dəmuˈkritikuコカインの時間を介しての旅です
''A luta política, entretanto, jamais excede a disputa pelo poder, pelo estatuto, pelo pedestal/trampolim; e o poder é apenas visto como apropriação da regalia, ostentação da vaidade, usufruto do mero poleiro na gaiola. De tal modo, que o poder, doravante, é apenas "estar no poder". Já não é sequer meio para determinado fim segundo preliminar causa: É, mais uma vez, fim e causa em si mesmo - uma forma estritamente burguesa de conforto, uma masturbação social, um fetishismo político. Em bom rigor, nada mais que bacoco desfile, show-off, exibição. Não há qualquer projecto ou projecção para lá do "estar no poder". Tudo se esgota nesse aparecer enquanto se pode, e nesse tudo fazer para estar o mais possível. Esvaziado da sua essência, fica o poder reduzido a mera aparência de poder, simulacro de governação, fazer de conta. Assim, o Poder "Democrático", tal qual se exibe - de imitação barata (mas financiada a peso de ouro) - nas nossas paragens, constitui dupla vacuidade e redundância: ambos, o poder e a sua forma (a "democracia") na ausência mútua, reiterada e compulsiva de princípios e fins, confinam-se a meios absolutos, e tornam-se não modos de servir à comunidade, mas expedientes para se servirem dela. Pelo que, a finalidade do poder não é fazer qualquer coisa em prol do país: é apenas fazer do país estância. Albergue. Hospedaria. As eleições pouco ou nada definem (e ainda menos implementam), de qualquer programa minimamente efectivo para a vida do quadrienalmente lambuzado povo: apenas determinam quem vai "estar", e de que modo, hospedado no erário público nos próximos quatro anos. ''
Via Dragoscópio
« Um escritor que só pode ser compreendido por algumas pessoas não chega a ser inteiramente um escritor.»
Sophia de Mello Breyner Andresen. Prosa. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2021., p. 31
« É um lugar profundamente imoral porque tem qualquer coisa morta em si. É como se houvesse qualquer coisa que impedisse as pessoas de se cumprirem, que as condenasse à falência, ao desencontro, à insatisfação.»
Organização e Prefácio de Carlos Mendes de Sousa.
Sophia de Mello Breyner Andresen. Prosa. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2021., p. 25
Organização e Prefácio de Carlos Mendes de Sousa.
Sophia de Mello Breyner Andresen. Prosa. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2021., p. 25
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 382
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 365
« Tendo nascido para trabalhar, seria uma contradição abusarem do descanso. A melhor máquina é sempre a mais capaz de trabalho contínuo, lubrificada que baste para não emperrar, alimentada sem excesso, e se possível no limite económico da simples manutenção, mas sobretudo de substituição fácil, se avariada está, velha outra, os depósitos desta sucata chamam-se cemitérios, ou então senta-se a máquina nos portais, toda ela ferrujosa e gemente, a ver passar coisa nenhuma, olhando apenas as mãos tristíssimas, quem me viu e quem me vê.»
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 347
Thomas Mann. O eleito. Publicações Europa-América. 1972., p. 135
Thomas Mann. O eleito. Publicações Europa-América. 1972., p. 115
Thomas Mann. O eleito. Publicações Europa-América. 1972., p. 88
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 337
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 336
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 326
« Comecei a inventar a histórias para crianças quando os meus filhos tiverem sarampo, [...] Mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da ''mensagem'': uma criança é uma criança, não é um pateta.»
Sophia de Mello Breyner Andresen
Organização e Prefácio de Carlos Mendes de Sousa.
Sophia de Mello Breyner Andresen. Prosa. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2021., p. 19
Organização e Prefácio de Carlos Mendes de Sousa.
Sophia de Mello Breyner Andresen. Prosa. Assírio&Alvim. 1ª Edição, 2021., p. 13
«Não podemos confundir absolutismo com princípio, ou substituir espectáculo por política, ou considerar insultos como um debate razoável.»
Barack Obama. Primeiro Discurso de Tomada de Posse. Proferido em Washington DC, a 20 de Janeiro de 2009
Henrique Monteiro. Grandes Discursos da História. Guerra e Paz, Editores, 2017., p. 202
«Projectam uma democracia na qual o governo, seja ele qual for, esteja confinado a uma série de regras, incorporadas na constituição, para que não possa governar o país como lhe apetecer.»
Nelson Mandela. Primeiro Discurso de Tomada de Posse. Proferido na Cidade do Cabo, a 9 de Maio de 1994
Henrique Monteiro. Grandes Discursos da História. Guerra e Paz, Editores, 2017., p. 178
nald Reagan. Derrube este muro! Proferido em Berlim Ocidental, a 12 de Junho de 1987
Henrique Monteiro. Grandes Discursos da História. Guerra e Paz, Editores, 2017., p. 179
Salvador Allende. Os últimos discursos. Proferidos na rádio, aquando do golpe militar, a 11 de Setembro de 1973
Henrique Monteiro. Grandes Discursos da História. Guerra e Paz, Editores, 2017., p. 169
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 325
Thomas Mann. O eleito. Publicações Europa-América. 1972., p. 10
Quando você for convidado pra subir no adro da fundação
Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos, quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico
Mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção
Da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo
Do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 306
José Saramago. levantado do chão. 20ª Edição. p. 248
«Eu tenho um sonho de que os meus quatro filhos vivam um dia numa nação na qual não sejam julgados pela cor da sua pele mas pela verdade da sua personalidade.»
Martin Luther King. Eu Tenho um Sonho. Proferido em Washington DC, a 28 de Agosto de 1963
Henrique Monteiro. Grandes Discursos da História. Guerra e Paz, Editores, 2017., p. 160