22 OUT - 02 MAR 2026 Exposição |
''Percurso 2
Mão omnipotente de sibila, na procura de um rosto que conhece, fabricando a incógnita. A cor é traço de vida na caminhada. Há vasculuns vazios. O drama é belo e trágico. Sublime manual. Tátil extático. A crepetência da madeira nas montanhas rochosas. Um lugar de situação. Manchas na madeira paralelas, como que segmentadas ao mesmo comprimento, fazendo o painel. Agradeço o cajado. Para nós o vento bule. Ao longe. Retângulos perfeitos, escarpas simuladas. Andar em círculos, em busca do ponto de fuga. As plantas sugeridas são impossíveis em tamanha aridez. É esse o desenraizamento instaurado, que se pretende superar. O fogo apagou-se. Recuperemos o trajeto, com os sapatos possíveis. O vidro sempre opaco, inacessível à transparência. Obras fronteiriças, com obstáculos à saída. Binóculos para a paisagem. Correm rios negros, sonâmbulos, coagulados. Já a brancura agrafa o lugar de cada objeto. O corredor fecha-se. Encosto, sobreposição, fixação. Pariu-se uma pedra, frágil e lascada. Levamo-na no bolso. Chamamos-lhe democracia.''
Isabelle Ferreira, Par la nuit (la vallée d'Ossau), 2025 (pormenor). Foto: Guillaume Vieira, cortesia Fundação EDP.

Sem comentários:
Enviar um comentário