''Vieira da Silva não gostava de explicar a sua pintura, não o sabia como, achava-se “inútil e completamente estúpida” fora dela [2]. Este sentimento de inaptidão aliava-se, paradoxalmente, ao desejo (e não à resolução) de abarcar tudo o que lhe era exterior, de ir a toda a parte, de assimilar toda a realidade. Não queria excluir nada do seu espanto nem do seu terror, não queria deixar escapar “nem a ligeireza dos pássaros, nem o peso das pedras, nem o brilho dos metais” nos seus quadros [3]. Esta ambição desmesurada, rente a uma angústia que poderia tornar-se castradora da criação, fez de Maria Helena uma das grandes pintoras do século XX - “essa vidente do visível” [4] -, num percurso reconhecido desde cedo, atípico em comparação ao que esteve reservado a muitas, demasiadas, mulheres artistas do seu tempo.''
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sexta-feira, 3 de julho de 2026
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