domingo, 11 de outubro de 2026

As mãos pressentem...


As mãos pressentem a leveza rubra do lume 
repetem gestos semelhantes a corolas de flores 
voos de pássaro ferido no marulho da alba 
ou ficam assim azuis 
queimadas pela secular idade desta luz 
encalhada como um barco nos confins do olhar 

ergues de novo as cansadas e sábias mãos 
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e 
o amargor húmido das noites e tanta ignorância 
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva 
quase nada 

Al Berto

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