sábado, 30 de maio de 2015


«Os anos passaram. Tentei dar uma ordem ao caos da minha imaginação; mas essa substância, confusa como quando era criança, continua a parecer-me o coração da verdade: nós temos o dever, para lá das nossas preocupações pessoais, para lá dos nossos hábitos cómodos, acima de nós próprios, de fixar um fim, e esforçarmo-nos, dia e noite, desdenhando os risos, a fome e a morte, para o atingirmos; uma alma nobre, logo que atinge o seu fim, desloca-o ainda para mais longe. Não por atingi-lo, mas para nunca parar na sua ascensão. É a única maneira de darmos à vida nobreza e unidade.»

Nikos Kazantzakis. Carta a Greco. Trad. Armando Pereira da Silva e Armando da Silva Carvalho. Editora Ulisseia, Lisboa, p. 71/2
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