para Nuno Dempster, in memoriam
O melhor que fizemos ainda foi partirmos
à pedrada os candeeiros da nossa infância antiga.
O mais, pouco valeu: o chiste que atirámos à garça
vermelho que se comprou na feira de S. Mateus,
o pedaço de rio entrevisto na Afurada, a confirmar-nos
que não podia ser outra a cidade amada,
nem maior a profunda paixão que lhe devotávamos.
E, no entanto, os sonhos por cumprir sobejavam-nos,
como se subir ao Kilimanjaro não fosse impossível
e as nossas forças ainda chegassem
para desfrutar da groselha infinita que merecíamos.
Mas enfrentamos os babuínos com coragem
e protegemos o melro que quis acompanhar-nos.
Amadeu Baptista

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