«Do que é que estavas à espera, na cidade da Flor Memória?, disse de si para si. E agora oferecem-me a quantidade de cravos rejeitados que eu quiser e talvez nunca saiba por que os rejeitaram. Quem sabe, pensou, sentindo o cansaço a dominá-la e a rebelar-se contra uma confusão estúpida que lhe apanhava a cabeça, se não somos todos uns rejeitados num mundo de rejeição e não sabemos nem sonhamos que ao mesmo tempo há flores escolhidas que brotam num mundo perfeito. Num mundo em que os critérios da perfeição ou se perderam ou são secretos, sentia-se satisfeita, agora, por estar por dois meses na Nova Zelândia, por ser destinatária de cravos rejeitados.»
Janet Frame. Os Cárpatos no Nosso Jardim. Tradução de António Costa Santos. Editorial Caminho. Lisboa, 2004., p. 35quinta-feira, 9 de julho de 2026
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