Almada Negreiros. Teatro Escolhido. Deseja-se Mulher. Edição de Fernando Cabral Martins e Luís Manuel Gaspar. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2017., p. 42/3
«A Vampa que fala em público não é a mesma com um particular. O seu tique pessoal, quando fala a uma só pessoa, é confidencial, amaneirado à fadista, dando a cada palavra importância que por vezes não tem.»
José Almada Negreiros. Teatro Escolhido. Deseja-se Mulher. Edição de Fernando Cabral Martins e Luís Manuel Gaspar. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2017., p. 41Layla Martínez. Caruncho. Tradução Guilherme Pires. Antígona, 2024., p 17
Layla Martínez. Caruncho. Tradução Guilherme Pires. Antígona, 2024., p 17
« Na cozinha a velha tinha acendido o lume para lhe pedir qualquer coisa. Alimentava o fogo com ervas daninhas secas com caruma com papéis velhos. Tudo em pedacinhos para que o lume não ficasse guloso. Observava-o e sussurrava-lhe coisas. As rezas caíam-lhe dos dentes sem que eu as ouvisse mas eu sabia que ela pedia a Santa Bárbara decapitada pelo pai no cimo de uma montanha a Santa Cecília banhada em água a ferver a Santa Maria Goretti assassinada quando a tentavam violar a todas as santinhas mortas pelas mãos de homens raivosos.»
Layla Martínez. Caruncho. Tradução Guilherme Pires. Antígona, 2024., p.16
«E a minha avó deixou de rezar porque quem quereria que quatro louva-a-deus com enormes olhos e pinças na boca lhe surgissem na cama da filha? Agora rezamos a eles porque temos medo que trepem para o telhado e enfiem as antenas e as patas compridas pela chaminé.»
Layla Martínez. Caruncho. Tradução Guilherme Pires. Antígona, 2024., p.9
«- Mas estas coisas do amor não são equilibradas nem simétricas como o pretendem determinados tratadistas. Tanto assim é que a mulher sabe perfeitamente melhor o efeito que produz nos homens do que o homem nas mulheres. Porquê? Parece tão parva a pergunta como o de querer saber a razão de ser a mulher mais fraca do que o homem. É assim, e pronto! De modo que, conclusão: aquele que souber melhor o efeito que produz nos outros leva de facto esta vantagem sobre os outros.»
José Almada Negreiros. Nome de Guerra. Livros RTP. Editorial Verbo. p. 55
« A vida para ela era uma luta constante, ofensiva e defensiva, sem tréguas, sem repouso mais do que no dormir. E os seus próprios sonos não eram um repouso, a agitação continuava como se fosse o seu estado normal, como se fosse o próprio bater do coração em sinal de vida. O sono para ela era cair fulminada pelo excesso e pela fadiga. Apenas acordava, tudo lhe era hostil em redor. Os móveis do quarto, o vestido que despira ao deitar e que ficara metade no chão e metade na cadeira. os sapatos distantes um do outro, o chapéu na maçaneta da cama, as recordações da véspera, o sol a querer por força entrar pelas frinchas, o movimento da cidade que se ouvia lá fora, o dinheiro espalhado no mármore do toilette, o estômago, a bronquite, tudo, tudo contra ela, tudo lhe gritava, a uma, a mesma palavra: Guerra!»
José Almada Negreiros. Nome de Guerra. Livros RTP. Editorial Verbo. p. 48José Almada Negreiros. Nome de Guerra. Livros RTP. Editorial Verbo. p. 38/9
«Sem lápides, sem chumbo, sem jazigo; | caixão de tábuas, derradeira casa, | onde repousarei, frágil abrigo, | até me libertar num golpe de asa. || Então, quando estiver a sós comigo, | que ninguém chore porque o choro atrasa, | mas que alguém, se quiser, num gesto amigo, | ponha roseiras sobre a campa rasa. || Será medo o que sinto? Não é medo. | Serei, não serei digna do Segredo? | Ah, meu Deus, para lá das nebulosas, || Mereça ou não a expiação, a dor, | entrego-Te a minha alma sem temor. | O que resta, o que sobrar, é para as rosas.»
