[…] João de Deus é um sacana lúcido, que transforma a idiotia numa figura essencial de intercurso poético com o mundo. Ele acredita, e deveríamos todos acreditar, na fórmula de Pushkin: "Toda poesia tem que ter um quê de estupidez". O nome mais comum do mundo, João, somado à maior "personagem" do imaginário ocidental, Deus, só poderia resultar nesse ser mundano e vulgar que, uma vez presenteado pelo céu, assume uma nobreza que lhe parece, no fundo, inata. Mas Deus quis que João fosse rico por quê? Para que ele não sujasse o reino dos céus? Ou por reconhecer nele seu projeto mais bem acabado? Vistos em conjunto, A Comédia e As Bodas de Deus fornecem, através de uma escrita muito original, um ensaio político-erótico sobre a civilização ocidental – do cristianismo ao marxismo, do atávico ao dessacralizado, da dialética à distopia –, no que o fato de estarem entre os filmes mais engraçados da história só pesa a favor, naturalmente (levando em conta qualquer relação possível com o cinema). […]
Luiz Carlos Oliveira Jr. – “Quero ser João de Deus”
In contraponto – revista de cinema
*
Sinopse:
As Bodas de Deus" é um filme português de 1999, dirigido por João César Monteiro, que narra a história de João de Deus, um marginal que recebe uma mala cheia de dinheiro de um enviado de Deus. Com essa fortuna, ele tenta ascender socialmente, mas acaba envolvido em situações absurdas e criminais, sendo julgado e preso. O filme é uma comédia satírica e provocadora, explorando temas como a fortuna, a moralidade e a relação entre o homem e o divino.
Sinopse detalhada:
João de Deus, após perder todo o seu dinheiro no filme anterior, "Recordações da Casa Amarela", aparece como um vagabundo em um parque, onde encontra um enviado de Deus. O enviado lhe entrega uma mala cheia de dinheiro, dando início a uma série de eventos hilários e absurdos. João, com a nova fortuna, tenta entrar na alta sociedade, envolvendo-se em jogos de azar, conhecendo a alta sociedade e a princesa Elena, que foge com seu dinheiro.
A história segue com João sendo preso por posse de material de guerra, fruto de suas atividades criminosas. Durante sua prisão, ele encontra o enviado de Deus, que se apresenta como Cristo após a Ascensão e nega ter lhe dado o dinheiro. João é julgado, condenado e preso, mas encontra apoio em Joana, uma jovem que havia conhecido antes, e que o espera quando ele é libertado. O filme termina com João e Joana partindo juntos, marcando o fim da comédia.
"As Bodas de Deus" é conhecido por seu humor negro e provocador, com o qual João César Monteiro critica a hipocrisia da sociedade e a busca desenfreada por dinheiro e status.


Sem comentários:
Enviar um comentário