A poesia não cabe no nosso quintal.
Olhemos para a poesia como uma arte que não tem fronteiras, caracterizada pela hospitalidade do diverso. É uma palavra que não desiste de ninguém, que espera por todos e educa para uma visão universal e para a valorização da harmonia.
Penso em poetas como Rilke, penso em poetas como Fernando Pessoa, que nos ajudaram a olhar a partir do limiar, a escutar aquilo que, nas palavras, à primeira vista não está presente, mas que depois se torna decisivo: a experiência do mistério.
A poesia e a arte são essenciais para o diálogo com o mundo contemporâneo. O algoritmo tem um pacto com o passado. O poema tem um pacto com o futuro, porque trabalha continuamente a possibilidade. Dizer ao ser humano “é possível, é possível, é possível”: nesse sentido, a poesia tem uma aliança com a esperança, tem uma aliança com a elaboração da paz. A poesia vai além da declaração fatalista de que é impossível. O algoritmo é um mapa dos passos percorridos. O poema é um mapa dos caminhos a percorrer.
— Card. José Tolentino de Mendonça©, trecho, entrevista ao Vatican News “Dia Mundial da Poesia”.

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