segunda-feira, 21 de setembro de 2026

ENTRE O SONO E O OUTONO



Tu chamas por mim vezes sem conta
Trazes-me me o café da manhã
Para despertar o meu corpo
Embrulhado num sonho
Irredutível.

Pena estar a perder
Uma manhã destas
Murmura o teu bom feitio.

Pena mesmo é perder
O fim da história
E levantar- me de olhos
Remelosos
Para ir caminhar o quotidiano.

Acordo a meio do Outono
Com o eu indeciso
Entre o sono
e a crença
nos estudos
duvidosos
Que fazem de mim mais
Inteligente
Por gostar de dormir
Sine hora

Talvez um dia
Os deuses
Pelo menos
Uma vez na
Vida
Resolvam despertar- me
Bem cedinho
Com açoites luminosos
De felicidade.

Ana Margarida Gomes Borges

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