domingo, 15 de abril de 2012

LEONARDO

Que vidros cravam minha língua
                                              (presa!)
Porque eu te quis esquecer,
e pus um muro de pedra
entre a tua casa e a minha.
É verdade. - Não te lembras?
E quando te vi de longe,
enchi meus olhos de areia.
Mas, se montava a cavalo,
em tua porta me achava -
Tornou-se-me o sangue negro,
com alfinetes de prata.
E o sonho me foi cobrindo
as carnes da erva daninha.
Pois a culpa não é minha.
A culpa, a culpa é a terra
e do cheiro que desprendem
teus peitos e tuas tranças.




Frederico Garcia Lorca. Bodas de Sangue. Teatro Moderno. Tradução de Cecília Meireles. AGIR Editora, Rio de Janeiro, 1960., p. 137

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