domingo, 13 de julho de 2025

O Comportamento dos Peixes num Jardim de Chá Egípcio

 Tal como a rocha branca atrai os peixes
também ela no mar chão da tarde
atrai o olhar dos homens e o seu cruel desejo
de amor. Os lábios vermelhos sorvem
da colher um bocado de gelado. As mãos,
brancas como uma concha, são ramos de folhas
aquáticas mergulhando com os dedos abertos, espraiam-se
com as suas pontas de carmim ao longo da mesa.

Um magnate do algodão, peixe importante
com papos enormes nos olhos e boca cheia de ouro
emerge através dos frágeis rochedos da mobília
e quase parado, suspenso, fica ali a olhar.

Um velho homem-crustáceo, preso por um gancho a uma cadeira,
vai sentar-se ao lado dela e observa friamente
os seus atractivos através de fissuras que já foram olhos;
ou fica de boca aberta, embasbacado.

Um comandante em gozo de licença, carapau escuro e delgado
do mar alto, olha para trás a perscrutar
por entre correntes de som. O pregado de olho chato
sorve por uma palha e olha vagamente lá do seu descanso.

Alguns galanteadores ausentam-se do cardume e sobem à tona,
ficam por ali em círculos pairando sobre o branco atractivo;
há por vezes uma pausa, depois nova correria:
os peixes precisam de pausas para mordiscar comida ou dar um sacão.

Mas agora o gelado acabou, este já está
pago. Os peixes afastam-se a nadar para os seus negócios
e ela fica sentada à mesa, rocha branca
só útil para coleccionadores e homens ricos.

Keith Douglas


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