domingo, 31 de agosto de 2025
sábado, 30 de agosto de 2025
terça-feira, 26 de agosto de 2025
New York Lower East Side - Maxwell Bodenheim
Sol
Me volví viento entre los árboles
y el caminar de un extraviado.
La voz del tiempo
fue un arroyo en la montaña
fueron las aves de tu atardecer
y todo lo vivido en este invierno.
Hoy caminé entre nubes
y fuiste un susurro
que recorrió mi cuerpo
como el último estremecimiento.
Todo a tu paso fue vida
y todo tu silencio
la fragilidad de un instante.
Tu generosidad fue reconocer
-en el viento, en sus cambios,
en tu forma de persistir-
el suave calor en mi piel
el latido que sigue las nubes de tu cielo.
Consagración
A la fragilidad
Al tiempo quebrándose en las mañanas
A la desnudez de la piedra
A la urgencia que apremia a los ratones
Al denso color de la noche aceptando su derrota
Al sol frío
Al que busca arroparse
A la incertidumbre que deja un primer beso
A lo que esconden las ciudades
Al silencio de los amantes
A las flores que nacen de noche y mueren de día
A la huella del mar en la arena
A Dios en un pan
Al hombre encarcelado
Al paso de un éxodo
A la imperiosa necesidad
de estar amaneciendo
me consagro.
Poema de Max Echeverría Burgos
Há maridos que são cabritos
''São os maridos cabritos, uma espécie que salta muros, sempre em busca de pasto verde, ignorando a pastora, que mal o apanha nos braços, o afaga, tratando-o como o bebé que é. Lava-lhe a roupa, seca, estende, prepara as refeições e de noite, ensaia algumas acrobacias desajeitadas, para que o cabrito não sonhe pular a cerca. Parece um discurso do passado, mas ainda há muitos maridos cabritos por aí e muitas pastoras prontas a acolher e a venerar estes bichos.''
https://www.publico.pt/2025/01/03/impar/cronica/ha-maridos-sao-cabritos-2117526?fbclid=IwY2xjawMZ7ItleHRuA2FlbQIxMQABHoZ9lMaPnep1PS8pQn1bisLLk_PVnIZchZlLTXI3KNFx32ZoNLjwor9yrf7z_aem_jokc9V5IqOP_aIYrAbtrQw
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
domingo, 24 de agosto de 2025
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
“Precisamos de mais cabras nos montes e de menos cabrões nos gabinetes.”
A lucidez do cidadão anónimo.
I'll Take Care Of You
I can tell by the way you carry yourself
But if you'll let me, here's what I'll do
I'll take care of you
So you see, I know just what you've been through
So if you'll let me, here's what I'll do
I got to take care of you
You won't ever have to cry
I'll be there beside you
To dry your weepin' eyes
'Cause there's no doubt in my mind
I know what I want to do
And just as sure as one and one are two
I just got to take care of you
I'll take care of you
I'll take care of you
“Quero ser João de Deus”
"As cabras sobem encostas, mastigam mato seco, equilibram-se nas pedras como bailarinas precárias, ajudam-nos a tratar do planeta. Não enganam ninguém.
Os cabrões de gabinete engolem-nos em formulários, em decisões arbitrárias, em promessas nunca cumpridas, em corrupções nunca castigadas. Vivem do engano.
Já estive rodeado de cabrões engravatados. Saí sempre a perder. O mato regenera-se; a confiança não.
Uma cabra no monte faz mais pelo mundo do que dez cabrões atrás de uma secretária ou de um púlpito.
Antes o som de uma cabra a mastigar do que o de um cabrão a falar."
Pedro Chagas Freitas
Morrer de amor
ao pé da tua boca
à pele
do sorriso
de prazer
com o teu corpo
se por preciso
“Como um sonho acordado” (Fausto), com Adolfo Luxúria Canibal
Inteirinha atrás de mim
O medo ronda-me os sentidos
Por abaixo da minha pele
Ao esgueirar-se viscoso
Escorre pegajoso
E sai
Pelos meus poros
Pelos meus ais
Ele penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas
Entre as vísceras mordendo
Salta e espalha-se no ar
Vai e volta
Delirante
Tão delirante
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo
A deslizar de uma larva
Emergindo lá no fundo
Tenho medo ó medo
Leva tudo é tudo teu
Mas deixa-me ir
Arrasta-me à côncava do fundo
Do grande lago da noite
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada
Esfaimada
Atrás de mim
Atrás de mim
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado
Desventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante
Meu amor quando eu morrer
Ó linda
Veste a mais garrida saia
Se eu vou morrer no mar alto
Ó linda
E eu quero ver-te na praia
Mas afasta-me essas vozes
Linda
Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E p'lo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo
Como te tremem as carnes
Fernão Mendes
O mundo sempre esteve na mão dos que têm muito dinheiro.
''Um país que não lê, é um país que não pensa. Que não desenvolve pensamento crítico. Que se submete ao pensamento do outro. A direita sempre desprezou as coisas da cultura e das artes, porque a cultura e as artes são uma chatice. Fazem perguntas. Denunciam. Gritam. Apontam o dedo. Não têm medo. Agora, além da cultura, isto é um ataque à educação. Estive a ler o projecto que deseja substituir este. Ar. Só tem ar lá dentro e generalidades. Mais nada. Ou seja, queremos novas gerações agarradas aos telemóveis, a consumir tik tol e a acreditar em tudo que lhes colocarem à frente. O mundo sempre esteve na mão dos que têm muito dinheiro. O estado social que vingou a seguir à segunda guerra mundial está a ser atacado por todos os lados. Porquê? Porque os senhores com muito dinheiro e que não se cansam de ter mais dinheiro ainda, querem uma população subserviente e consumidora. Só isso. E de preferência, que não faça perguntas. Nenhumas. Nem pense.''
Vicente Alves do Ó, cineasta português






