quarta-feira, 3 de agosto de 2011

      «Em qualquer estação do ano usava um lenço de chita preso nas costas por um alfinete, uma touca que lhe escondia o cabelo, meias cinzentas, saia vermelha e, por cima da sua grande camisa, um avental de peitilho, como as enfermeiras de hospital.
        O seu rosto era magro e a sua voz aguda. Aos vinte e cinco anos, davam-lhe quarenta; a partir dos cinquenta, parecia que a idade não passava mais por ela; e, sempre silenciosa, de porte rectilíneo e gestos comedidos, parecia uma mulher de madeira, a funcionar de forma automática.»


Gustave Flaubert. Um Coração Simples. Tradução de Maria Emanuel Côrte-Real e Júlio Machado. 1ª edição. Edições Quasi, 2008., p.11

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