terça-feira, 22 de abril de 2025

«Poemas aos homens do nosso tempo»

 Amada vida, minha morte demora.

Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra
além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.


 Hilda Hilst, excerto de «Poemas aos homens dos nossos tempos», in Júbilo, memória, noviciado da paixão, 1974

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