Lembra-te dos banhos em que foste afogado
Acordei com esta cabeça de mármore nas mãos
que extenua os meus cotovelos e não sei onde
pousá-la.
Ela tombava no sonho enquanto eu saía do sonho
a nossa vida uniu-se e será muito difícil separar-se
de novo.
Vejo os olhos; nem abertos nem fechados
falo à boca que continuamente procura falar
seguro as maçãs do rosto que ultrapassam a pele.
Já não tenho força;
as minhas mãos perdem-se e aproximam-se de mim
mutiladas.
Yorgos Seferis. Poemas Escolhidos. Trad. de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratisinis. Relógio D'Água, Lisboa, 1993., p.23
Beatriz gostei muito da metáfora no início deste poema, com a cabeça de mármore, densa, pesada, a extenuar cotovelos. continua fantástico este seu espaço.
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