"A Instrução da Mulher" foi publicado no jornal La Voz de Elqui em 1906. “Porque a mulher instruída -diz- deixa de ser aquela fanática ridícula que não atrai a ela senão a zombaria; porque deixa de ser aquela esposa monótona que para manter o amor conjugal não conta mais do que com sua beleza física e acaba por encher de aborrecimento essa vida em que a contemplação acaba. Porque a mulher instruída deixa de ser aquele ser desprotegido que, fraca para lutar contra a Miseria, acaba por se vender miseravelmente se suas forças físicas não lhe permitem esse trabalho”.
Para a poetisa, educar a mulher “é fazê-la digna e levantá-la”.
Na coluna, Gabriela Mistral também questiona a religião, o que para seus biógrafos intensificou ainda mais a rejeição do texto por parte da sociedade conservadora.
A poetisa se pergunta por que os pais afastam das mãos de seus filhos obras científicas “com o pretexto” de que sua leitura mudará os “sentimentos religiosos do coração”.
“Que religião mais digna do que a que tem o sábio?”, escreve.
“Eu colocaria ao alcance de toda a juventude toda a leitura desses grandes sóis da ciência, para que se abismasse no estudo dessa Natureza de cujo Criador deve formar uma ideia. Eu lhe mostraria o céu do astrônomo, não do teólogo”, indica.
Gabriela Mistral conclui o artigo solicitando mais futuro e mais ajuda para a mulher.
“Que se faça amar a ciência mais do que as joias e as sedas”, afirma.
“Qualquer liberdade ou autonomia da mulher, tanto em 1906 quanto em 2024, passa pela educação, pela ilustração. Então, muitas das coisas daquela coluna você poderia colocar agora também”, diz à BBC Mundo Claudia Reyes García.
“Porque se você tivesse que explicar a uma mulher hoje como conquistar seus direitos, você teria que dizer: instrua-se, eduque-se, assim como Mistral fez há mais de 100 anos”, acrescenta a biógrafa.
Fonte: https://ichef.bbci.co.uk/news/1024/branded_mundo/d88d/live/7521b910-da2a-11ee-96de-47124aad4d6e.jpg

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