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quarta-feira, 13 de maio de 2015


«Comigo vais amar quem quiseres, vais ser tu a apresentar a factura.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 109

«É a escrava que não posso libertar, o cão que não posso abater.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 105
«É a cadela que segura o homem pela trela, o escravo que ridiculariza o amo, o pássaro que fecha a criança na gaiola. Nunca mais quero falar-lhe, nem ouvi-la, nem ceder às suas lágrimas; quero por minha vez ser mau e duro, e pôr-lhe o açaimo como a um cão mal treinado, bater-me contra ela até se deitar quando eu lhe disser para se deitar e se meter onde eu disser para se meter, até acabarmos por ver quem obedece a quem.
Bati-lhe com um pau para lhe ensinar o respeito, mas não fiz mais do que endurecê-la e torná-la insolente; mergulhei-a em água gelada, mas só consegui excitar a sua curiosidade; piquei-a com espinhos para que, ao verter o seu sangue, vertesse também a maldade e o sofrimento que me infligia. mas o que fiz foi dar-lhe o gosto do sofrimento.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 105

RODOLFE

Tens razão. As mulheres amaldiçoam de manhã e abençoam à noite, quando torna a amanhecer, voltam a amaldiçoar, para abençoar, outra vez ao meio-dia. É como o vento variável, sempre a soprar em direcções diferentes. As árvores já o conhecem e deixam-se ficar direitas, deixam-no passar. A minha maldição não é assim: é como um punhado de sal que se deita no chá, tornando-o para sempre intragável.


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 101

RODOLFE
Nada, não penso nada, sou muito velho e muito estúpido para pensar. Só quero que me deixes em paz.


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 100

«É como a fruta: a sã é invadida pela podridão, mas a podre nunca mais volta a ser sã.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 100

MONIQUE

Bestas, vagabundos, remelosos, gafados, restos de seres humanos! Estou farta destes doidos mal lavados, tão farta que antes preferia viver no meio dos ratos e dos cães! Meu Deus, esta gente mete nojo! Vou-me fechar atrás de quatro portas de cimento, vou-me barricar em casa assim que voltar e pedir que me façam chegar os alimentos por um túnel para nunca mais ter que sentir o cheiro destas raspas de seres humanos, vou mandar que me cimentem dos pés à cabeça, só com um buraco para a boca e o nariz! Maurice, quero voltar para casa! (Monique e Maurice caem nos braços um do outro.)



Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 89

«Não andes por aí a laurear a pluma (...)»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 86

«Mais tarde ou mais cedo, as coisas haviam de pôr-se pretas para ti. Tiveste um adiamento e eu ajudei-te, mas algum dia havia de chegar a má sorte.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 67

«Aliás, tu nunca entendes o que eu te digo, e eu não percebo nada do que tu pensas. Fazes sempre como eu penso que tu pensas que não tens vontade de fazer, e depois emendas.»

Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 67

«Não te estou a pedir nada que não me devas.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 66

FAK
Se fosses muito infeliz, não estavas sempre a dizer não. Quem é muito infeliz, diz sim. Só diz não quem é ainda pouco infeliz.


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 65

FAK
Eu não troco nada; ou me dão, ou não me dão, ou tomo, ou não tomo, ou dou, ou não dou.


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 65

FAK
São precisamente os que nunca se lavaram desde que nasceram que estão sempre limpos; a porcaria desinteressa-se deles e escorrega-lhes pela pele. Ao passo que correr atrás dos que passam o tempo todo a lavar-se; quanto mais se lavam, mais a porcaria se agarra. Quando fores crescida, vais ter que te lavar cada vez com mais frequência, e mais tarde, quando já fores muito velha, vais passar o tempo todo a lavar-te sem nunca deixares de estar suja, mas eu, que nunca me lavei vou estar limpo até ao fim dos tempos.



Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 64

«Eu nunca me lavo, nem no rio, nem em casa, nem em nenhuma espécie de água, suja ou limpa.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 64


«Um homem não deixa a sua terra com vergonha do nome da mãe sem ter cometido um crime. Vocês só nos trazem desgraças, com o cheiro dos vossos crimes, da vossa vergonha, do vosso silêncio, de tudo o que escondem. Com vocês, chegados aqui sem pai, nem mãe, nem raça, nem umbigo, nem língua, nem nome, nem deus, nem visto, chegou o tempo das desgraças umas atrás das outras. Por vossa causa, a desgraça entrou em nossa casa, subiu as escadas, arrombou a porta e foi o começo da miséria, o começo da falta de dinheiro, o começo da escuridão, dos sóis que não querem pôr-se, o começo dos barcos que já não páram aqui, do abandono das casas pelas pessoas honestas, o começo da desordem, dos insultos, das navalhadas, do medo da noite, do medo do dia, do medo colado às costas, do desregramento dos dias e das noites, o começo das picadas no nosso sangue pelas moscas que se ocultam nos vossos cabelos. Antes, o sol era o sol, bastava um gesto para nos obedecer, e a noite o tempo do sono; as portas fechavam-se à chave, as janelas tinham vidraças e das torneiras corria água, mas vocês beberam até à última gota a água que corria das torneiras e não deixaram nada para ninguém. Antes, por aqui tudo corria bem: não havia dores nas pernas nem nas costas, não havia dores na garganta, nos olhos, não havia a febre que não nos deixa dormir, nem dores de barriga, nem dores no peito. Antes, andávamos como deve ser, de ombros firmes e costas direitas. Mas a vossa vergonha foi lentamente encurvando as nossas costas e baixando a nossa cabeça, e começou aí a nossa desgraça. Nunca mais quero ver-te! Nunca mais quero ver nada!»



Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 61/2

«Sou uma putéfia reformada, boa para furar pneus de automóvel com uma faca de cozinha e para esperar a chegada do crepúsculo. (Ri-se.) Eu doente!»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 61

«(...) a minha lábia só funciona ao crepúsculo.Estou tão cansada que basta-me ter uma ideia, por mais pequena que seja, para ter que me sentar e retomar o fôlego.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 60

«A gente deve rir-se quando tem vontade. Também não tenho lume.»

Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 60

quinta-feira, 7 de maio de 2015


«É por isso que não sonhamos com nada, e a culpa não é tua nem minha; somos mal nascidos e pronto.»


Bernard-Marie Koltès. Cais Oeste. Tradução de Ernesto Sampaio. Centro de Dramaturgias Contemporâneas - Porto. Livros Cotovia., p. 54
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