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sexta-feira, 18 de julho de 2025

''Falo pouco. Falo pouco e cada vez falo menos. Em primeiro lugar porque me distraio e esqueço o assunto das conversas e em segundo lugar porque as pessoas não esperam que lhes responda mas que as oiça, o que é fácil se acenar que sim de vez em quando e disser
— Pois claro
quando me olham de sobrancelhas levantadas à espera de concordância e aplauso. Tornei-me um especialista do
— Pois claro''


ANTÓNIO LOBO ANTUNES in, 'Crónicas'

domingo, 29 de novembro de 2020

sábado, 14 de setembro de 2019

'' apenas me preocupa atingir o coração do coração e iluminar tudo.''

 ''Colóquio Internacional apenas me preocupa atingir o coração do coração e iluminar tudo. António Lobo Antunes: 40 Anos de Vida Literária que terá lugar no dia 28 de setembro, entre as 10h00 e as 19h30, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian.''

sábado, 19 de janeiro de 2019

"Compreendi que a casa estava morta quando os mortos principiaram a morrer. O meu filho Carlos, em criança, julgava que o relógio de parede era o coração do mundo e tive vontade de sorrir por saber há muito que o coração do mundo não estava ali connosco, mas além do pátio e do bosque de sequóias, no cemitério onde no tempo do meu pai enterravam lado a lado os pretos e os brancos do mesmo modo que antes do meu pai, na época do primeiro dono do girassol e do algodão, sepultaram os brancos que passeavam a cavalo e davam ordens e os pretos que trabalharam as lavras neste século e no anterior e no anterior ainda, um rectângulo vedado por muros de cal, o portão aberto à nossa espera com um crucifixo em cima, lousas e lousas sem nenhuma ordem nem datas nem relevos nem nomes no meio do capim, salgueiros que não cresciam, ciprestes secos, um plinto para as despedidas em que os gatos do mato dormiam, enfurecendo-se para nós a proibir-nos a entrada. O autêntico coração das casas eram as ervas sobre as campas ao fim da tarde ou no princípio da noite, dizendo palavras que eu entendia mal por medo de entender, não o vento, não as folhas, vozes que contavam uma história sem sentido de gente e bichos e assassínios e guerra como se segredassem se parar a nossa culpa, nos acusarem, refutando mentiras, que a minha família e a família antes da minha tinham chegado como salteadores e destruído África, o meu pai aconselhava.
- Não ouças".

António Lobo Antunes
, "O Esplendor de Portugal", 1997.

domingo, 28 de outubro de 2018

«Ainda não falámos de O Arquipélago da Insónia (2008).
Não me lembro nada disso. Trata de quê?

Vou-lhe ler uma frase: “Começamos por uma casa, pelo sentimento, uma força em exercício, um poder que vem de há muito tempo, quando essa casa era igual mas era uma herdade, um latifúndio, quando nada faltava — a família, as empregadas na cozinha, o feitor, os campos, a vila ao fundo, e a voz do avô a comandar o mundo. Agora há fotografias no Alentejo em vez de pessoas.”

É bom!

Não se lembrava?
Não.

J.L. — É uma frase muito antuniana.»

Excerto da Entrevista, António Lobo Antunes no Ípsilon, Jornal Público
«E logo depois Explicação dos Pássaros (1981)...
Eu escrevia muito. Não ia a lado nenhum. Tinha uma vida sentimental tormentosa que de sentimentos não tinha nada, porque... porque eu era muito bonito, nem tinha de me mexer. E era estúpido, porque isso depois fazia-me sofrer.

Sofria?
Sofria — porque não estava a ser justo. Estava a usar as mulheres. Não estava a ser honesto.»

Excerto da Entrevista, António Lobo Antunes no Ípsilon, Jornal Público
«Rasgava cartas, destruía romances. Porquê?
Porque rasgo sempre tudo.

Há algum remorso?
Não. Andei dez anos a fazer um romance, antes de ir para África, durante África e depois de África. Foi para o lixo. Não prestava e os outros não prestavam.

Não destruiu Memória de Elefante.
Não. Queria publicar. Era, de certo modo, a celebração de um... Pertenço à classe dos eternos culpabilizados.

Porque diz isso?
Porque tive muitos privilégios e tinha consciência deles. E sempre me censurei atitudes de toda a ordem. Talvez tenha remorso por ter vivido mal e de uma maneira estúpida muitas vezes.

Porquê?
Não sei se era autopunição — porque tive muita sorte, nasci com muitos dons.»

Excerto da Entrevista, António Lobo Antunes no Ípsilon, Jornal Público

O Conhecimento do Inferno

António Lobo Antunes

O Conhecimento do Inferno

António Lobo Antunes

A Última Porta antes da Noite

António Lobo Antunes

sábado, 1 de setembro de 2018

«A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.»

António Lobo Antunes in Diário de Notícias (2003)

sábado, 20 de janeiro de 2018

“É fácil falar de Literatura porque me estou borrifando para a opinião dos críticos encartados e dos escritores encartados”

domingo, 19 de fevereiro de 2017

''É mau entrar numa casa e ouvir o eco da nossa tosse.''


António Lobo Antunesentrevista ao Jornal Expresso, 19-02-2017

''Um homem sozinho não pode ser feliz.''


António Lobo Antunesentrevista ao Jornal Expresso, 19-02-2017

“Até Que as Pedras Sejam Mais Leves Que a Água”

António Lobo Antunes
«Todos os livros são autobiográficos. Acabamos por só falar daquilo que, no fundo, conhecemos.»


António Lobo Antunesentrevista ao Jornal Expresso, 19-02-2017
«As mulheres da idade da minha mãe metiam conversa comigo na rua. Era um assédio! Agora sou um monstro.»

António Lobo Antunes, entrevista ao Jornal Expresso, 19-02-2017


“Não me é fácil viver comigo. Parece que estou sempre em guerra civil”

António Lobo Antunes

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Isto às vezes é tremendo porque a gente quer exprimir sentimentos em relação a pessoas e as palavras são gastas e poucas. E depois aquilo que a gente sente é tão mais forte que as palavras..."

António Lobo Antunes, in jornal Público (2004)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

"Daqui a nada saio para almoçar, neste bairro pobre e feio. Não liguem: tudo é feio para mim, hoje. Vagos ruídos de vizinhos, uma ambulância muito ao longe, uma máquina qualquer, não sei onde, a consertar não sei quê. Apetecia-me ser pequeno, apetecia-me sorrir. "

António Lobo Antunes
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