homens alienados
algemados por deuses de escorbuto e trigo
suspeitos de atearem fogo a uma nuvem de salsugem
nuvem-salto-em-altura
mais baixa que um sonho a preto e branco de Freud
que uma doce e dançante formiga nova-iorquina.
fui hoje até ao mar:
o mesmo que um dia engolirá a fome das luas
das criaturas prematuras
Manhattan
o azar ao jogo do czar
a raiva de não haver maré vazia até ao infinito.
agora
matilhas de dunas famintas cobrem os céus de carne
e os camaleões inventarão
a conta olhos
(encadeando os corsários)
o novo daltonismo das ondas.
Augusto António Cabrita
Algarve, Julho de 2026

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