Fernanda de Castro, «Testamento», em "70 Anos de Poesia", 1989.
Fernanda de Castro, no livro, "África Raiz" (1966):
África, no teu corpo rugem feras, uivam fomes e medos ancestrais, no teu sangue há marés, na tua pele há dardos e punhais.
Ventre de Continentes, és mater e matriz.
Ásia é semente, Europa é flor, outros serão essência ou tronco, tu, África, és raiz.
[...]
O África dos dias incendiados, o veneno do sol que te envenena é que te faz assim, bárbara, impura, sanguinária e morena.
Mas tão pura, tão cândida também!
Ó África madrasta, África Mãe! [pp. 9, 99]
Vasco Gato, ''IMO'' no livro ''Contra Mim Falo''/Poesia Reunida (ed.Imprensa Nacional - Casa da Moeda).
ANTÓNIO LOBO ANTUNES, in AS CRÓNICAS (D. Quixote, 2022)
The secret of a full life is to live and relate to others as if they might not be there tomorrow, as if you might not be there tomorrow. It eliminates the vice of procrastination, the sin of postponement, failed communications, failed communions. This thought has made me more and more attentive to all encounters. meetings, introductions, which might contain the seed of depth that might be carelessly overlooked. This feeling has become a rarity, and rarer every day now that we have reached a hastier and more superficial rhythm, now that we believe we are in touch with a greater amount of people, more people, more countries. This is the illusion which might cheat us of being in touch deeply with the one breathing next to us. The dangerous time when mechanical voices, radios, telephones, take the place of human intimacies, and the concept of being in touch with millions brings a greater and greater poverty in intimacy and human vision. ~Anaïs Nin
“I can never read all the books I want; I can never be all the people I want and live all the lives I want. I can never train myself in all the skills I want. And why do I want? I want to live and feel all the shades, tones and variations of mental and physical experience possible in my life. And I am horribly limited.”
Project: To the unpopular girls
“A reaction. That’s probably what we were looking for. Depending on your reaction, we indirectly evaluated whether it was worth continuing or not. When you responded like you did, we evaluated that you were an easy victim.”
Through conversations with the bullies of my early teenage years, I’m trying to get a better understanding of a time period of my life. The project is driven by my curiosity to get to know what drove my bullies and how they reflect on that time period, and I’m seeking answers to the questions I’ve been asking myself throughout the years.
‘To the unpopular girls’ (2021) is a personal project about identity that explores social dynamics in my childhood. For this project I asked eight of my bullies if they wanted to meet me for a conversation and for a photo session too. The project takes form as a book and is built of interviews, portraits and archive material such as screenshots, photographs and paintings. Today the bullies are not involved in my life but I’m still sometimes nervous that they will start commenting on my photos or show up when I have to talk in groups. I spend a lot of time wondering who they are and what they come from. And do they remember me?
As a documentary photographer I’m interested in social dynamics and power structures in society and everyday life. I’m often pointing my attention towards eyes, hands and silent people, and both as a photographer and a person I find it interesting to visit places I’ve been before to see how things and our perceptions changes during time.
Gabriel García Márquez. Doze contos peregrinos. Conto ''Surpresas de Agosto (1980)'' Tradução Miguel Serras Pereira. Publicações Dom Quixote, 1992., p. 121
Gabriel García Márquez. Doze contos peregrinos. Conto ''Surpresas de Agosto (1980)'' Tradução Miguel Serras Pereira. Publicações Dom Quixote, 1992., p. 121
SEIS POEMAS CONFIADOS À MEMÓRIA DE NORA MITRANI - VI
A que vens, solidão, com teu relógio