Tu chamas por mim vezes sem conta
Trazes-me me o café da manhã
Para despertar o meu corpo
Embrulhado num sonho
Irredutível.
Pena estar a perder
Uma manhã destas
Murmura o teu bom feitio.
Pena mesmo é perder
O fim da história
E levantar- me de olhos
Remelosos
Para ir caminhar o quotidiano.
Acordo a meio do Outono
Com o eu indeciso
Entre o sono
e a crença
nos estudos
duvidosos
Que fazem de mim mais
Inteligente
Por gostar de dormir
Sine hora
Talvez um dia
Os deuses
Pelo menos
Uma vez na
Vida
Resolvam despertar- me
Bem cedinho
Com açoites luminosos
De felicidade.
Ana Margarida Gomes Borges

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