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terça-feira, 18 de março de 2014

A ILHA DA GRANDE SOLIDÃO

(Excerto do poema)
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Altas horas acordo em sobressalto
na cabana de troncos mal cortados:
são uivos dos lobos e do vento,
misturados.
Um leve raspar de unhas na janela,
e lá vou eu, descalça e apavorada,
de candeia na mão,
abrir a porta a alguém
que entra, silencioso,
trazendo o vento, a noite, os lobos,
as aves assustadas,
e o fumo da giesta,
das estevas queimadas.
É um deus da Floresta.
É o deus da Floresta.
Depois, mais nada.
E embora o sonho se repita,
ano a ano,
jamais pude entender por que razão
eu me levanto
àquela hora morta
da ante-madrugada,
para lhe abrir a porta,
descalça e apavorada.
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Fernanda de Castro Antologia da Poesia Feminina Portuguesa - António Salvado., p. 190/1

segunda-feira, 17 de março de 2014

«fecha os olhos a todo o sofrimento
e terás feito a carne do teu verso.»

                                            («Daquém e Dalém Alma»)

«Daquém e Dalém Alma» (1935)

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