Falo pouco. Falo pouco e cada vez falo menos. Em primeiro lugar porque me distraio e esqueço o assunto das conversas e em segundo lugar porque as pessoas não esperam que lhes responda mas que as oiça, o que é fácil se acenar que sim de vez em quando e disser
– Pois claro
quando me olham de sobrancelhas levantadas à espera de concordância e aplauso. Tornei-me um especialista do
– Pois claro
(...)
António Lobo Antunes, Crónicas, “A Minha Morte” (1993)
Sem comentários:
Enviar um comentário