domingo, 5 de abril de 2026

 Joaquim Manuel Magalhães / Ana Marchand, 'Ave de Partida', orientação gráfica de Paulo da Costa Domingos, Lisboa, Frenesi, fora do mercado, 1981




Nada me prendeu. Abandonei-me todo e fui.

 Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 97

 «Volta muitas vezes e toma-me na noite,
quando os lábios e a pele se recordam...»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 91
 « Vou deter-me aqui. Na ilusão de que é isso que vejo
(e, na verdade, vi, um instante, ao chegar)
e não também aqui as minhas fantasias,
minhas recordações, imagens do prazer.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 83

O dia pesa em mim.

 « O dia pesa em mim. A sua forma
não cessa de ensombrecer.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 81

Tentativa de Esgotamento (depois do adeus)

Livro de fotografia, Daniel Blaufuks
2025


Green-House - Six Songs for Invisible Gardens (full album 2020)


 


                                              Planalto do Barroso, Montalegre, década de 50.


Artur Pastor
Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa.

 «É um velho. Exausto e derrotado,
arruinado pela idade e os excessos,
a passo lento segue pelo beco.
Mas ao entrar em casa pra esconder
a miséria e a velhice, põe-se a meditar
no quinhão que inda tem por entre a gente nova.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 79

''não temerei, como um cobarde, as minhas paixões''

 Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 75

 (...)
«tanta tensão de frases em língua grega,
deixaram tão exausto o poeta, que agora já
qualquer coisa o fatiga.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 73
 «Como tereis ouvido não sou um principiante.
Muita pedra passou pelas minhas mãos.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 67

'' na flor da robustez da carne''

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 63

Francesca Woodman by Douglas D. Prince_1976

 


''língua helénica''

E não me venhas com as tuas lérias

 

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 61

''púrpuras vestes''

clâmide


nome feminino
manto rico usado pelos antigos e preso no ombro por um broche

 

                                                                   Salih Basheer / Magnum Photos

''ferida moral''

 « Não como um rei, mas como um actor, trocou por vestes
escuras os trajes da tragédia e desapercebido se retirou.»

PLUTARCO, Vida de Demétrio


 «Disso não verás nunca no caminho,
Se o teu pensar guardares alto,»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 35

« Um mês sem oração.»


 

 Diálogo final do filme ‘Hiroshima mon amour’ de Alain Resnais
Roteiro e Diálogos de Marguerite Duras.


- Personagens - Emmanuelle Riva / Ela & Eiji Okada / Ele
Diálogo na cena final
[...]
Quem és tu?
Tu matas-me
Eu tinha fome
Fome de infidelidade, de adultério, de mentiras, e de morrer…
Sempre tive.
Não tinha dúvidas que te atravessarias no meu caminho um dia…
Esperei calmamente por ti com uma paciência infinita…
Devora-me.
Deforma-me à tua imagem de modo a que ninguém possa depois entender a razão de tanto desejo…
Vamos ficar sós, meu amor.
A noite nunca acabará. O dia não voltará a romper para ninguém nunca mais. Por fim.
Ainda me matas. Dás-me prazer
Choraremos o dia defunto com consciência e boa vontade.
Não teremos mais que fazer do que chorar o dia defunto.
O tempo passará.
Só o tempo.
E, chegará o tempo em que não poderemos mais nomear o que nos une.
O nome apagar-se-á pouco a pouco das nossas memórias até se desvanecer por completo.


Lembrar Marguerite Duras, pseudónimo de Marguerite Donnadieu (Saigon, atual Cidade de Ho Chi Minh, 4 de abril de 1914 — Paris, 3 de março de 1996)

Katia Berestova

 


 8 
MONOTONIA
(1908)

A um dia monótono outro dia
monótono também se segue. Dá-se
o mesmo, sempre, e uma e outra vez -
os instantes, os mesmos, vêm e vão.

Um mês passa e traz outro mês.
O que vem, qualquer um facilmente adivinha:
é esse aborrecido ontem,
e o amanhã já nem parece um amanhã.

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 33
  (...) 
«numa bandeja ensanguentada,
a cabeça do mísero Pompeu.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 31
 « Se és um dos verdadeiramente eleitos,
o teu império, cuidado com o que alcanças »

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 31
 (...)   «Lê já isto,
é coisa capital que a ti te diz respeito»,
não deixes de parar; não deixes de adiar
conversas e negócios. Não deixes de te afastar
de quantos se prosternam para te saudar
(mais tarde os hás-de ver); que guarde até 
o próprio Senado; e trata logo de ler
o grave escrito que te traz Artemidoro.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 25

 




Sinais de Fumo

 Programa de Rádio.

Pedro Costa, Antena 3

«Dê-me também, se quiser, a oportunidade de falar; mas, caso contrário, envie alguém para tomar meu corpo, porque minha alma não pode ser tomada. Não, você não pode sequer tomar meu corpo, porque não me matará, já que afirmo que não sou mortal.»

Tratado Contra a Vida de Apolônio de Tiana
"um raio caiu sobre a mesa e partiu em dois o copo que ele tinha nas mãos perto dos lábios".

''Alguém que não é ninguém.''

''Filósofos nus''

''sábio errante''

Túnica de linho

Shirin Neshat

 


aziago

 (...)

«Mas do que há-de ser, os sábios apercebem
o que se avizinha. O ouvido deles

em horas de grave estudo,
se sobressalta.»

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 23
 «Pois sabem os deuses o que há-de ser; os homens,
o que está a ser, e os sábios, o que está para ser.»

FILÓSTRATO, Vida de Apolónio de Tiana, 8.7.


Busca tua alma outras coisas, por outras chora

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 21

E que horrível é o dia em que cedes

Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 21

pessoa magnânima

 1
A CIDADE
(1910)

Disseste « Vou pra outra terra, vou pra outro mar.
Haverá por aí melhor cidade certamente.
Será malogro, está escrito, tudo o que aqui tente
e o meu coração - como morto - enterrado aqui jaz.
Por quanto tempo há-de minh'alma em podre paz?
Pra todo o lado olhei, em todo o lado vi
ruínas negras dessa vida que vivi,
que tanto tempo aqui desperdicei a dissipar.»

Novo lugar não vais acabar, nem achar novos mares.
A cidade vai-te seguir. Ruas vais percorrer,
serão as mesmas, e nos mesmos bairros hás-de viver,
nas mesmas casas ficará de neve o teu cabelo.
Hás-de ir ter sempre ao mesmo sítio, sem qualquer apelo.
Para outro lugar não há navio ou caminho
e estragares a vida tu neste cantinho
é pois igual a nesse largo mundo a dissipares.


Konstantinos Kaváfis. 145 Poemas. Tradução Manuel Resende. FLOP, Outubro, 2017., p. 19

insone

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